Mercado editorial
Por Admin
02 de abril de 2026 às 16:18
O mercado de livros no Brasil registrou um avanço expressivo em 2025: cerca de 3 milhões de pessoas passaram a comprar obras ao longo do ano. O dado faz parte do estudo Panorama do Consumo de Livros, elaborado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), que monitora hábitos de aquisição de títulos impressos e digitais.
Segundo a entidade, o crescimento indica que a leitura segue com peso cultural e econômico no país. Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da CBL, Sevani Matos, avaliou que a chegada de novos consumidores em um intervalo tão curto reforça a possibilidade de expansão do setor editorial brasileiro.
O levantamento mostra que a faixa etária de 18 a 34 anos teve papel central na ampliação do público comprador. Esse grupo aparece como motor de renovação do consumo, ajudando a sustentar a demanda por lançamentos e novos formatos de acesso às obras.
A pesquisa foi realizada em outubro de 2025, com 16 mil entrevistas. Foram ouvidas tanto pessoas que adquiriram livros no período quanto aquelas que não compraram nenhuma obra, o que permitiu mapear padrões e obstáculos ao consumo.
Entre os compradores, as mulheres representam 61% do total, de acordo com o estudo. Ao cruzar informações de raça, classe social e gênero, a CBL identificou um recorte que se destaca como o maior grupo consumidor: mulheres negras da classe C.
Esse segmento responde por 15% do total de compradores no país, evidenciando a importância de estratégias editoriais e de distribuição que considerem a diversidade do público leitor e consumidor.
Mesmo com a consolidação de plataformas digitais, o papel continua dominante nas compras. Na aquisição mais recente declarada pelos entrevistados, 80% optaram por exemplares impressos, enquanto 20% escolheram versões digitais.
O dado sugere que o formato físico segue como preferência do consumidor brasileiro, ainda que o digital tenha participação relevante e possa crescer conforme acessibilidade, preço e oferta de catálogos evoluam.
O interesse por novidades é alto: sete em cada dez consumidores afirmaram gostar de acompanhar lançamentos. Na hora de buscar informações, o canal mais citado foram os sites de compras, mencionados por 34% dos entrevistados.
Em seguida, aparecem as recomendações de pessoas próximas, com 30%. As livrarias foram apontadas por 24% como fonte para conhecer novos títulos. Já os criadores de conteúdo — como influenciadores e perfis dedicados a livros — foram citados por 22%, sinalizando o peso crescente do ambiente digital na formação de interesse.
O estudo também mapeou a força das redes sociais como canal de compra: 56% dos consumidores disseram já ter adquirido livros por essas plataformas. Dentro desse grupo, mulheres de 25 a 54 anos formam a maioria, com 76%.
Esse recorte equivale a 26% do total de compradores que utilizam redes sociais para fechar a compra, apontando para uma combinação entre influência digital, praticidade e campanhas de venda direta.
Entre quem comprou um livro impresso na última aquisição, a maioria fez o pedido pela internet: 53% compraram online. Já 47% optaram pela compra presencial.
Os números mostram um mercado dividido, com o digital ganhando vantagem em conveniência e alcance, enquanto os pontos físicos mantêm relevância para experiência, descoberta e relacionamento com o leitor.
Apesar da concorrência do e-commerce, as livrarias físicas continuam sendo vistas como espaços com papel cultural. Para 53% dos consumidores, esses locais funcionam como ambiente de descanso e navegação tranquila, onde é possível explorar prateleiras sem pressa.
Outros 46% associam as livrarias a uma conexão direta com cultura e conhecimento, reforçando a percepção de que a loja não é apenas um ponto de venda, mas também um espaço de convivência e estímulo à leitura.
O Panorama do Consumo de Livros também investigou as razões de quem não comprou livros no ano. Entre esse público, estimado em aproximadamente 35 milhões de pessoas (28%), a falta de uma livraria ou loja por perto apareceu como fator importante de desmotivação.
O preço também pesa: 35% dos não compradores disseram considerar os livros caros. Além disso, parte do público relatou acesso a alternativas gratuitas no digital. Cerca de 16,3% afirmaram ter baixado e-books sem custo, enquanto 16,1% disseram recorrer a PDFs gratuitos.
Os resultados apontam que, além de ampliar canais de venda, o setor enfrenta desafios ligados a distribuição, acessibilidade e percepção de custo, em um cenário em que opções gratuitas competem com o mercado formal.
Fonte: UrbNews
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