Educação digital
Por Admin
13 de março de 2026 às 12:56
O Maranhão ampliou de forma significativa o acesso à internet nas escolas públicas de educação básica ao longo da última década. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que 84,8% das instituições estaduais e municipais que oferecem educação infantil, ensino fundamental e ensino médio já contam com conexão, um salto expressivo em comparação com 2015, quando o índice era de 21,6%.
No recorte nacional, a conectividade nas escolas públicas chegou a 93,1% em 2025. Apesar de ainda estar abaixo da média do país, o Maranhão apresentou um dos movimentos mais intensos de expansão, especialmente fora dos centros urbanos.
A diferença entre áreas urbanas e rurais permaneceu, mas o avanço no interior foi o principal destaque da série histórica. Nas escolas localizadas em áreas urbanas, a proporção de unidades com internet passou de 55,6% em 2015 para 97,5% em 2025, resultado que aproxima o estado de uma cobertura praticamente total nas cidades.
Já nas áreas rurais, a evolução foi ainda mais acelerada. O acesso à rede saltou de 9,4% para 78,9% no mesmo período, indicando uma expansão de grande escala para territórios com desafios maiores de infraestrutura.
Os números reforçam a mudança de patamar na presença de conectividade no cotidiano das escolas, fator considerado estratégico para ampliar oportunidades de aprendizagem, gestão escolar e acesso a conteúdos digitais.
O avanço da internet não se restringiu ao recorte territorial. O Censo Escolar 2025 também aponta crescimento relevante em redes e modalidades específicas, como escolas quilombolas e unidades voltadas à educação especial.
Nas escolas quilombolas, o acesso à internet aumentou de 11,7% em 2015 para 84,3% em 2025, uma elevação que evidencia a chegada de conectividade a comunidades historicamente afetadas por barreiras de acesso a serviços e infraestrutura.
Entre as instituições de educação especial, o percentual de escolas conectadas avançou de 40,9% para 92,2% ao longo da década, aproximando esse grupo da universalização do serviço.
Além de medir se a escola possui internet, os dados também permitem observar a evolução do uso da conectividade com foco direto em atividades de ensino e aprendizagem. No Maranhão, o percentual de escolas públicas com internet destinada especificamente a fins pedagógicos subiu de 7,7% em 2019 para 47,9% em 2025.
No mesmo intervalo, também cresceu a disponibilidade de equipamentos para estudantes. A parcela de escolas com computadores para uso dos alunos (como desktops e laptops) passou de 23,9% para 47,1%, indicando uma ampliação do parque tecnológico nas unidades de ensino.
Especialistas e gestores educacionais apontam que a presença de internet, por si só, não garante impacto pedagógico. Conexão estável, rede interna adequada e dispositivos disponíveis tendem a ser decisivos para integrar tecnologia ao currículo e às rotinas de sala de aula.
Os resultados estão alinhados a políticas públicas voltadas à conectividade escolar. Em setembro de 2023, o governo federal lançou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), que reúne iniciativas para ampliar o acesso à internet de qualidade, fortalecer a infraestrutura elétrica e melhorar a rede interna das escolas, incluindo Wi-Fi.
Entre 2023 e 2025, aproximadamente R$ 3 bilhões foram direcionados a projetos de conectividade em redes estaduais e municipais, em cooperação com governos estaduais e prefeituras.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que a meta é fazer com que a tecnologia seja efetivamente incorporada ao processo de aprendizagem. Segundo ele, há um esforço para que a conectividade chegue às escolas com finalidade educacional, como apoio ao trabalho docente e ao desenvolvimento dos alunos.
O ministro também ressaltou que o Censo Escolar registra a conectividade de forma ampla, o que pode incluir situações em que o acesso está restrito a setores administrativos. Por essa razão, o governo federal passou a adotar métricas específicas para acompanhar a disponibilidade de internet em condições adequadas para uso em sala.
O Censo Escolar é a principal pesquisa estatística da educação básica brasileira e é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O levantamento reúne informações de cerca de 178,8 mil escolas em todo o país.
Os dados referentes a 2025 foram divulgados em 26 de fevereiro de 2026. As informações subsidiam a formulação, o monitoramento e a avaliação de políticas educacionais, além de orientar programas do Ministério da Educação em parceria com estados e municípios.
O Censo também é utilizado para o cálculo de indicadores e para a distribuição de recursos. Entre os efeitos práticos, os resultados impactam referências como o Ideb e ajudam a direcionar repasses federais, incluindo recursos do Fundeb.
Além do Censo Escolar, o Ministério da Educação utiliza o Indicador Escolas Conectadas (INEC). A ferramenta busca medir se a conexão disponível tem qualidade suficiente para fins pedagógicos, levando em conta critérios como velocidade, presença de Wi-Fi, rede interna e compatibilidade da infraestrutura elétrica.
Com a combinação desses instrumentos, o poder público pretende acompanhar não apenas a presença de internet nas escolas, mas também se ela atende às condições necessárias para apoiar atividades educacionais no dia a dia.
Informações do jornal O Imparcial, com base em dados do Inep/MEC.
Fonte: UrbNews
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