Segurança energética
Por REDAÇÃO
22 de julho de 2026 às 21:17 ▪ Atualizado há 1 dia
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decidiu antecipar a entrega de 1,8 gigawatt (GW) de geração adicional prevista nos leilões de reserva de capacidade. A deliberação foi tomada nesta quarta-feira (22) e envolve cinco empresas vencedoras desses certames.
A medida passa a valer a partir de 1º de setembro e tem como objetivo reforçar a confiabilidade do abastecimento de energia, especialmente diante do cenário climático projetado para o segundo semestre de 2026. O governo avalia que a possibilidade de um El Niño relevante no período pode pressionar tanto a oferta quanto a demanda de eletricidade no país.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o volume de geração trazido para mais cedo é considerado decisivo para elevar a segurança do Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo de 2026 e também nos primeiros meses de 2027.
O entendimento é que a antecipação funciona como uma “margem extra” para enfrentar situações de estresse do sistema, como períodos prolongados de calor e mudanças no regime de chuvas. Esses fatores podem alterar a produção hidrelétrica e, ao mesmo tempo, ampliar o consumo em diferentes regiões.
A decisão do CMSE teve como base um parecer técnico do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No documento, o ONS avalia que a ocorrência do El Niño pode reduzir a energia gerada na Região Norte, além de criar condições para crescimento da carga devido a temperaturas acima do normal.
Na prática, o fenômeno pode impactar a disponibilidade de recursos energéticos em um momento em que o sistema precisa responder rapidamente a variações de demanda. Por isso, o comitê optou por antecipar parte da capacidade já contratada para operação em datas posteriores.
Além do componente climático, o MME também apontou preocupações com o ambiente internacional. A pasta menciona que incertezas geopolíticas associadas ao atual quadro de guerras podem afetar diretamente os preços de combustíveis, o que tende a ter impacto relevante sobre o custo de geração térmica e, consequentemente, sobre o setor elétrico.
O ministério afirma ainda que estudos internos indicam que o acionamento de usinas que operam sem contratos regulados (conhecidas como merchant) para atender a demanda pode sair pelo menos 25% mais caro do que a energia proveniente de empreendimentos contratados por leilões.
Nesse contexto, antecipar capacidade já contratada é visto como uma forma de reduzir exposição a soluções emergenciais mais custosas, preservando a previsibilidade de suprimento e de preços em momentos de maior tensão no sistema.
Os leilões de reserva de capacidade citados na decisão ocorreram em março deste ano e resultaram na contratação de 2,2 GW para reforçar o atendimento do SIN. Agora, o CMSE aprovou que 1,8 GW desse total seja disponibilizado de maneira antecipada por parte de cinco empresas vencedoras.
A iniciativa integra o conjunto de ações de planejamento e monitoramento do setor, que busca reduzir riscos operacionais e garantir energia suficiente para o país em diferentes cenários hidrológicos e climáticos.
O El Niño é um fenômeno meteorológico caracterizado pelo aquecimento acima da média da superfície do Oceano Pacífico equatorial. Esse aumento de temperatura altera padrões de circulação de ventos e influencia o regime de chuvas em várias partes do mundo, com reflexos também no Brasil.
De acordo com estimativa da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), agência de referência em previsão climática dos Estados Unidos, há 81% de chance de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro.
Segundo a NOAA, se a projeção se confirmar, o episódio pode ser o mais intenso desde 1950, quando começaram as medições sistemáticas. A agência ressalta, porém, que um El Niño mais forte não implica automaticamente eventos extremos em todos os locais, embora aumente a probabilidade de ocorrência de tempestades e ondas de calor em diferentes regiões.
O debate sobre os efeitos do El Niño ocorre em um ambiente de maior atenção a eventos climáticos intensos. Especialistas citam que a Europa registrou, em junho, a pior onda de calor já documentada, com consequências como interrupções na geração de energia, danos a estruturas e pressão sobre sistemas de saúde.
Pesquisadores afirmaram que o calor extremo esteve ligado às mudanças climáticas. No caso do El Niño, os efeitos podem ser percebidos em diferentes regiões até o fim do ano e, conforme projeções, podem se estender até 2027.
Com isso, a antecipação de parte da capacidade contratada surge como uma estratégia para fortalecer o sistema elétrico brasileiro diante de um cenário que combina risco climático, aumento potencial de consumo e volatilidade internacional que pode influenciar o custo de combustíveis e de geração.
Fonte: Agência Brasil
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