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Evolução na luta contra a poliomielite: Zé Gotinha e a transição da vacina oral

Mesmo aquelas com o esquema vacinal em dia, mas dentro da faixa etária determinada, devem receber as doses adicionais.

14 de junho de 2024 às 13:44


Zé Gotinha / Foto: Agência Brasil
Zé Gotinha / Foto: Agência Brasil

Desde o final da década de 80, o Brasil conta com um símbolo icônico em sua batalha contra a poliomielite: O Zé Gotinha. Essa figura emblemática emergiu como o rosto da campanha pela erradicação da doença nas Américas, quando a prevenção se resumia a duas gotinhas aplicadas na boca das crianças para combater o poliovírus selvagem. Porém, à medida que os avanços na imunização progrediam, o esquema vacinal evoluiu para incluir doses injetáveis, expandindo a proteção contra a paralisia infantil.

Seguindo o esquema divulgado pelo Ministério da Saúde, as três primeiras doses contra a pólio agora são administradas de forma injetável, aos 2, 4 e 6 meses de vida, conforme estabelecido pelo Calendário Nacional de Vacinação. Posteriormente, duas doses de reforço, dessa vez orais, são aplicadas aos 15 meses e aos 4 anos de idade.

 
Zé Gotinha / Foto: Agência Brasil

Por isso, conforme as autoridades em saúde, é crucial que todas as crianças menores de 5 anos sejam levadas aos postos de saúde anualmente durante a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite para garantir a revisão da caderneta e a atualização das doses, se necessário. Mesmo aquelas com o esquema vacinal em dia, mas dentro da faixa etária determinada, devem receber as doses adicionais.

A Campanha Nacional de Vacinação deste ano, iniciada em 27 de maio e com término nesta sexta-feira (14), tem como meta imunizar pelo menos 95% do público-alvo, aproximadamente 13 milhões de crianças menores de 5 anos. Estados e municípios têm a possibilidade de prorrogar a campanha em casos de baixa adesão.

Mudanças no Horizonte: Adeus às Gotinhas

A partir de 2024, o Brasil iniciará a transição gradual da vacina oral contra a pólio pela versão injetável, inativada do imunizante. Com essa mudança, a vacina injetável, já utilizada nas três primeiras doses do esquema vacinal, será disponibilizada também como dose de reforço aos 15 meses. A segunda dose de reforço, anteriormente administrada aos 4 anos, será eliminada.

Essa substituição foi aprovada pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), baseada em novas evidências científicas para a proteção contra a doença. O Ministério da Saúde enfatizou que essa atualização não significa o fim imediato das gotinhas, mas sim um avanço tecnológico para aumentar a eficácia do esquema vacinal. A dose oral será gradualmente eliminada após um período de transição.

"Zé Gotinha, símbolo histórico da importância da vacinação no Brasil, também continuará sua missão de sensibilizar as crianças, pais e responsáveis em todo o país, participando das ações de imunização e campanhas do governo federal", ressaltou a pasta ministerial.

Cenário Atual e Desafios Futuros

Apesar da ausência de notificações de casos de pólio no Brasil desde 1989, as coberturas vacinais contra a doença têm apresentado quedas ao longo dos anos. Em 2022, por exemplo, a cobertura atingiu apenas 77,19%, distante da meta de 95%.

Esses números destacam a importância contínua das campanhas de vacinação e a necessidade de vigilância para manter a erradicação da poliomielite no país. A evolução do esquema vacinal, marcada pela substituição das gotinhas pela vacina injetável, representa um passo adiante nessa trajetória de sucesso na saúde pública brasileira.



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