Negócios e mulheres
Por Admin
09 de março de 2026 às 14:07
O empreendedorismo feminino ganha cada vez mais espaço no Maranhão e já redefine o perfil dos pequenos negócios no estado. Levantamento da Unidade de Inteligência de Dados do Sebrae aponta que o número de empresas comandadas por mulheres passou de 118.360 em 2024 para 145.367 em 2026, uma alta acumulada de quase 23% no período.
Além do crescimento em números absolutos, a participação feminina no universo de empreendimentos formais também avança. Em 2020, mulheres estavam à frente de 37% dos negócios formalizados. Em 2026, esse índice supera 41%, indicando maior presença delas na economia local e na geração de renda.
O salto recente está diretamente ligado à expansão do Microempreendedor Individual (MEI). Entre 2024 e 2025, o Maranhão ganhou mais de 21 mil novos empreendimentos femininos, e 63% dessas aberturas ocorreram no formato MEI.
Os dados também mostram mudança na composição do mercado feminino por porte. Enquanto as microempresas (ME) reduziram sua participação relativa de 55,3% para 50,5%, as MEIs avançaram de 36,1% para 41,4%.
Na leitura do Sebrae, esse movimento sinaliza que a força do empreendedorismo maranhense está na base: negócios menores, com maior agilidade para formalizar e iniciar operações, têm liderado o ritmo de expansão.
O “mapa dos negócios” apresentado no estudo indica diversificação nas áreas escolhidas por mulheres, com comportamentos distintos conforme o porte da empresa.
No recorte do MEI, a maior concentração aparece em Moda (vestuário e acessórios) e Beleza. Somadas, essas atividades reúnem mais de 14 mil negócios.
Ao mesmo tempo, segmentos ligados a serviços e conhecimento aceleram de forma expressiva. Os setores de Ensino e Publicidade registram expansão acima de 55%, indicando maior presença feminina em atividades intelectuais e prestação de serviços especializados.
Entre as microempresas (ME), o destaque vai para Saúde e Bem-Estar, especialmente em serviços de atenção ambulatorial e atuação de cuidadores. Outro dado que chama atenção é o avanço do segmento de Representantes Comerciais, com crescimento de 71,4%.
Já nas empresas de pequeno porte (EPP), o ritmo de expansão é liderado pelo setor Jurídico, com alta de 37,2%, apontando consolidação de negócios mais estruturados e com maior complexidade operacional.
Para a diretora de Administração e Finanças do Sebrae Maranhão, Édila Neves, o avanço é reflexo de uma decisão cada vez mais presente: mulheres buscam autonomia e protagonismo por meio do próprio negócio.
Segundo ela, as ações da instituição têm foco em melhorar o posicionamento no mercado, apoiar gestão, ampliar acesso a crédito e estimular redes colaborativas — pontos considerados estratégicos para sustentabilidade e crescimento.
A coordenadora de Empreendedorismo Feminino do Sebrae, Reijane Almeida, destaca resultados em iniciativas de reconhecimento e estímulo. Em 2025, o Maranhão conquistou dois ouros nacionais no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios: Vilena Silva, de São Luís, na categoria Ciência e Tecnologia, e Camila Policarpo, de Imperatriz, na categoria MEI.
Para 2026, a atenção se volta ao programa Sebrae Delas, que oferece trilhas personalizadas de desenvolvimento para empreendedoras em diferentes regiões do estado.
A expansão dos indicadores convive com obstáculos enfrentados no dia a dia por quem empreende. A arquiteta Letície Ayres, participante do Sebrae Delas, está há nove anos à frente de um escritório de arquitetura e interiores e soma 17 anos de atuação na área. Ela relata que, em um mercado competitivo, ainda existe resistência de parte de clientes em reconhecer decisões técnicas quando a liderança é feminina, o que pode afetar a condução de obras.
Letície também aponta sobrecarga e a necessidade constante de equilibrar vida pessoal e profissional. Para avançar, ela aposta em qualificação, posicionamento no mercado, gestão do tempo e delegação de tarefas, além de fortalecer conexões profissionais.
À frente da Dejour Indústria de Alimentos há cinco anos, Jussara Gaspar descreve um cenário marcado por problemas estruturais, logística complexa, burocracia e dificuldades no acesso ao crédito. Para ela, a chamada dupla jornada, comum a muitas mulheres, pesa no cotidiano, mas não tem sido motivo para desistir.
Como estratégia, Jussara investe em capacitação, participa de entidades associativas, busca networking e reforça o apoio de outras mulheres e de parceiros institucionais. Ela resume a experiência com uma característica que considera decisiva: persistência diante das adversidades.
Já Priscila Pires, da Ótica Pietros, atua há mais de uma década no segmento de saúde ocular e também integra o programa Delas. Ela conta que decidiu empreender após perceber demanda elevada e lacunas na qualidade do atendimento oferecido ao público. Entre as barreiras, cita a dificuldade para firmar parcerias de maior porte com fornecedores, desafio que tenta superar com treinamento, capacitação e foco em experiência do cliente.
As três histórias convergem em pontos comuns: a importância de aprimorar gestão e conhecimento técnico, manter qualidade e construir redes de apoio. Para elas, a combinação entre excelência, preparo e colaboração tem sido essencial para sustentar o crescimento e transformar o negócio em projeto de longo prazo.
Com informações de O Imparcial.
Fonte: UrbNews