Educação no Maranhão
Por Admin
11 de março de 2026 às 12:13
Um levantamento com cerca de 50 mil respostas de estudantes maranhenses dos Anos Finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) indica que as disciplinas consideradas “tradicionais” seguem como a principal referência de aprendizado, embora conteúdos ligados a esporte, tecnologia e atividades práticas ganhem espaço quando os alunos imaginam a escola do futuro.
A consulta foi realizada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Itaú Social, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime). Os dados refletem percepções de adolescentes sobre o que é mais importante para seu desenvolvimento e quais formatos de ensino funcionam melhor.
Entre estudantes do 6º e 7º ano, 53% apontaram língua portuguesa, matemática, ciências humanas e ciências da natureza como os conteúdos mais relevantes para a própria formação. O resultado mostra que, nessa etapa, a base curricular ainda é vista como central para aprender e avançar na trajetória escolar.
Na mesma faixa, temas relacionados a esportes e bem-estar aparecem logo em seguida, citados por 35% dos participantes. Artes e cultura também se destacam, com 30% de menções, indicando interesse por componentes que dialogam com expressão, identidade e repertório cultural.
Quando a pergunta muda para o que deveria ser prioridade em uma “escola do futuro”, o cenário fica mais equilibrado e abre espaço para metodologias e linguagens contemporâneas. Entre alunos do 6º e 7º ano, práticas esportivas e atividades com tecnologia e mídias digitais aparecem empatadas, com 38% cada.
Logo depois, 36% dizem preferir aulas práticas, com projetos mão na massa. O dado sugere que parte significativa dos estudantes quer aprender com experiências concretas, resolução de problemas e participação ativa — e não apenas com exposição teórica.
Nos anos finais (8º e 9º), a preferência pelos componentes mais tradicionais cai para 45%. Ainda assim, o grupo mantém esses conteúdos como referência importante, mesmo com a ampliação de interesses ao longo da adolescência.
Esportes e bem-estar continuam com peso semelhante ao observado entre os mais novos, também com 35% de indicações. Já os temas ligados a tecnologia e mídias digitais aparecem com 26% de interesse, percentual igual ao registrado por artes e cultura nessa etapa.
Ao projetar o que seria essencial em uma escola mais conectada às necessidades atuais, estudantes do 8º e 9º ano colocam a tecnologia na frente: 39% valorizam atividades com mídias digitais e recursos tecnológicos. Em seguida, 37% destacam práticas esportivas.
As aulas práticas com projetos mão na massa também têm relevância para esse grupo, com 33% das respostas. O conjunto aponta para uma demanda por aprendizagem aplicada, com mais contato com ferramentas contemporâneas, movimento e experimentação.
O levantamento também perguntou como os estudantes acreditam aprender melhor. Entre os alunos do 6º e 7º ano, a leitura aparece como a estratégia mais citada (33%). Trabalhos em grupo vêm logo atrás (32%), seguidos por visitas, passeios e atividades fora da escola (30%).
Já no 8º e 9º ano, cresce o interesse por experiências externas: visitas, passeios e trabalhos fora da escola sobem para 36%. Ao mesmo tempo, trabalhos em grupo caem para 28%, sugerindo mudanças na dinâmica de aprendizagem percebida pelos adolescentes conforme avançam na etapa.
Entre os mais velhos, também ganha destaque a procura por aulas de reforço para enfrentar dificuldades específicas, apontada por 26% dos estudantes. O dado pode indicar maior consciência sobre lacunas de aprendizagem e necessidade de apoio direcionado.
Para a superintendente do Itaú Social, Patrícia Mota Guedes, os resultados reforçam a importância de ouvir adolescentes na formulação de estratégias para a educação básica. Segundo ela, as respostas funcionam como um alerta para que as escolas estejam alinhadas às demandas reais dos estudantes e ao contexto local.
Na prática, os números indicam um duplo movimento: a valorização do núcleo acadêmico tradicional segue forte, mas os estudantes também querem uma escola com mais tecnologia, atividades físicas, projetos práticos e experiências de aprendizagem fora do ambiente da sala de aula.
As informações são do jornal O Imparcial.
Fonte: UrbNews