Alerta de saúde
Por REDAÇÃO
21 de julho de 2026 às 15:02 ▪ Atualizado há 1 hora
O estado de São Paulo contabilizou 13 casos de sarampo em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP). Os registros envolvem bebês com até 1 ano de idade e também adultos entre 20 e 50 anos, perfil que reforça o alerta para a necessidade de manter o esquema vacinal atualizado em todas as faixas etárias.
Diante do cenário epidemiológico, a SES-SP passou a recomendar, desde junho, a chamada “dose zero” da vacina tríplice viral — que protege contra sarampo, rubéola e caxumba — para crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias. A orientação vale para moradores dos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.
A “dose zero” é uma aplicação antecipada da tríplice viral, feita antes do início do esquema rotineiro. Na prática, ela ocorre cerca de seis meses antes da primeira dose prevista em condições habituais, que é administrada aos 12 meses de idade.
A medida busca ampliar a proteção no primeiro ano de vida, período em que o bebê pode estar mais vulnerável ao vírus. A SES-SP destaca que a recomendação está relacionada ao contexto epidemiológico atual e tem o objetivo de reduzir o risco de adoecimento nessa faixa etária.
Apesar do adiantamento, a secretaria enfatiza que essa aplicação extra não substitui as etapas do Calendário Nacional de Vacinação. Ou seja: mesmo quem receber a dose zero precisa completar o esquema normalmente.
Após receber a “dose zero”, a criança deve seguir o cronograma de rotina. A orientação da SES-SP é manter:
• 1ª dose da tríplice viral aos 12 meses;
• 2ª dose, preferencialmente com a tetraviral (sarampo, rubéola, caxumba e catapora), aos 15 meses.
A recomendação também vale como alerta para famílias que estejam com a caderneta incompleta. Crianças maiores, adolescentes e adultos que não receberam as doses indicadas devem procurar a unidade de saúde mais próxima para checar o histórico e atualizar a vacinação.
A SES-SP tem reforçado que o sarampo não é uma doença restrita à infância e pode atingir diferentes grupos etários, como mostram os casos confirmados em adultos. Por isso, manter a imunização em dia é considerado essencial tanto para a proteção individual quanto para interromper a transmissão.
De acordo com a diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), Tatiana Lang, a vacinação segue como a estratégia mais segura e eficaz para evitar novos adoecimentos com o aumento de registros. A orientação é que pais e responsáveis confiram a caderneta das crianças e que adolescentes e adultos busquem o serviço de saúde sempre que houver dúvidas sobre o esquema vacinal.
Para quem quer se informar sobre imunização, a população pode consultar o portal vacina100duvidas.sp.gov.br, que reúne respostas sobre eficácia, eventos adversos, doenças preveníveis por vacina e os riscos da baixa adesão.
Uma característica que torna o sarampo altamente contagioso é a capacidade do vírus de permanecer no ambiente. As partículas infectantes podem ficar suspensas no ar em forma de aerossol, o que aumenta a chance de transmissão em locais fechados ou com circulação de pessoas.
Especialistas lembram que, quando a cobertura vacinal diminui, o sarampo costuma ser uma das primeiras doenças a reaparecer, justamente por se disseminar rapidamente entre pessoas não imunizadas.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, avalia que o Brasil já alcançou a eliminação do sarampo em 2016 e, novamente, em 2024. Ainda assim, ele ressalta que isso não impede a ocorrência de casos importados e de transmissões secundárias, sobretudo em um contexto de surtos em outros países das Américas, como Estados Unidos, Canadá, México e Guatemala.
Segundo o especialista, a possibilidade de reintrodução do vírus exige reforço de dois eixos: vacinação e vigilância epidemiológica. A recomendação é manter coberturas elevadas, idealmente acima de 95%, com as duas doses previstas, para reduzir brechas que permitam a circulação sustentada do sarampo.
A vigilância, por sua vez, é apontada como decisiva para identificar rapidamente suspeitas, rastrear contatos e adotar medidas de contenção, como a vacinação de bloqueio. O objetivo é evitar que ocorrências isoladas evoluam para surtos com transmissão contínua.
Com a confirmação de casos em 2026 e a ampliação temporária da vacinação para bebês em cidades estratégicas, a orientação das autoridades é clara: conferir a situação vacinal e buscar a atualização o quanto antes é a forma mais eficaz de proteção.
Fonte: Agência Brasil
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