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Por REDAÇÃO
24 de julho de 2026 às 15:28 ▪ Atualizado há 1 hora
Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento informaram que o Orçamento de 2026 terá a liberação de R$ 5,7 bilhões em despesas não obrigatórias. O dado aparece no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento encaminhado ao Congresso Nacional a cada dois meses e usado como base para ajustar a execução orçamentária.
Com a medida, o montante total de recursos ainda travados em 2026 diminui de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões. Os bloqueios servem para manter as despesas dentro do limite previsto no arcabouço fiscal, que autoriza crescimento real do gasto — acima da inflação — de até 2,5% no ano.
O desbloqueio alcança despesas discricionárias, que incluem parte do custeio e dos investimentos do governo federal. Esse tipo de gasto é diferente das obrigações legais, como Previdência, benefícios assistenciais e despesas com pessoal, que têm execução mais rígida.
Segundo a equipe econômica, a abertura de espaço no Orçamento ocorreu porque várias estimativas de despesas obrigatórias foram recalculadas para baixo em relação ao relatório anterior. Com isso, tornou-se possível reduzir parte da contenção aplicada às despesas não obrigatórias.
Apesar da liberação, o governo ainda mantém R$ 17,9 bilhões bloqueados em 2026. A distribuição do desbloqueio entre ministérios e órgãos será detalhada até o dia 30, quando está prevista a publicação de um decreto presidencial com os limites de empenho — a autorização para assumir despesas.
O relatório apontou redução nas projeções de despesas obrigatórias em itens relevantes. As principais quedas, na comparação com a avaliação anterior, foram:
Essas revisões para baixo foram determinantes para que parte dos recursos antes bloqueados pudesse ser reaberta dentro das regras do limite de gastos.
Ao mesmo tempo, a atualização bimestral elevou a previsão de alguns grupos de despesas obrigatórias. Entre os aumentos registrados estão:
Na prática, o relatório mostra uma recomposição interna das estimativas: alguns itens caem e outros sobem, e o saldo abre espaço para reduzir a restrição sobre despesas não obrigatórias.
Pela terceira vez consecutiva, o Relatório Bimestral não apontou necessidade de contingenciamento — o bloqueio temporário de recursos destinado a garantir o cumprimento da meta de resultado primário. O resultado primário mede as contas do governo antes do pagamento de juros da dívida pública.
De acordo com Fazenda e Planejamento, a projeção de superávit primário para 2026, pelos critérios do arcabouço fiscal, foi revisada para cima: passou de R$ 4,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões.
A melhora é explicada principalmente por uma elevação estimada de R$ 12,3 bilhões nas receitas líquidas em 2026. Do lado das despesas, a projeção para os gastos primários aumentou R$ 4 bilhões, enquanto os valores que podem ser abatidos da meta de resultado primário recuaram R$ 1,6 bilhão.
O governo também apresentou uma estimativa que considera despesas que ficam fora dessa conta principal, como precatórios — dívidas da União reconhecidas em decisões judiciais definitivas — e parte de gastos em saúde, educação e defesa.
Quando esses itens são incluídos, a previsão de déficit primário em 2026 diminui de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. Ou seja, mesmo permanecendo negativa nesse recorte, a expectativa de resultado melhora em relação à avaliação anterior.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 fixa meta de superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). Ainda assim, a equipe econômica destacou a utilização do limite inferior da banda de tolerância prevista, que permite resultado zero (déficit zero) no ano.
Como o relatório projeta superávit de R$ 10,8 bilhões no critério do arcabouço fiscal, o governo afirma que não precisa contingenciar despesas neste momento. A estratégia, portanto, combina manutenção do limite de gastos com uma liberação parcial de recursos discricionários, dentro do espaço aberto pelas revisões das despesas obrigatórias.
O detalhamento do desbloqueio por pasta e órgão federal deve ser conhecido com a edição do decreto de programação orçamentária até o dia 30.
Fonte: Agência Brasil
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