Diplomacia comercial
Por REDAÇÃO
27 de julho de 2026 às 16:46 ▪ Atualizado há 2 horas
Brasil e Coreia do Sul decidiram instalar um grupo de trabalho para acelerar as tratativas de um acordo comercial entre o país asiático e o Mercosul. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (27), após reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, no Palácio da Alvorada, em Brasília.
A proposta, segundo Lula, é mapear pontos sensíveis para os dois lados e reduzir obstáculos que travem a retomada das negociações. O Mercosul é composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de países associados.
De acordo com Lula, a coordenação do novo grupo ficará a cargo do vice-presidente Geraldo Alckmin. A ideia é organizar uma agenda técnica capaz de identificar setores mais expostos e estabelecer caminhos para destravar discussões que avançam lentamente.
O movimento ocorre num momento em que o Brasil busca ampliar alternativas comerciais e reforçar parcerias internacionais em meio a turbulências no comércio global. Nas declarações públicas, a necessidade de previsibilidade no cenário externo apareceu como um dos argumentos para acelerar o diálogo com a Coreia do Sul.
O presidente Lee Jae-Myung afirmou que a negociação com o Mercosul ganhou urgência diante do ambiente internacional mais instável. Para ele, o entendimento pode abrir novas portas para empresas sul-coreanas na América do Sul e, ao mesmo tempo, ampliar a presença brasileira no mercado asiático usando a Coreia como plataforma.
Ao mencionar “incertezas no âmbito comercial”, o líder sul-coreano fez referência indireta ao contexto de disputas tarifárias e barreiras comerciais que afetam grandes economias. O Brasil, por exemplo, vive um período de tensão com os Estados Unidos — um de seus principais parceiros — após a adoção de tarifas por Washington.
Na avaliação de Seul, um pacto com o Mercosul teria impacto positivo para a indústria coreana e para a estratégia brasileira de diversificar destinos e rotas de exportação na Ásia.
Além do anúncio do grupo de trabalho, Brasil e Coreia do Sul formalizaram instrumentos de cooperação em diferentes áreas. Entre os temas, estão iniciativas ligadas à defesa, educação e energia, com foco em aproximar governos e instituições e ampliar projetos conjuntos.
Um dos acordos prevê intercâmbio de experiências em políticas educacionais e aproximação entre instituições de ensino dos dois países. A expectativa é estimular parcerias acadêmicas e compartilhamento de boas práticas em gestão e avaliação educacional.
Também foi firmado um memorando de entendimento voltado à cooperação entre as agências nacionais em atividades espaciais com finalidades pacíficas, estabelecendo bases para colaboração técnica e institucional no setor.
No campo de ciência e tecnologia, outro acordo foi assinado para impulsionar pesquisa, desenvolvimento e inovação com aplicação industrial, mirando ganhos de competitividade e integração de cadeias produtivas.
Já no esporte, os dois países acertaram ações de intercâmbio entre atletas e especialistas, além da troca de experiências em políticas públicas esportivas.
O encontro em Brasília também incluiu discussões sobre minerais críticos, insumos estratégicos para a indústria de alta tecnologia e para a transição energética. Lee Jae-Myung ressaltou que o Brasil está entre os países com oferta relevante desses recursos e defendeu ampliar a cooperação ao longo de toda a cadeia.
Segundo o presidente sul-coreano, a intenção é trabalhar em conjunto desde a extração até etapas relacionadas ao fornecimento e à segurança do abastecimento. O objetivo declarado é criar uma base estável de oferta, com benefícios mútuos e maior previsibilidade para a indústria.
Após os compromissos em Brasília, Lee Jae-Myung seguirá para São Paulo. A programação prevê uma visita a um sindicato de metalúrgicos, em uma sinalização de interesse em dialogar também com representantes do setor industrial e do mundo do trabalho.
A viagem ocorre em um contexto de forte presença da comunidade coreana no Brasil. O país é o principal destino de sul-coreanos na América Latina, e São Paulo concentra o maior contingente, com mais de 50 mil pessoas.
Nas declarações à imprensa, os dois presidentes defenderam a resolução pacífica de disputas internacionais. Lula mencionou a importância de proteger a democracia diante de ações de grupos extremistas e afirmou que pretende fortalecer o diálogo entre nações e o multilateralismo.
Lee Jae-Myung, por sua vez, reiterou que a paz é central para garantir segurança e estabilidade, destacando a preferência por caminhos diplomáticos em vez de confrontos.
Com a criação do grupo de trabalho e a assinatura de novos instrumentos de cooperação, Brasil e Coreia do Sul sinalizam a intenção de aprofundar a parceria bilateral e de recolocar na agenda a negociação comercial entre o Mercosul e o país asiático.
Fonte: Agência Brasil
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