Infraestrutura e política
Por Admin
25 de março de 2026 às 22:55
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reclamou, nesta quarta-feira (25), da falta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no lançamento da fábrica de trens da chinesa CRRC, em Araraquara, no interior paulista. Ao lado de ministros e de representantes da empresa, Lula comentou que o chefe do Executivo estadual poderia ter participado e se manifestado livremente durante a cerimônia.
Sem mencionar o nome do governador diretamente, o presidente afirmou considerar o ato relevante por envolver a produção de composições destinadas ao metrô da capital. Segundo Lula, o investimento anunciado tem impacto sobre emprego, tecnologia e modernização do sistema ferroviário paulista.
A CRRC é apontada como a maior fornecedora mundial de equipamentos e suprimentos ferroviários. No Brasil, a companhia já atua em iniciativas metroferroviárias em São Paulo e ampliou sua presença com o anúncio da planta industrial em Araraquara.
A empresa venceu uma licitação de alto valor do Metrô de São Paulo e também integra o consórcio do TIC (Trem Intercidades), projeto que pretende ligar a capital a Campinas com um serviço de média velocidade.
No local apresentado nesta quarta, a previsão é que sejam fabricados trens destinados ao metrô paulistano, com entregas programadas a partir do próximo ano.
Durante o discurso, Lula afirmou que a ausência do governador chamou atenção diante do volume de recursos envolvidos. Ele citou um investimento de quase R$ 7 bilhões no estado, relacionando o aporte à geração de empregos e à chegada de tecnologia.
O presidente também declarou que parte das intervenções em andamento em São Paulo conta com participação financeira do governo federal, mas que, segundo ele, isso não seria reconhecido publicamente pela gestão estadual.
Como exemplo, Lula mencionou o chamado “túnel de Santos”, afirmando que o projeto teria metade do financiamento atribuída à União. O presidente disse que o governo federal tem obrigação de aportar recursos em obras estruturantes e acrescentou que gostaria que houvesse reconhecimento explícito dessa parceria.
No evento, foram formalizados contratos de financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com o governo de São Paulo que, somados, alcançam R$ 5,6 bilhões. A assinatura reforça o papel do banco no apoio a projetos de mobilidade e expansão metroferroviária.
Do total anunciado, R$ 3,2 bilhões estão direcionados ao Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas. Já outros R$ 2,4 bilhões serão aplicados na ampliação da Linha 2 do metrô na capital paulista.
O presidente comentou ainda que, após apresentar o que chamou de “verdade” sobre participação federal em projetos e financiamentos, aceita ser alvo de críticas. Para ele, o país não pode ser construído com base em informações falsas.
Sem citar Jair Bolsonaro (PL), Lula também atacou o ex-presidente por declarações feitas durante a campanha eleitoral envolvendo o BNDES. O petista disse que houve, à época, a promessa de “abrir a caixa-preta” do banco, com insinuações de irregularidades.
Segundo Lula, depois de assumir o Planalto, Bolsonaro teria recuado desse discurso, ao ser aconselhado por auxiliares. Para o atual presidente, o objetivo da retórica seria reduzir a capacidade de investimento do BNDES e enfraquecer seu papel no financiamento de grandes projetos.
Ao encerrar uma fala de cerca de 20 minutos, Lula vinculou o contexto a um ano eleitoral e afirmou que, em sua avaliação, a disputa política de 2024 deve opor “verdade” e “mentira”, e não rivalidades esportivas ou geopolíticas.
Além do compromisso em Araraquara, Lula manteve uma série de agendas no interior de São Paulo. Na tarde desta quarta, o presidente prevê duas paradas em São Carlos: a inauguração de novas áreas do Hospital Universitário da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e uma visita ao centro de manutenção de aeronaves da Latam.
Pela manhã, ele esteve em Gavião Peixoto para a apresentação oficial do primeiro caça supersônico produzido no Brasil, o Saab Gripen E. A cerimônia ocorre quase três anos após a inauguração da linha de produção conjunta da fabricante sueca com a Embraer, parceira local no programa.
Texto originalmente atribuído a Marcelo Toledo, da Folhapress. Conteúdo reescrito e otimizado para SEO.
Fonte: UrbNews
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