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Diplomacia em crise

EUA e Irã encerram negociações no Paquistão sem acordo de paz

O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse em entrevista coletiva neste sábado (11), já manhã de domingo (12) no Paquistão, ter feito uma oferta final ao Irã

Por Admin

12 de abril de 2026 às 14:04


EUA e Irã encerram negociações no Paquistão sem acordo de paz

As tratativas de paz entre Estados Unidos e Irã foram encerradas sem consenso neste fim de semana, ampliando a incerteza sobre a continuidade do cessar-fogo considerado frágil no contexto da guerra no Oriente Médio. As delegações se reuniram em Islamabad, no Paquistão, que atua como mediador no conflito, mas deixaram a capital paquistanesa sem anúncio de nova rodada de encontros.

O vice-presidente americano, J. D. Vance, afirmou neste sábado (11) — já domingo (12) no horário local — que apresentou aos iranianos o que chamou de proposta final. Segundo ele, após longas horas de discussões, a equipe dos EUA retornaria ao país sem um entendimento formal.

Vance fala em “oferta final” e retorno aos EUA

Em declaração breve a jornalistas em um hotel de Islamabad, Vance disse que as conversas somaram 21 horas e que Washington explicitou pontos inegociáveis e margens de concessão. De acordo com o vice-presidente, Teerã decidiu não aceitar os termos apresentados.

A sinalização contrariou falas anteriores atribuídas à delegação iraniana, que indicava expectativa de novas discussões no domingo. Depois da entrevista de Vance, porém, a televisão estatal do Irã confirmou o encerramento do processo e atribuiu o fracasso do diálogo a “exigências excessivas” feitas pelos Estados Unidos.

Vance também declarou que, apesar de ter havido conversas relevantes, a ausência de acordo seria mais prejudicial para o Irã do que para os EUA. Ainda assim, não foi detalhado se a proposta americana permanecerá sobre a mesa e por quanto tempo.

Impasse sobre armas nucleares e enriquecimento de urânio

Um dos principais pontos citados pelos Estados Unidos envolveu a exigência de garantias de que o Irã não buscaria uma arma nuclear nem estruturas capazes de viabilizar esse desenvolvimento. O governo iraniano nega, historicamente, intenção de produzir uma bomba atômica.

Ao mesmo tempo, o país persa tem enriquecido urânio a patamares acima do necessário para fins civis, o que alimenta suspeitas e pressões internacionais. Vance afirmou que Washington demonstrou flexibilidade nas conversas, mas que não houve avanço suficiente para fechar um acordo.

Ao final, o vice-presidente disse que os EUA deixavam Islamabad com uma proposta “simples” e que caberia aos iranianos decidir se a aceitariam. Ele falou ao lado do enviado de Donald Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e de Jared Kushner, genro do presidente.

Como foram as reuniões em Islamabad

As conversas foram descritas como o contato de mais alto nível entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979. No sábado, houve três rodadas de reuniões, e a última terminou durante a madrugada de domingo no horário local.

A delegação iraniana, com mais de 70 integrantes, foi liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. O grupo chegou ao Paquistão na sexta-feira (10) usando roupas pretas, em sinal de luto pela morte do aiatolá Ali Khamenei.

Segundo o relato, os iranianos também levaram itens pessoais — como sapatos e bolsas — de estudantes mortas em um bombardeio dos Estados Unidos contra uma escola para meninas próxima a um complexo militar, gesto que reforçou o tom simbólico e a dimensão humanitária do conflito durante a negociação.

Segurança reforçada e hotel fortificado

Os encontros ocorreram no Serena, hotel cinco estrelas com jardins e arquitetura de inspiração mourisca. O edifício é apontado como um dos mais protegidos de Islamabad, com esquema próprio de segurança.

A região fica próxima ao hotel Marriott, local de um dos ataques mais graves no Paquistão em 2008, quando um caminhão-bomba com cerca de 600 quilos de explosivos provocou destruição significativa e deixou dezenas de mortos, incluindo o embaixador da República Tcheca.

Diante do peso político do encontro, as autoridades paquistanesas ampliaram o policiamento com milhares de agentes na capital, além de tropas paramilitares e do Exército. Barreiras e pontos de controle foram montados em diferentes áreas, e houve fechamento de lojas e escritórios.

Demandas iranianas e contexto regional

Ainda no sábado, a emissora estatal iraniana informou que Teerã levou à mesa reivindicações relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados e ao pagamento de reparações por danos atribuídos à guerra. Também foi mencionada a defesa de um cessar-fogo com abrangência regional, e não restrito a pontos específicos do confronto.

Com o fim das conversas sem acordo, permanece a dúvida sobre a possibilidade de retomada de bombardeios e de escalada militar, em uma guerra que já deixou milhares de mortos em diferentes países e territórios da região.

Histórico: acordo nuclear de 2015 e ruptura em 2018

A última negociação direta de grande porte entre EUA e Irã havia ocorrido durante a construção do acordo nuclear de 2015. Na época, o entendimento combinou alívio de sanções contra a teocracia iraniana com um sistema de verificação e restrições ao enriquecimento de urânio por 15 anos, visando reduzir o risco de obtenção de arma nuclear.

Em 2018, durante o primeiro mandato, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo. Naquele mesmo ano, o aiatolá Ali Khamenei vetou novas conversas diretas entre autoridades dos dois países, o que tornou ainda mais rara a possibilidade de encontros presenciais.

Na sexta-feira, Trump escreveu nas redes sociais que, na visão dele, os iranianos estariam usando sua posição estratégica para pressionar o mundo por meio de rotas marítimas internacionais e afirmou que a sobrevivência do grupo no contexto atual estaria vinculada à negociação de um acordo.

As informações são da Folhapress, com dados atribuídos ao repórter Victor Lacombe.

Fonte: UrbNews



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