Saúde indígena
Por Admin
09 de abril de 2026 às 13:11
O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (8) que as mortes por malária recuaram 80,8% na comparação com 2023, ano em que o governo federal decretou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) no território Yanomami. Segundo a pasta, os números refletem o reforço de ações de assistência e vigilância, com ampliação do acesso a diagnósticos e tratamento.
Além da redução de óbitos, o ministério registrou crescimento de 75,9% na quantidade de exames realizados por meio de detecção ativa — estratégia em que as equipes buscam casos na comunidade, sem depender apenas da procura espontânea por atendimento.
De acordo com as informações divulgadas, o aumento da testagem por detecção ativa foi um dos pontos centrais da resposta no território. A medida tem como objetivo identificar infecções mais cedo, encurtando o tempo entre o aparecimento dos sintomas, o diagnóstico e o início do tratamento.
Na avaliação do Ministério da Saúde, a combinação de busca ativa, atendimento em campo e acompanhamento dos casos ajuda a conter a transmissão e a reduzir a chance de evolução para quadros graves. O boletim citado pelo governo também aponta que o crescimento na capacidade de assistência contribuiu para a queda na letalidade de doenças monitoradas.
O ministério afirmou ainda que as mortes por desnutrição apresentaram queda de 53,2% na comparação entre 2023 e o ano passado. O dado foi divulgado junto a outros indicadores nutricionais acompanhados nas comunidades.
No mesmo intervalo, aumentou o percentual de crianças com peso considerado adequado: o índice passou de 45,4% para 53,8%, segundo o documento mencionado na divulgação oficial.
Outro indicador destacado foi a redução dos registros de desnutrição grave, com queda de quase 10% no período analisado. Para o governo, os dados apontam avanço no acompanhamento nutricional e na oferta de cuidados básicos de saúde e alimentação.
O Ministério da Saúde também citou resultados do Informe 9 do Centro de Operações de Emergências Yanomami (COE). Conforme o boletim, houve aumento nos atendimentos relacionados a doenças infecciosas.
Apesar do maior número de ocorrências registradas e assistidas, o documento aponta que a resposta mais rápida — com início de tratamento em menor tempo — contribuiu para reduzir a letalidade em 76%.
A leitura do governo é que a ampliação da presença de equipes e de estruturas de atendimento favoreceu tanto o registro dos casos quanto o manejo clínico. Em situações de emergência sanitária, esse tipo de reorganização costuma elevar a detecção de problemas que antes estavam subnotificados, ao mesmo tempo em que melhora o desfecho para pacientes atendidos precocemente.
No eixo de imunização, a pasta informou que a aplicação de vacinas cresceu 40% em comparação com 2023. O avanço, segundo o ministério, está ligado ao reforço da logística para levar equipes e insumos a áreas de difícil acesso.
Em territórios remotos, a vacinação depende de planejamento de rotas, transporte adequado, manutenção de cadeia de frio e articulação com lideranças locais. Por isso, o aumento de doses aplicadas é tratado pelo governo como um indicador de maior capilaridade das ações de saúde no território.
Para a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, os números divulgados indicam que a atuação estatal ficou mais presente nas comunidades. Em declaração incluída na comunicação do ministério, ela afirmou que os resultados demonstram o fortalecimento de políticas públicas no território.
“Esses resultados refletem o esforço permanente da atual gestão em fortalecer a presença do Estado, garantindo uma atenção integral, qualificada e respeitosa às especificidades culturais dos povos indígenas”, declarou a secretária, segundo o Ministério da Saúde.
Os dados apresentados pelo governo fazem parte do monitoramento das ações na área Yanomami após o decreto de emergência em 2023. O objetivo, de acordo com a estratégia adotada, é reduzir mortes evitáveis, ampliar o diagnóstico, acelerar o início de tratamentos e melhorar indicadores de nutrição e vacinação nas comunidades atendidas.
Fonte: UrbNews
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