Olho no Brasil

Economia

Defesa nacional

Lula defende investimentos nas Forças Armadas em visita à Avibras

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu nesta sexta-feira (24) o investimento nas Forças Armadas do país, no preparo dos militares e no fortalecimento da defesa nacional. “Quero ela [Forças Armadas] bem preparada do ponto de vi

Por REDAÇÃO

24 de julho de 2026 às 18:58 ▪ Atualizado há 1 hora


Lula defende investimentos nas Forças Armadas em visita à Avibras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (24) que o Brasil precisa ampliar investimentos nas Forças Armadas, com foco em capacitação de pessoal e fortalecimento da defesa nacional. Segundo ele, o país deve manter uma postura de paz, mas com preparação suficiente para proteger sua soberania e evitar interferências externas.

A declaração foi feita durante visita a uma unidade industrial da Avibras Aeroco, em Jacareí, no interior de São Paulo. A empresa atua no desenvolvimento e na produção de sistemas voltados às áreas de defesa e espacial, com aplicação também no setor civil.

Presidente defende preparo militar e modernização

Ao comentar o papel das Forças Armadas, Lula defendeu que a estrutura militar esteja pronta tanto em termos de poder operacional quanto de domínio científico e tecnológico. Na avaliação do presidente, esse conjunto de fatores é essencial para que o país exerça sua autonomia com segurança e sem adotar postura agressiva.

O chefe do Executivo também citou características geográficas do Brasil para justificar a necessidade de uma estratégia consistente de defesa. Ele lembrou a extensão territorial brasileira e a posição no continente sul-americano, onde o país mantém fronteiras terrestres com a maioria das nações vizinhas.

Para Lula, a combinação entre dimensão do território e responsabilidades de vigilância exige planejamento permanente, investimentos e uma política de defesa nacional alinhada à realidade do país.

Visita à Avibras ocorre após retomada das operações

O evento ocorreu nas instalações da Avibras Aeroco, companhia brasileira privada de engenharia conhecida por projetos ligados a sistemas de defesa e ao segmento espacial. A empresa, com mais de cinco décadas de atuação, reabriu as portas em março deste ano, após um período de paralisação e instabilidade.

Entre os produtos desenvolvidos, estão soluções ligadas a sistemas de mísseis e foguetes, veículos especiais e lançadores espaciais para uso civil. A companhia também é associada ao desenvolvimento de tecnologias de propulsão, com motores-foguete destinados a demandas da Marinha e da Força Aérea Brasileira, além de projetos de veículos blindados.

A presença do presidente na fábrica reforça a relação entre indústria nacional de defesa e políticas públicas voltadas à modernização tecnológica, tema que costuma envolver não apenas o setor militar, mas também cadeias produtivas de alto valor agregado.

Crise financeira, greve prolongada e recuperação judicial

A Avibras enfrentou uma crise que se prolongou por anos e incluiu uma greve de 1.280 dias. O cenário foi agravado por dificuldades financeiras que levaram a empresa a entrar com pedido de recuperação judicial.

O processo foi apresentado em março de 2022, quando a Avibras informou dívidas da ordem de R$ 600 milhões. Naquele mesmo período, a companhia anunciou 420 demissões. As dispensas, no entanto, foram suspensas pela Justiça cerca de um mês depois, após ação proposta pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

Com a continuidade das disputas e a busca por reorganização, a fábrica acabou retomando atividades sob nova direção. A reestruturação passou por mudanças no controle societário, dentro do contexto do processo judicial e de negociações com credores.

Mudança no controle e nova direção na fábrica

A troca de comando foi consolidada posteriormente por decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Em 25 de julho de 2025, o ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite foi destituído, e a Justiça homologou a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, apontado como credor da Avibras.

Com a reorganização, a companhia passou a operar sob nova administração, em um momento no qual o debate sobre indústria de defesa, geração de empregos qualificados e inovação tecnológica voltou a ganhar destaque na agenda pública.

Indústria de defesa e soberania em debate

As falas de Lula em Jacareí ocorrem em um contexto em que a capacidade de produzir tecnologia estratégica no país é vista como elemento central para a soberania nacional. O setor de defesa costuma envolver projetos de longo prazo e alta complexidade, que dependem de pesquisa, desenvolvimento, mão de obra especializada e continuidade de investimentos.

Ao associar o preparo militar à ciência e à tecnologia, o presidente reforçou uma visão de defesa conectada à inovação e à capacidade industrial. Para além do aspecto militar, esse tipo de política pode impactar cadeias produtivas, centros de pesquisa e segmentos associados à indústria espacial.

A visita à Avibras, portanto, reuniu dois eixos: a defesa do fortalecimento das Forças Armadas e a sinalização de apoio a uma empresa que busca se reerguer após crise, greve histórica e reestruturação societária.

Fonte: Agência Brasil



Olho no Brasil