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Lula critica tarifas dos EUA em artigo no Washington Post e cita viés político

O jornal norte-americano The Washington Post publicou neste domingo (26) um artigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com críticas à política tarifária do governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Em seu artigo, Lula rebateu os argumentos que

Por REDAÇÃO

26 de julho de 2026 às 12:28 ▪ Atualizado há 4 horas


Lula critica tarifas dos EUA em artigo no Washington Post e cita viés político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post com críticas à política tarifária adotada pelo governo dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O texto, divulgado em português e também replicado nas redes sociais do presidente, contesta os argumentos usados por Washington para justificar as sobretaxas e afirma que a decisão pode trazer efeitos negativos para a economia norte-americana.

No artigo, Lula sustenta que o Brasil não aceitará ser alvo de acusações falsas e aponta um componente ideológico por trás das medidas. Segundo ele, a iniciativa teria o objetivo de influenciar a política interna brasileira e o processo eleitoral deste ano.

Lula fala em tentativa de interferência e rebate acusações

Ao abordar o ambiente diplomático recente, Lula criticou o que classificou como uso político da relação bilateral. Ele argumenta que a parceria entre Brasil e Estados Unidos não deve ser “instrumentalizada” por disputas eleitorais e disse que a cooperação entre os países precisa se basear em respeito mútuo.

O presidente mencionou declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que no início de junho retirou o Brasil do grupo de países considerados “amigáveis” a Washington na América Latina. Para Lula, a fala representa uma mudança de tom incomum e reforça a leitura de que há motivação ideológica na condução do tema.

Governo brasileiro diz que EUA têm superávit na relação comercial

No texto, Lula reiterou a principal linha de defesa adotada pelo governo brasileiro desde o início da escalada tarifária, em abril de 2025: o comércio bilateral é favorável aos Estados Unidos. A avaliação do Planalto é que a imposição de tarifas não se sustenta do ponto de vista econômico, já que os norte-americanos registram superávit nas trocas com o Brasil.

O presidente também sinalizou que, caso a política de sobretaxas seja mantida, empresas brasileiras poderão reconfigurar suas cadeias de fornecimento. A mensagem é que, no médio prazo, o Brasil tende a buscar alternativas no mercado internacional e substituir fornecedores norte-americanos por parceiros de outros países.

Quais produtos do Brasil foram atingidos pela sobretaxa dos EUA

A nova rodada de tarifas ganhou força após decisão anunciada em 15 de julho pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O órgão determinou uma sobretaxa de 25% sobre uma lista de itens exportados pelo Brasil.

Entre os segmentos afetados estão ferro e aço, vestuário e calçados, além de açúcar e etanol. A lista inclui ainda produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas fora do setor de aviação e outros bens manufaturados.

Ao justificar a medida, o USTR alegou que determinadas práticas do Brasil seriam inadequadas e teriam o efeito de tornar mais oneroso ou de restringir o comércio para agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores norte-americanos.

Presidente chama tarifa de “erro estratégico” e prevê alta de preços nos EUA

No artigo publicado pelo Washington Post, Lula refutou a justificativa do USTR e classificou as novas tarifas como injustas e contraproducentes. A argumentação do presidente é que a medida pode desorganizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos.

Lula citou a dependência de setores industriais dos EUA em relação a insumos vindos do Brasil. Na avaliação apresentada no texto, a consequência tende a ser o encarecimento de uma série de produtos no mercado dos Estados Unidos, incluindo itens como alimentos, calçados, têxteis, móveis e autopeças.

Desmatamento, redes sociais e Pix entram no debate bilateral

Além do comércio, Lula usou o artigo para defender políticas brasileiras que já foram alvo de críticas do governo norte-americano em momentos recentes. Ele mencionou ações de combate ao desmatamento, a legislação voltada ao enfrentamento de crimes cometidos nas redes sociais e o Pix, sistema de pagamentos instantâneos amplamente utilizado no Brasil.

O presidente sustenta que o país atua dentro de sua soberania ao estabelecer regras para o ambiente digital, ao implementar políticas ambientais e ao desenvolver soluções financeiras domésticas. A mensagem central é que esses temas não deveriam ser tratados como justificativa para medidas comerciais punitivas.

Brasil diz manter disposição para diálogo e defende reciprocidade

Apesar do tom crítico, Lula encerrou o texto reforçando que o Brasil mantém a disposição de negociar. Ele destacou que o país respeita a soberania de outras nações e espera o mesmo tratamento, defendendo a reciprocidade como princípio básico da política internacional.

Segundo o presidente, existem mecanismos apropriados para garantir esse equilíbrio nas relações entre Estados. A publicação no principal jornal norte-americano ocorre em meio à escalada de tensão comercial e à busca do governo brasileiro por alternativas para reduzir impactos sobre exportadores atingidos pelas tarifas.

Fonte: Agência Brasil



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