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ZIKA: Pesquisa da UFRJ revela que vírus pode se replicar após cura do paciente

Segundo Julia Clarke, "Alguns vírus podem 'adormecer' em determinados tecidos do corpo.

24 de junho de 2024 às 08:48 ▪ Atualizado há 1 mês


Sala de pesquisa / Agência Brasil
Sala de pesquisa / Agência Brasil

Um estudo inovador realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou descobertas preocupantes sobre o vírus da zika, destacando sua capacidade de persistir no organismo e reativar-se, potencialmente desencadeando novos sintomas neurológicos em indivíduos que se recuperaram da infecção.

Investigação da Persistência Viral

O estudo, liderado pelas cientistas Julia Clarke e Claudia Figueiredo, foi conduzido ao longo de quatro anos e envolveu cerca de 200 camundongos previamente infectados com o vírus da zika. Publicado no periódico científico iScience, os resultados apontam que o vírus pode permanecer latente em tecidos como o cérebro e os testículos, podendo reativar-se em condições de queda na imunidade, como estresse, uso de medicamentos imunossupressores ou durante infecções por outros vírus.

 

Sala de pesquisa / Agência Brasil

Segundo Julia Clarke, "Alguns vírus podem 'adormecer' em determinados tecidos do corpo e depois 'acordar' para se replicar novamente, produzindo novas partículas infecciosas. Isso pode levar a novos episódios de sintomas, como acontece classicamente com os vírus simples da herpes e da varicela-zoster."

Impacto Neurológico e Sintomas Persistentes

A pesquisa identificou que a reativação do vírus da zika está associada à produção de espécies secundárias de RNA viral, que são resistentes à degradação e se acumulam nos tecidos. Este fenômeno aumenta a predisposição para sintomas neurológicos, incluindo crises convulsivas, particularmente observadas nos machos dos camundongos estudados.

Perspectivas para Futuras Pesquisas e Tratamentos

Os pesquisadores utilizaram uma combinação de técnicas avançadas, como PCR, microscopia confocal e análises comportamentais, para investigar a persistência do vírus no corpo dos animais após a fase aguda da infecção. Os achados também ecoam descobertas anteriores em humanos, onde o material genético do vírus da zika foi encontrado em locais como placenta, sêmen e cérebro, meses após o desaparecimento dos sintomas.

Julia Clarke destacou os próximos passos da pesquisa: "Nosso grupo pretende investigar se as áreas de calcificações cerebrais são locais onde o vírus permanece adormecido. Além disso, testaremos medicamentos para reduzir essas áreas e avaliar se conseguem prevenir a reativação do vírus."

Impacto e Implicações para a Saúde Pública

A pesquisa não apenas amplia o entendimento sobre a persistência do vírus da zika, mas também sugere a necessidade de monitoramento a longo prazo em pacientes expostos ao vírus, especialmente desde a infância. Essa vigilância contínua pode ser crucial para detectar e manejar novos sintomas neurológicos que possam surgir.

Colaboração e Financiamento

O estudo contou com a colaboração de pesquisadores de renomados institutos da UFRJ, como o Instituto de Microbiologia Paulo de Góes e o Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis. Além disso, recebeu financiamento significativo da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), totalizando aproximadamente R$ 1 milhão.

Essas descobertas não apenas expandem o conhecimento científico sobre o vírus da zika, mas também lançam luz sobre novos desafios e oportunidades para o desenvolvimento de estratégias preventivas e terapêuticas.



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