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Lula e Xi discutem acordo Mercosul-China e cooperação em tecnologia

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da China, Xi Jinping, conversaram na noite de domingo (26) por mais de uma hora, em ligação telefônica. Além de tratarem da integração dos projetos nacionais de desenvolvimento, os líderes também

Por REDAÇÃO

27 de julho de 2026 às 10:16 ▪ Atualizado há 5 horas


Lula e Xi discutem acordo Mercosul-China e cooperação em tecnologia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da China, Xi Jinping, conversaram por telefone na noite de domingo (26) por mais de uma hora. Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), a ligação abordou desde iniciativas de desenvolvimento econômico até temas sensíveis da agenda internacional, com destaque para comércio, tecnologia e conflitos em andamento.

Integração de projetos e negociação comercial

De acordo com a Secom, Lula e Xi trataram da aproximação entre projetos nacionais voltados ao desenvolvimento dos dois países. No campo econômico, os líderes discutiram a formalização de uma zona de livre comércio envolvendo Brasil e China, em meio a um cenário de aumento das disputas comerciais no mundo.

O comunicado também informa que houve convergência sobre a necessidade de acelerar conversas para um acordo entre o Mercosul e a China. A ideia, conforme registrado na nota, é avançar em um entendimento que considere “flexibilidades” consideradas necessárias durante as tratativas, respeitando as particularidades do bloco sul-americano e os interesses chineses.

Alta tecnologia, minerais críticos e fertilizantes

A ampliação de parcerias em áreas estratégicas apareceu como um dos pontos centrais da conversa. Segundo a Secom, os presidentes enfatizaram a importância de fortalecer a cooperação em setores de alta tecnologia e com impacto direto sobre a competitividade industrial.

Entre os temas mencionados estão inteligência artificial, satélites e o beneficiamento de minerais críticos — insumos considerados essenciais para cadeias produtivas modernas, incluindo transição energética e eletrificação. O comércio de fertilizantes, relevante para a produção agrícola brasileira e para a segurança alimentar, também foi citado no balanço da conversa.

Comércio bilateral e medidas já em vigor

O diálogo incluiu uma avaliação positiva do intercâmbio comercial entre Brasil e China, descrito como favorável pelas duas partes. Além disso, Lula e Xi teriam revisado ações bilaterais em andamento e apontado resultados considerados concretos.

Um exemplo citado pela Secom é a política de isenção de visto para viagens de curta duração, que está em vigor nos dois países desde maio deste ano. A medida é vista como instrumento para facilitar deslocamentos e aumentar o fluxo de visitantes, contribuindo para negócios, turismo e intercâmbio institucional.

Outro eixo mencionado envolve iniciativas para aproximar as sociedades brasileira e chinesa. Conforme o comunicado, os líderes falaram sobre agendas voltadas à ampliação do conhecimento mútuo entre os povos, previstas no contexto das celebrações do Ano Cultural Brasil-China 2026.

Conflitos globais, Gaza e impactos humanitários

A conversa também abordou o ambiente internacional e os efeitos dos conflitos sobre a vida cotidiana, especialmente em temas como segurança alimentar e energética. Segundo a Secom, os dois presidentes apontaram esses desafios como parte central da atual agenda global.

O comunicado afirma que Lula e Xi manifestaram “profunda preocupação” com a continuidade da crise humanitária em Gaza. A menção reforça a tendência do governo brasileiro de tratar o tema em fóruns multilaterais e em interlocuções com líderes de diferentes regiões.

Ormuz e Bab el-Mandeb: preocupação com rotas marítimas

Outro ponto destacado foi a avaliação conjunta de que restrições à livre navegação em rotas estratégicas — como os estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb — podem gerar efeitos negativos para a economia global. Esses corredores são considerados vitais para o comércio internacional e para o transporte de energia, o que amplia a preocupação com instabilidade e custos logísticos.

Ao sinalizar o tema, Brasil e China indicam atenção a impactos indiretos, como elevação de preços, incerteza em cadeias de suprimentos e aumento de riscos para a atividade econômica em diferentes regiões.

Guerra na Ucrânia e a atuação do Grupo de Amigos da Paz

Na pauta internacional, Lula e Xi também mencionaram a relevância do Grupo de Amigos da Paz, iniciativa diplomática vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e liderada por Brasil e China. Segundo a Secom, o objetivo do grupo é estimular saídas negociadas para conflitos, com foco no diálogo entre países do Sul Global.

De acordo com a nota, os líderes apontaram esse mecanismo como importante para buscar uma solução pacífica para a Guerra na Ucrânia, em um momento de impasses e divergências entre atores internacionais sobre caminhos de mediação.

Críticas ao Conselho de Segurança e defesa do multilateralismo

A Secom afirma que Lula e Xi criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em responder de forma considerada adequada às crises internacionais. Ainda assim, os presidentes teriam reafirmado compromisso com a defesa do multilateralismo e a intenção de coordenar posições em fóruns internacionais.

Na prática, isso indica a disposição dos dois países em manter interlocução frequente sobre temas globais, combinando interesses econômicos — como comércio e tecnologia — com uma agenda diplomática voltada a segurança internacional e gestão de crises.

A íntegra do conteúdo divulgado pelo governo brasileiro não detalha prazos para negociações comerciais nem cronogramas específicos para novas iniciativas, mas a conversa reforça a prioridade atribuída por Brasília à relação com Pequim, especialmente em áreas estratégicas e em discussões no âmbito multilateral.

Fonte: Agência Brasil



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