Tensão no Oriente Médio
Por Admin
16 de abril de 2026 às 18:30
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que Israel e Líbano darão início a um cessar-fogo de dez dias. O anúncio ocorreu depois de uma conversa telefônica com o presidente libanês, Joseph Aoun, que, segundo Trump, agradeceu pela atuação americana para tentar reduzir a escalada militar e buscar estabilidade na região.
De acordo com o líder americano, ele também falou com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu. Trump declarou que ambos os chefes de governo concordaram em formalizar a trégua, com início previsto para as 17h no horário local informado por ele (19h em Brasília).
Ao divulgar o cessar-fogo, Trump disse ter orientado integrantes do alto escalão de seu governo a conduzirem as tratativas com os dois países. Ele citou o vice-presidente J. D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan “Razin” Caine, como responsáveis por buscar um acordo que vá além da pausa temporária nos combates.
O presidente americano também voltou a mencionar, em tom de autopromoção, que teria ajudado a encerrar diversos conflitos internacionais e classificou a trégua entre Israel e Líbano como mais um passo nessa direção.
O anúncio desta quinta acontece após, segundo um funcionário libanês ligado às negociações, Joseph Aoun ter recusado uma solicitação dos EUA para estabelecer um contato direto com Netanyahu. Na véspera, Trump havia indicado que esperava uma conversa entre os líderes de Israel e Líbano, mas esse formato acabou não se confirmando, conforme o relato da fonte.
A movimentação diplomática se dá em meio a divergências internas no Líbano sobre como lidar com o conflito, além da influência do Hezbollah, grupo armado e partido com forte presença política no país.
Hassan Fadlallah, parlamentar associado ao Hezbollah, afirmou à agência Reuters que recebeu do embaixador do Irã em Beirute a informação de que um cessar-fogo de uma semana poderia começar ainda nesta noite. Questionado sobre o comprometimento do grupo com uma eventual pausa nos combates, Fadlallah declarou que qualquer acordo dependeria de Israel interromper “todas as formas de hostilidades”.
Na quarta-feira, o Hezbollah havia apresentado a Israel uma proposta de trégua por sete dias, divulgada pela TV Al-Mayadeen, veículo alinhado ao grupo. Integrantes do governo israelense relataram que o gabinete de Netanyahu analisou a sugestão, mas, até a manhã desta quinta, não havia uma definição pública sobre os termos.
Apesar do cessar-fogo de dez dias anunciado por Trump, fontes de segurança israelenses ouvidas pela Reuters indicaram que o Exército de Israel não planeja deixar as áreas ocupadas no sul do Líbano. Esse ponto é considerado sensível nas negociações e pode limitar o alcance de uma trégua mais duradoura.
Israel sustenta que a presença e a capacidade militar do Hezbollah são o principal obstáculo para uma paz estável. Autoridades israelenses têm reiterado que a prioridade é enfraquecer e desarticular a estrutura do grupo.
Em paralelo, Israel iniciou conversas diretas com o Líbano pela primeira vez desde 1993, mas sem incluir o Hezbollah nas discussões. A primeira rodada ocorreu na terça-feira (14), em Washington, sob mediação americana.
Netanyahu declarou que o objetivo central desse canal de diálogo é garantir o “desmantelamento do Hezbollah” e, em seguida, buscar uma “paz sustentável” baseada na demonstração de força. O grupo, por sua vez, se posiciona repetidamente contra negociações conduzidas apenas entre governos.
Segundo a Al-Mayadeen, a proposta de trégua do Hezbollah teria sido comunicada com participação de Teerã, em um cenário mais amplo de tensões regionais. O canal afirmou que o Irã busca ampliar sua própria janela de cessar-fogo com os Estados Unidos, após a guerra iniciada em 28 de fevereiro, quando os americanos teriam atuado ao lado de Israel em ataques contra o território iraniano.
Os combates, segundo o relato, pararam na semana passada, mas o prazo estabelecido por Trump para a obtenção de um acordo se encerra na próxima terça-feira (21). Ainda de acordo com o texto-base, o Irã recebeu uma delegação liderada por Asim Munir, chefe das Forças Armadas do Paquistão, país que sediou uma rodada anterior de negociações com os EUA que terminou sem conclusão.
No terreno, a violência continuou sendo registrada. O Exército libanês informou nesta quinta-feira que ataques israelenses destruíram a ponte de Qasmiyeh, sobre o rio Litani, no sul do país, isolando a região do restante do Líbano. Segundo o comunicado, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas, incluindo um soldado que estava lotado na área.
A agência estatal libanesa NNA também reportou a destruição da estrutura, classificada como a última ligação por ponte entre as regiões de Tiro e Sidon. Já o Exército de Israel afirmou ter ordenado na quarta-feira que uma faixa de cerca de 30 quilômetros, da fronteira sul do Líbano até o rio Litani, fosse tratada como uma área destinada a atingir o Hezbollah, descrita no comunicado como “zona de extermínio”.
Israel mantém presença em partes do sul libanês e tem resistido a acordos de trégua com o movimento, argumentando que o Hezbollah segue ativo e armado. Do lado libanês, a continuidade de ataques e a destruição de infraestrutura elevam a pressão interna por garantias de segurança antes de qualquer compromisso de longo prazo.
*Com informações atribuídas a Gabriel Barnabé, da Folhapress, conforme o texto original.
Fonte: UrbNews
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