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Operação Metástase mira quadrilha de roubos de remédios no RJ e 4 estados

Policiais civis do Rio de Janeiro deflagraram, nesta terça-feira (21), a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em roubos e distribuição de medicamentos oncológicos e imunossupressores. As investiga

Por REDAÇÃO

21 de julho de 2026 às 10:41 ▪ Atualizado há 4 horas


Operação Metástase mira quadrilha de roubos de remédios no RJ e 4 estados

A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou nesta terça-feira (21) a Operação Metástase, voltada a desarticular uma organização criminosa interestadual suspeita de roubar e redistribuir medicamentos oncológicos e imunossupressores. Segundo a investigação, a rede teria movimentado mais de R$ 33 milhões em cerca de um ano, usando empresas de fachada para recolocar no mercado produtos de alto valor.

As ações incluem o cumprimento de dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes e apontadas lideranças do grupo. As diligências ocorrem em diferentes pontos do estado do Rio e também em outros três estados, com apoio de forças locais.

Mandados no RJ e ações simultâneas em outros estados

De acordo com a Polícia Civil, os mandados são executados ao mesmo tempo no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, e na Baixada Fluminense. Também há alvos em São Paulo, Goiás e Pará.

Além das medidas de campo, a corporação informou que pediu o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados. O pedido inclui ainda o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens, sob a suspeita de que o patrimônio tenha sido usado para ocultar a origem do dinheiro movimentado pela quadrilha.

Quadrilha teria cometido ao menos 20 roubos recentes

Os investigadores apontam que o grupo é suspeito de envolvimento em pelo menos 20 ocorrências com o mesmo padrão nos últimos seis meses. No recorte de aproximadamente um ano, entre 2025 e 2026, a apuração estima movimentação superior a R$ 33 milhões.

Segundo a polícia, a engrenagem criminosa era estruturada para atacar cargas de medicamentos de alto valor e, em seguida, fazer com que os itens voltassem a circular como se fossem regulares. Os produtos mirados, como remédios oncológicos e imunossupressores, são utilizados tanto na rede privada quanto na rede pública de saúde.

Como funcionava a estrutura: roubo, logística e “lavagem” com empresas

A Polícia Civil afirma ter identificado diferentes núcleos dentro da organização, cada um responsável por uma etapa do esquema. Havia um grupo encarregado dos roubos, outro voltado à logística e finanças em fase intermediária, um terceiro responsável pela logística e finanças na etapa final e um núcleo de suporte territorial.

Conforme a investigação, o esquema não terminava com a subtração das cargas. Após os crimes, os medicamentos eram levados para áreas sob influência do Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré. Nesse ponto, ocorreria o transbordo e a redistribuição do material, com apoio territorial e proteção armada ao núcleo que executava os roubos.

Na sequência, outro setor da quadrilha cuidaria de armazenar, fracionar e enviar os medicamentos para diferentes destinos. Para despistar a origem e viabilizar o transporte, os suspeitos teriam recorrido a empresas de fachada, transportadoras, entregadores e pessoas usadas como “laranjas”, segundo a polícia.

Suspeita de reinserção em compras públicas e vendas a hospitais privados

Um dos pontos centrais da apuração é a suspeita de que parte do material roubado teria sido reinserida em instituições públicas de saúde em várias regiões do país. De acordo com a Polícia Civil, isso ocorreria por meio de processos de compra na modalidade “tomada de preços”, usados para aquisição de itens por entes públicos.

Os investigadores também indicam que os medicamentos eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, para instituições públicas. O argumento da polícia é que, ao oferecer valores abaixo do mercado formal, o grupo conseguiria inserir produtos de origem ilícita na cadeia de fornecimento, ampliando o risco de entrada de remédios sem rastreabilidade no sistema.

A corporação estima que cerca de 25 empresas de fachada, distribuídas entre Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará, fariam parte do mecanismo financeiro atribuído ao grupo. Essas estruturas seriam usadas para receptação e circulação dos medicamentos roubados, especialmente a partir do Rio.

Informações internas e aliciamento em transportadoras

Outro aspecto destacado na investigação é a suspeita de cooptação de pessoas com acesso à rotina do transporte de cargas. A polícia afirma ter reunido elementos indicando que membros da organização aliciavam funcionários de transportadoras para obter dados privilegiados, como rotas, horários e cargas transportadas.

Com esse tipo de informação, a quadrilha conseguiria aumentar a precisão dos ataques e reduzir o risco de perda do material, além de planejar a retirada e o envio do produto a outros estados, conforme a apuração.

Risco à saúde pública: controle de temperatura e possível desabastecimento

A Polícia Civil sustenta que o caso envolve não apenas prejuízo financeiro, mas também impacto direto na saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem transporte e armazenamento com controle rigoroso de temperatura e condições específicas.

Segundo a corporação, quando esses itens são mantidos de forma inadequada, podem perder eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas. Além disso, o volume das cargas roubadas pode afetar o abastecimento, com reflexos no tratamento de pacientes oncológicos, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.

A investigação também identificou o suposto líder do grupo, descrito pela polícia como um homem com histórico de envolvimento em roubos de carga. As apurações seguem para localizar demais envolvidos, rastrear o fluxo do dinheiro e apurar a extensão da rede de receptação em diferentes estados.

Fonte: Agência Brasil



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