Agronegócio do Piauí
Por Admin
18 de abril de 2026 às 11:00
O Piauí alcançou a terceira colocação entre os maiores produtores de algodão do Brasil, segundo a segunda estimativa para a safra 2025/2026 divulgada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). O estado aparece atrás apenas de Mato Grosso e Bahia, consolidando avanço relevante no mapa da cotonicultura nacional.
Os números indicam expansão expressiva tanto na área cultivada quanto no volume de pluma. O desempenho piauiense ganha ainda mais destaque porque ocorre em um cenário em que o país, no agregado, projeta queda de produção para o mesmo ciclo.
De acordo com a Abrapa, o Piauí deve atingir 44 mil hectares plantados de algodão no biênio 2025/2026. No ciclo anterior (2024/2025), o estado havia registrado 33 mil hectares.
Na prática, trata-se de um avanço de 31,60% na área cultivada. O percentual é apontado como a maior variação proporcional entre os principais estados produtores do país, reforçando a aceleração do setor local.
A expansão da lavoura também sinaliza maior atratividade do estado para novos projetos e para a ampliação de empreendimentos já existentes, em especial em regiões onde a cadeia produtiva do algodão vem se estruturando com mais força.
O aumento da área plantada se reflete diretamente na estimativa de produção. A Abrapa projeta que o Piauí pode alcançar 93 mil toneladas de pluma na safra 2025/2026.
No ciclo 2024/2025, o estado contabilizou 66 mil toneladas. A diferença representa um crescimento de 40,70% no volume estimado, mantendo o Piauí entre os protagonistas nacionais da cultura.
O resultado é interpretado pelo setor como um sinal de amadurecimento da atividade, com ganhos de escala e maior previsibilidade para decisões de investimento, comercialização e logística.
O avanço piauiense ocorre em contraste com a tendência nacional estimada para o mesmo período. Ainda segundo o levantamento, o Brasil deve registrar retração de 10,06% na safra 2025/2026.
A projeção de queda é atribuída à diminuição dos volumes em outras regiões produtoras, o que torna o desempenho do Piauí ainda mais relevante no conjunto do agronegócio brasileiro. Com isso, o estado ganha peso relativo no abastecimento da cadeia, na dinâmica de preços e no planejamento do setor têxtil e exportador.
O presidente da Investe Piauí, Victor Hugo Almeida, avaliou que a posição no Top 3 nacional simboliza a consolidação de um ciclo de trabalho e de fortalecimento do ambiente de negócios.
Segundo ele, a agência acompanha empreendimentos do setor e observa, ao longo dos últimos anos, um processo de construção de condições favoráveis ao investimento. Para o presidente, os indicadores apontam “desenvolvimento real”, com potencial de gerar oportunidades e renda no estado.
Victor Hugo Almeida também relaciona o terceiro lugar no ranking nacional de área plantada a um modelo de desenvolvimento baseado em produção em escala, atração de capital e integração com cadeias produtivas consideradas estratégicas.
O fortalecimento da cotonicultura piauiense é atribuído a uma combinação de fatores. Entre eles estão o desempenho dos produtores, a entrada e manutenção de investimentos privados e o suporte de entidades setoriais que atuam na governança da atividade.
Nesse contexto, a Associação Piauiense dos Produtores de Algodão (APIPA) é citada como peça relevante na organização e no desenvolvimento do setor, contribuindo para estruturar práticas, articulações e agendas ligadas à cadeia produtiva.
A chamada “rota do algodão” vem sendo tratada como um eixo estratégico para o crescimento econômico do Piauí, ao conectar produção agrícola, serviços, insumos, armazenagem, transporte e comercialização.
A segunda estimativa da safra 2025/2026 foi divulgada em 9 de março de 2026, durante reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados do Ministério da Agricultura.
Esses números passam por revisões periódicas e são usados como referência por produtores, indústrias e agentes de mercado para orientar planejamento, investimentos e negociações. Com os indicadores atuais, a expectativa no estado é de continuidade do ciclo de expansão, ampliando a participação do Piauí no cenário do algodão brasileiro.
Fonte: UrbNews
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