Publicidade nas ruas
Por Admin
11 de março de 2026 às 10:00
A mídia exterior, conhecida como Out of Home (OOH), atravessa um período de expansão no Brasil puxado pela digitalização, pelo uso de dados e por formatos mais integrados ao cotidiano das cidades. A combinação entre presença no espaço urbano, criatividade e inteligência de audiência tem reposicionado o canal dentro do planejamento de marketing de marcas e agências.
Números do Painel Cenp-Meios indicam que o mercado publicitário brasileiro movimentou R$ 28,9 bilhões em 2025, alta de 10% na comparação com o ano anterior. Nesse cenário, o OOH aparece como o terceiro meio em volume de investimentos, com cerca de 12% de participação no total. O segmento somou faturamento de R$ 3,51 bilhões, reforçando o peso da mídia exterior na estratégia de comunicação no país.
O principal vetor dessa transformação é o Digital Out of Home (DOOH), que utiliza painéis e telas capazes de atualizar campanhas em tempo real. Na prática, a publicidade passa a operar com mais agilidade: anúncios podem ser ajustados por faixa de horário, localidade e perfil de público, aproximando o OOH das lógicas do ambiente digital.
Para o setor, a mudança não se limita à troca do impresso pelo digital. A promessa do DOOH está na possibilidade de planejar com maior precisão, mensurar resultados com mais segurança e integrar a mensagem exibida nas ruas a campanhas em redes sociais, mídia online e ações promocionais.
No Norte e Nordeste, a modernização do OOH tem sido acompanhada por movimentos de expansão de empresas do segmento. Com sede em Fortaleza (CE), o Grupo Urb intensificou investimentos em ativos digitais e ampliou presença para mais cinco capitais: Manaus (AM), Belém (PA), Teresina (PI), São Luís (MA) e Maceió (AL).
Segundo Anderson Rocha, diretor comercial do Grupo Urb, o avanço ocorre em resposta ao interesse de anunciantes por soluções mais conectadas à dinâmica urbana. Na avaliação do executivo, a digitalização tornou o OOH mais flexível e inteligente, ao permitir mudanças rápidas nas peças e maior aderência a contextos locais. Ele também aponta que capitais nordestinas têm se consolidado como mercados relevantes para o DOOH por fatores como circulação intensa, turismo e a agenda de eventos que movimenta a economia ao longo do ano.
O Grupo Urb informa estar presente em mais de 2.000 ativos digitais instalados em locais como terminais, avenidas, edifícios comerciais e residenciais, shoppings e aeroportos. No biênio 2024–2025, a empresa registrou 678 milhões de impactos, consolidando liderança regional no DOOH, com alcance concentrado em áreas de alta circulação.
A estratégia de expansão inclui também cidades do interior do Ceará. A instalação de novos ativos digitais em polos como Sobral e Juazeiro do Norte busca aproximar marcas de mercados regionais em crescimento e ampliar a cobertura das campanhas para além das capitais.
Com a evolução tecnológica, a publicidade nas ruas passa a ser tratada como parte de um ecossistema mais conectado e orientado por dados. Para Sabrina Guimarães, gerente de mídia da EBM Quintto Comunicação, o OOH vem sendo incorporado com mais força a estratégias multiplataforma. Ela destaca a combinação entre DOOH, compra programática, geolocalização, dados de mobilidade e recursos criativos como elementos que transformam a mídia exterior em uma plataforma dinâmica de comunicação urbana.
Na avaliação do mercado, esse conjunto de ferramentas eleva o papel do OOH: além de garantir visibilidade, o canal passa a contribuir para construção de presença de marca, reforço de mensagens digitais e criação de experiências no ambiente urbano, com potencial de impacto em larga escala.
Um dos diferenciais do DOOH em relação a outras mídias é a proximidade com a rotina das pessoas, já que a mensagem aparece durante deslocamentos, atividades de consumo e circulação por áreas estratégicas das cidades. Para anunciantes, a distribuição de pontos de contato pode aumentar a recorrência do impacto e ampliar o alcance da comunicação.
Ivan do Carmo, gerente de marketing do Colégio Santa Cecília, relata que a adoção de mídia exterior contribuiu para ampliar o público atingido e reforçar a presença da marca no dia a dia. Na leitura do executivo, a capilaridade do canal e a visibilidade em locais de grande fluxo são fatores que pesam na escolha do OOH no mix de mídia.
Para 2026, a expectativa do segmento é de continuidade na expansão do DOOH, impulsionada pela instalação de novas telas digitais e pela capacidade de veicular mensagens que mudam conforme contexto, localização e horário. A tendência é que esse movimento torne as campanhas mais dinâmicas e integradas ao planejamento digital.
Outra frente em crescimento é o uso de dados de mobilidade e métricas de audiência, que permitem mapear padrões de deslocamento e entender melhor o comportamento das pessoas nas cidades. Com essas informações, anunciantes e agências conseguem planejar com mais precisão, ajustar cobertura e avaliar resultados ao longo da jornada do consumidor.
Além disso, formatos criativos e ações interativas ganham espaço, apoiados por painéis de alta definição e integrações com redes sociais. A proposta é transformar a publicidade em parte da experiência urbana, conectando mensagens a contextos e eventos locais.
Com investimentos, expansão regional e maior integração com dados, o OOH reforça seu papel no mercado publicitário brasileiro. No Norte e Nordeste, a combinação de modernização das cidades e demanda por soluções digitais aponta para um ciclo de crescimento consistente do DOOH, especialmente em áreas de alto fluxo e relevância econômica.
Fonte: UrbNews