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Lula critica Trump por ameaças a Irã, Cuba e Venezuela em entrevista

Presidente comenta possibilidade de Terceira Guerra Mundial

Por Admin

16 de abril de 2026 às 21:30


Lula critica Trump por ameaças a Irã, Cuba e Venezuela em entrevista

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em temas de política externa envolvendo Irã, Cuba e Venezuela. Em entrevista ao jornal espanhol El País, publicada nesta quinta-feira (16), o brasileiro afirmou que nenhum país — incluindo os EUA — tem autorização para intimidar nações com as quais discorda.

Segundo Lula, ameaças e pressões internacionais precisam respeitar limites previstos em regras multilaterais. Para ele, não cabe à Casa Branca agir como se pudesse impor sua vontade a outros governos, citando que esse tipo de comportamento não encontra respaldo em documentos como a Carta das Nações Unidas.

Críticas às ameaças contra o Irã

Na conversa com o diário espanhol, Lula mencionou declarações recentes de Trump sobre o Irã. Na semana anterior, o presidente norte-americano ameaçou praticar um ato que Lula classificou como genocídio caso Teerã não aceitasse as condições apresentadas pelos EUA para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Ao comentar o episódio, o presidente brasileiro sustentou que a escalada verbal e a lógica de intimidação elevam o risco de conflito e enfraquecem a diplomacia. Na avaliação de Lula, o mundo não pode normalizar a ideia de que um líder acorde “e resolva ameaçar um país”, pois isso fere princípios básicos de convivência entre Estados.

Soberania e integridade territorial no centro do debate

Lula ampliou a crítica para outras frentes em que Trump tem feito ameaças ou defendido intervenções, como Cuba e Venezuela. O presidente destacou que a soberania é um pilar do direito internacional e que nenhum governo deve violar a integridade territorial de outro país.

Ele também argumentou que falta, no cenário global, liderança política disposta a assumir que o planeta não pode ser conduzido por um único país. Mesmo reconhecendo o peso de grandes potências, Lula defendeu que justamente os mais influentes deveriam ter maior compromisso com a manutenção da paz.

Alerta sobre o risco de uma terceira guerra mundial

Questionado pelo El País sobre a possibilidade de um conflito de escala global, Lula afirmou que uma eventual terceira guerra mundial seria uma tragédia muito superior à Segunda Guerra. Na entrevista, ele relacionou esse risco à política de intervenção e ao uso recorrente de ameaças como ferramenta de governo.

Para o presidente brasileiro, se líderes continuarem agindo como se pudessem atacar qualquer país a qualquer momento, a hipótese de um confronto internacional amplo deixa de ser distante. O alerta se insere no contexto de tensões geopolíticas já elevadas no Oriente Médio e em outras regiões.

Cuba: críticas ao endurecimento do bloqueio energético

Ao tratar de Cuba, Lula condenou o endurecimento do bloqueio energético em meio ao embargo econômico que já dura quase sete décadas. Ele descreveu o país caribenho como importante para o Brasil e questionou a lógica de manter restrições por tanto tempo.

Na avaliação do presidente, se a preocupação declarada de críticos do governo cubano fosse de fato o bem-estar da população, a mesma atenção deveria ser dada a outros países em crise, como o Haiti. O chefe do Executivo citou a situação haitiana, marcada por instabilidade econômica e social prolongada e pela presença de gangues armadas que controlam grande parte da capital, Porto Príncipe.

Lula defendeu que Cuba precisa de oportunidades para melhorar seus problemas internos. Ele também criticou a ideia de impor condições que dificultem o acesso do país a itens básicos, como alimentos, combustível e energia, apontando o impacto direto dessas restrições sobre a vida cotidiana.

Venezuela: defesa de eleições e rejeição a tutela externa

Sobre a Venezuela, Lula disse que a posição do governo brasileiro era de que o país realizasse a eleição prevista para julho de 2024 e que o resultado fosse respeitado, de modo a permitir que a nação vizinha retomasse a estabilidade.

Na entrevista, ele afirmou que não considera aceitável que os EUA ajam como se pudessem “administrar” a Venezuela. O presidente voltou a insistir na necessidade de respeito à soberania e no papel de mecanismos políticos internos para resolver impasses.

Relação bilateral, divergências e tarifas

Lula também abordou a relação entre Brasil e Estados Unidos sob o ponto de vista pragmático. Segundo ele, chefes de Estado não precisam concordar ideologicamente, mas devem atuar com foco nos interesses nacionais e na busca de entendimento entre países.

No campo comercial, a entrevista lembrou que, após negociações entre Brasília e Washington em novembro de 2025, os EUA retiraram uma tarifa de 40% aplicada a uma série de produtos brasileiros. Já em fevereiro deste ano, a Suprema Corte norte-americana derrubou o “tarifaço” imposto por Trump a dezenas de países, atendendo a demandas de empresas dos EUA afetadas pelas medidas.

As declarações de Lula ao El País reforçam a estratégia do Palácio do Planalto de defender o multilateralismo e o respeito a regras internacionais, ao mesmo tempo em que busca manter canais de diálogo com Washington em temas econômicos e diplomáticos.

Fonte: UrbNews



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