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Desvendando a Teia: Insônia como peça-chave na depressão, diz Instituto do Sono

Essas descobertas representam um avanço notável no campo da psiquiatria e da medicina do sono.

11 de junho de 2024 às 20:19


Insônia / Foto: Reprodução
Insônia / Foto: Reprodução

Um estudo pioneiro realizado por pesquisadores do renomado Instituto do Sono trouxe à luz uma descoberta impactante: a insônia não é meramente um sintoma secundário da depressão, mas sim uma parte intrínseca dessa condição mental complexa. Essa conclusão revolucionária emergiu de uma investigação meticulosa sobre a interconexão entre predisposições genéticas para distúrbios do sono e sintomas depressivos, conduzida com uma amostra representativa do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo, que abrange indivíduos entre 20 e 80 anos.

Os participantes foram submetidos a uma avaliação clínica minuciosa, a uma polissonografia noturna abrangente e a uma série de questionários detalhados sobre padrões de sono. Além disso, amostras de sangue foram coletadas para análise do DNA e genotipagem dos voluntários, visando calcular o risco genético dessas pessoas para problemas de sono e sintomas depressivos. Os resultados dessa pesquisa inovadora foram apresentados no Sleep 2024, durante a 38ª Reunião Anual das Sociedades Profissionais Associadas de Sono, ocorrida nos Estados Unidos no início de junho.

Mariana Moysés Oliveira, uma das principais pesquisadoras responsáveis por esse estudo revelador, compartilhou insights cruciais sobre suas descobertas.

"A insônia não apenas acompanha a depressão, mas é um fator substancial na sua etiologia. Estudos anteriores já indicavam que a presença persistente de insônia está correlacionada com uma menor resposta aos tratamentos convencionais para a depressão. Além disso, evidências apontam que indivíduos com insônia crônica têm um risco aumentado de desenvolver depressão no futuro", destacou Oliveira.

Essas descobertas representam um avanço notável no campo da psiquiatria e da medicina do sono. A insônia e os sintomas depressivos, como elucidado por essa pesquisa, compartilham origens genéticas intrincadas, o que implica que os distúrbios do sono não devem ser tratados de forma separada em indivíduos com depressão, já que estão inextricavelmente entrelaçados com a doença mental. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores empregaram um modelo estatístico avançado, conhecido como escore poligênico, que permite prever o risco para doenças complexas ao considerar milhares de variantes genéticas, possibilitando a identificação dessa inter-relação.

"A análise se baseou em estudos de associação de genoma completo para depressão e insônia. Nossos resultados indicam que os escores poligênicos foram eficazes em estratificar os indivíduos em grupos de alto e baixo risco para problemas de sono e sintomas depressivos. Observamos que pessoas com distúrbios do sono tendem a apresentar sintomas depressivos mais graves. Além disso, quanto maior o risco genético para problemas de sono, maior é o risco genético para sintomas depressivos. Os genes que contribuíram para esses escores poligênicos se sobrepuseram, indicando uma correlação genética robusta entre essas condições", explicou Oliveira.

Esses achados têm implicações significativas para a saúde pública, oferecendo a oportunidade de desenvolver políticas mais eficazes de identificação precoce e tratamento integrado, visando reduzir o fardo dessas condições na sociedade.

"Acredito que nossas pesquisas podem abrir caminho para novos protocolos clínicos que abordam holisticamente a saúde mental e a qualidade do sono, promovendo uma compreensão mais profunda das causas subjacentes a esses problemas de saúde. Além disso, o uso de dados genéticos para prever a predisposição permite a identificação de indivíduos em risco antes mesmo da manifestação dos sintomas", afirmou Oliveira.

Ao reconhecer que as doenças geralmente resultam de interações complexas entre fatores genéticos e ambientais ao longo da vida, essa pesquisa oferece uma nova perspectiva sobre o papel da genética na predição e prevenção de distúrbios do sono e depressão.

"Para doenças comuns, não podemos apontar um único gene responsável. Não existe um 'gene da depressão', da insônia ou do câncer. O risco genético é determinado por diversas variações genéticas, muitas vezes milhares delas. Somente ao avaliar o conjunto dessas variações genéticas podemos calcular o risco genético", explicou Oliveira.

Essa abordagem inovadora, baseada em evidências genéticas, não apenas permite a identificação de biomarcadores de risco, mas também sugere novas estratégias terapêuticas que visam às causas subjacentes das doenças, em vez de simplesmente tratar os sintomas, potencialmente reduzindo a incidência de recaídas.

Essa pesquisa revolucionária representa um passo crucial em direção a uma compreensão mais profunda das interações complexas entre sono e saúde mental, oferecendo esperança para um futuro onde intervenções mais eficazes e personalizadas podem transformar vidas.



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