Imóveis em alta
Por Admin
27 de março de 2026 às 18:39
O mercado imobiliário da Grande Fortaleza começou 2026 em ritmo acelerado, com aumento nas vendas e novos patamares de preços em bairros valorizados. Um levantamento divulgado nesta sexta-feira (27) no boletim Flash Imobiliário, apresentado por Ricardo Bezerra, sócio e diretor executivo da Lopes Immobilis, aponta que o setor manteve o aquecimento observado nos últimos anos e surpreendeu com a força do desempenho comercial no início do ano.
Além da valorização dos imóveis, o relatório destaca a diversificação do crescimento entre segmentos, com destaque para a continuidade do protagonismo do Minha Casa, Minha Vida em volume de unidades vendidas e a presença forte de empreendimentos verticais e loteamentos.
De acordo com os dados consolidados do primeiro bimestre de 2026, foram comercializadas 3.227 unidades na Grande Fortaleza. O total movimentado alcançou R$ 1,4 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV), resultado que representa crescimento de 27% quando comparado ao mesmo período de 2024 e 2025.
Ricardo Bezerra afirmou que o começo de 2026 veio acima do que o setor esperava. Segundo ele, o volume já registrado no início do ano reforça a perspectiva de um VGV anual robusto e mantém a projeção de o mercado superar a marca de R$ 10 bilhões em vendas ao longo de 2026.
Na avaliação do executivo, o desempenho é explicado por uma combinação de fatores locais e comportamentais, como a capacidade empreendedora do Ceará e o interesse de compradores em proteger e ampliar o patrimônio por meio do investimento em imóveis.
O estudo também mapeou a evolução dos preços em bairros de Fortaleza, com o Meireles no topo do ranking de valorização. O bairro atingiu R$ 17.302 por metro quadrado, o maior valor já registrado na capital cearense.
Outras regiões nobres seguem em trajetória de alta. A Aldeota aparece com R$ 15.400/m², enquanto o Cocó registra R$ 13.387/m². Já o Guararapes figura com R$ 12.050/m², mantendo a tendência de fortalecimento da demanda em áreas de padrão mais elevado.
Na média geral — considerando também empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida — o valor do metro quadrado em Fortaleza e na Região Metropolitana chegou a R$ 8.375, sinalizando que o movimento de alta não se restringe apenas às áreas premium.
O recorte por segmento mostra que o Minha Casa, Minha Vida segue como principal motor em quantidade de unidades. No primeiro bimestre, foram 1.722 imóveis comercializados dentro do programa, reforçando a demanda por moradia com condições de financiamento mais acessíveis.
Na sequência, o residencial vertical somou 741 unidades vendidas, refletindo a continuidade do interesse por apartamentos, especialmente em regiões com infraestrutura consolidada. Os loteamentos também tiveram desempenho relevante, com 635 unidades negociadas no período, indicando espaço para expansão urbana planejada e procura por terrenos em diferentes faixas de renda.
Apesar do avanço das vendas, o levantamento aponta que ainda há oferta disponível para atender a demanda. O estoque atual contabiliza 12.556 unidades, número que tende a influenciar estratégias de preço, lançamentos e condições comerciais ao longo do ano.
Especialistas ouvidos no contexto do relatório apontam que o comportamento das taxas de juros deve ter impacto direto no fôlego do mercado imobiliário em 2026. A expectativa do setor acompanha especialmente as decisões do Banco Central sobre a Selic, referência para o custo do crédito no país.
Para Victor Maia, diretor-executivo da Comercial Maia, um cenário de juros mais baixos tende a destravar compras que estavam sendo postergadas. Na leitura do executivo, a redução do custo do financiamento pode aumentar a confiança do consumidor e ampliar as novas aquisições, fortalecendo ainda mais a demanda.
Já o empresário Adalberto Machado, da Construtora Mota Machado, pondera que os juros ainda são um ponto sensível para o setor. Mesmo assim, ele avalia que o mercado tem mostrado resiliência, com vendas em ritmo consistente apesar do patamar elevado das taxas.
Com preços em alta em bairros estratégicos e volume de vendas acima dos últimos anos, Fortaleza se consolida como uma praça atrativa tanto para investidores quanto para famílias em busca de proteção patrimonial. O desempenho no começo do ano sugere um mercado dinâmico, com demanda distribuída entre imóveis de entrada e produtos voltados ao público de maior renda.
Para os próximos meses, o setor deve acompanhar de perto a trajetória da Selic, o apetite de compra e o nível de estoque disponível. A combinação desses fatores tende a definir o ritmo de lançamentos, a velocidade de absorção e a sustentação da valorização observada em 2026.
Fonte: UrbNews
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