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Maranhão inaugura IEMA Quilombola em Alcântara, 1º do Brasil

Diferente de outras experiências, a iniciativa integra o currículo básico à qualificação técnica de forma indissociável, focando na inserção produtiva da juventude local

Por Admin

30 de março de 2026 às 14:07


Maranhão inaugura IEMA Quilombola em Alcântara, 1º do Brasil

O Maranhão deu um novo passo na educação pública ao inaugurar, nesta sexta-feira (27), o IEMA Pleno Quilombola de Alcântara, instalado na comunidade de Oitiua. A unidade marca um feito inédito no país: é o primeiro Centro de Ensino Médio em Tempo Integral com Educação Profissional e Tecnológica (EPT) estruturado dentro de um território quilombola.

A entrega foi acompanhada pelo governador Carlos Brandão, pela diretora-geral do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), Cricielle Muniz, e pelo prefeito de Alcântara, Nivaldo Araújo. Para o governo estadual, a iniciativa simboliza a ampliação do acesso a uma formação técnica de qualidade em uma região historicamente marcada por desafios de infraestrutura e por menor oferta de serviços públicos.

Unidade integra ensino médio e formação técnica

Diferentemente de modelos em que o ensino integral se limita à ampliação da carga horária, o IEMA Pleno Quilombola foi planejado para articular a base comum do ensino médio com a qualificação profissional de forma integrada. A proposta, segundo a gestão estadual, busca preparar os estudantes para trajetórias acadêmicas e também para oportunidades de trabalho e empreendedorismo.

A unidade inicia suas atividades com 80 estudantes matriculados. Dois cursos foram escolhidos para a etapa inicial: Agroecologia e Informática para Internet. A seleção, considerada estratégica, pretende atender tanto às vocações produtivas do território — ligadas à agricultura e ao manejo sustentável — quanto às exigências do mercado conectado à economia digital.

Estrutura completa em Oitiua

O prédio entregue em Oitiua conta com espaços voltados ao aprendizado e à convivência escolar. Entre os ambientes citados na inauguração estão laboratórios equipados, biblioteca, auditório e áreas destinadas a práticas esportivas.

A proposta pedagógica prevê que o uso de recursos tecnológicos caminhe junto ao reconhecimento dos saberes tradicionais e da identidade quilombola. A ideia é que a escola funcione como um ponto de formação contemporânea, sem romper o vínculo com a história e a cultura da comunidade.

Expansão do IEMA no Maranhão até 2026

A implantação do IEMA Pleno Quilombola de Alcântara faz parte do plano de ampliação da rede estadual de educação profissional. Entre 2023 e 2026, o número de unidades plenas do IEMA passou de 34 para 58, com presença em 44 municípios. A projeção do governo é chegar a 25 mil matrículas na rede.

A expansão tem sido apresentada como um dos principais eixos da política educacional do estado, especialmente pela interiorização da oferta de ensino técnico em tempo integral. A estratégia busca reduzir desigualdades regionais e aproximar os jovens de cursos alinhados às demandas locais.

Indicadores educacionais e evasão escolar

Ao comentar a ampliação da rede, a gestão estadual relaciona o investimento em ensino integral e técnico a resultados recentes. Entre os números divulgados estão o cumprimento da meta 4,5 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e a redução da evasão escolar para 0,31%.

Segundo o governo, os avanços são atribuídos à combinação de novas unidades, maior capilaridade do ensino profissionalizante e fortalecimento do diálogo com as comunidades atendidas. A leitura é que a escola, quando conectada ao território e ao projeto de vida do estudante, torna-se um fator de permanência e de perspectiva de futuro.

Identidade quilombola como base do projeto

Para a comunidade de Oitiua, a chegada do IEMA representa mais do que a abertura de um novo prédio escolar. A instalação da unidade dentro do território quilombola é apontada como uma resposta a um direito reivindicado historicamente: estudar com estrutura completa e oportunidade de formação técnica sem precisar se deslocar para outras regiões.

Durante a cerimônia, manifestações culturais como Tambor de Crioula e Capoeira reforçaram a centralidade da identidade quilombola no ambiente escolar. O recado do evento foi de que cultura e educação não são caminhos separados, mas elementos complementares para fortalecer pertencimento, autoestima e continuidade de tradições.

Com o novo IEMA, jovens como a estudante Dandara Cristina passam a ter a possibilidade de cursar o ensino médio integral perto de casa, com padrão considerado de excelência pela rede. Para o estado, a inauguração em Alcântara reafirma que os territórios quilombolas podem ser também espaços de ciência, inovação e desenvolvimento.

Com informações de O Imparcial.

Fonte: UrbNews



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