Direitos e cidadania
Por REDAÇÃO
26 de julho de 2026 às 18:13 ▪ Atualizado há 1 hora
O calor e o céu aberto do período de seca no Distrito Federal acentuaram o clima de celebração na Esplanada dos Ministérios neste domingo (26), durante a Parada Brasília Orgulho. Entre bandeiras coloridas, fantasias, maquiagem e adereços que se multiplicavam pelo público, o recado era de visibilidade e afirmação: a população LGBT+ ocupa o espaço público, exige respeito e reafirma o direito de amar.
Em sua 27ª edição, o evento reuniu diversão, discursos e mobilização política, reforçando que a parada também funciona como uma plataforma de reivindicação por direitos e enfrentamento à violência motivada por preconceito.
A estilista e performer maranhense Havenna Wandelookx acompanha a parada em Brasília há 16 anos, o mesmo período em que vive na capital. Para ela, o encontro combina expressão cultural e responsabilidade coletiva.
Segundo Havenna, a celebração não se limita ao brilho e à performance. Ela defende que a presença nas ruas também carrega o compromisso de conscientizar e mostrar que a vivência LGBT+ pode ser positiva, apesar do ódio e da discriminação que ainda atingem a comunidade.
Do lado da organização, Richard Alexandre, um dos responsáveis pela Parada Brasília Orgulho, reforçou que a energia de festa não apaga o caráter de reivindicação. Na avaliação dele, o evento ocupa a cidade para mostrar que a comunidade existe, cobra dignidade e quer ser tratada com respeito.
Além da programação musical e das falas no carro de som, a estrutura montada na Esplanada incluiu tendas com serviços voltados à população. Entre as ações, houve atendimento de enfermagem e orientação para encaminhamentos básicos de saúde.
Também foi disponibilizado suporte da Polícia Civil para o registro e a orientação de denúncias relacionadas à LGBTfobia. Outra frente de atendimento foi realizada pela Defensoria Pública, com esclarecimentos sobre procedimentos para inclusão do nome social em documentos, tema recorrente para pessoas trans e travestis que buscam assegurar o reconhecimento da identidade.
A 27ª Parada do Orgulho LGBT+ de Brasília teve concentração em frente ao Congresso Nacional, um cenário simbólico para o tema escolhido neste ano: “LGBT, levante e vote”. A proposta da campanha é incentivar a participação eleitoral e estimular escolhas nas urnas alinhadas à defesa de direitos e garantias para todos.
Richard Alexandre explicou que o objetivo é ampliar a representação política de pessoas comprometidas com a pauta LGBT+. Para ele, a comunidade precisa de parlamentares que compreendam as demandas do movimento, atuem na proteção da população e utilizem o arcabouço legal para combater violações e discriminação.
O coordenador da Parada Brasília Orgulho, Welton Trindade, avaliou que houve mudanças importantes desde o surgimento da manifestação na capital. Ele lembrou que a parada começou em 1998, quando não havia representantes LGBT+ ocupando cadeiras nos poderes.
Hoje, segundo Welton, é possível observar um aumento no número de pessoas LGBT+ eleitas, um avanço que, na visão da organização, precisa ser consolidado com participação contínua e voto consciente. A mensagem central do ato é conectar presença nas ruas com ação nas urnas, destacando que conquistas políticas dependem de mobilização e representação.
Enquanto a Esplanada era tomada por música e pronunciamentos, a militante Sueli Oliveira, de 67 anos, acompanhava o evento enrolada em uma bandeira do Brasil com as cores do arco-íris. Frequentadora de marchas em Brasília e também em São Paulo, ela se descreve como uma participante constante dessas mobilizações.
Lésbica e integrante do movimento, Sueli defendeu que atos públicos são essenciais para dar visibilidade à existência da comunidade e às demandas por direitos. Para ela, a participação política deve ser dupla: ocupar espaços coletivos e, ao mesmo tempo, utilizar o voto como instrumento de enfrentamento ao preconceito, ao ódio e à LGBTfobia.
Na avaliação da militante, a parada se torna um momento estratégico para lembrar que cidadania inclui o direito de estar em espaços públicos, de votar e de viver afetos sem medo. Em meio ao clima de celebração, a mensagem reforçada ao longo do evento foi a de que a busca por igualdade e dignidade segue como prioridade.
Fonte: Agência Brasil
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