Combustíveis e Orçamento
Por REDAÇÃO
24 de julho de 2026 às 19:07 ▪ Atualizado há 1 hora
Mesmo com a cotação do petróleo voltando a se aproximar de US$ 100 por barril, a equipe econômica avalia que não há, por enquanto, motivo para reativar o subsídio adicional de R$ 0,35 por litro do diesel, encerrado no começo de julho. A posição foi apresentada nesta sexta-feira pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, durante a divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.
De acordo com o ministro, o governo acompanha a transmissão do movimento internacional para os preços no país e entende que, até o momento, a alta do barril não se converteu em pressão interna suficiente para justificar a volta do benefício extra ao diesel.
Moretti explicou que a estratégia do Executivo é tentar reduzir a volatilidade ao consumidor, mas sempre observando o impacto no preço final. Nesse cenário, a conclusão atual é manter o conjunto de medidas que já está em vigor e adiar qualquer decisão de retomar a parcela adicional do diesel.
O ministro também destacou que o custo fiscal do pacote é elevado e que uma reativação ampliaria ainda mais a conta para a União. A avaliação oficial é de que a política deve considerar tanto o cenário internacional quanto a evolução efetiva dos preços domésticos antes de novas intervenções.
Apesar de descartar a volta do adicional de R$ 0,35 por litro no diesel, o governo decidiu preservar outras frentes de apoio para segurar repasses imediatos aos consumidores. As medidas atualmente mantidas são:
Segundo o Ministério do Planejamento, o gasto estimado com a subvenção da gasolina é de cerca de R$ 1,3 bilhão por mês. Já o apoio ao diesel tem peso bem maior, com impacto aproximado de R$ 5,5 bilhões mensais.
O governo vinha reduzindo os subsídios após o recuo do petróleo registrado no período posterior ao acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. Com o alívio temporário no mercado internacional, as cotações retornaram a patamares mais próximos do que se via antes do aumento das tensões no Oriente Médio.
Foi nesse ambiente que o Executivo encerrou, em 1º de julho, a subvenção adicional de R$ 0,35 por litro do diesel. No entanto, a retomada de ataques na região voltou a pressionar os preços externos, levando o governo a manter parte dos incentivos para evitar uma alta imediata ao consumidor brasileiro.
Até junho, o desembolso total com ações para reduzir os efeitos da alta internacional dos combustíveis somou R$ 14,55 bilhões. Os recursos foram liberados via crédito extraordinário, mecanismo que não entra no limite de gastos, mas conta para fins de cumprimento da meta fiscal.
O ministro detalhou a composição recente das despesas:
Como parte das medidas segue em funcionamento, o gasto pode aumentar nos próximos meses. Moretti afirmou que os impactos adicionais serão incorporados na próxima atualização das projeções das contas públicas.
De acordo com o ministro, o que for executado em julho será usado como base para as projeções do próximo relatório, refletindo diretamente no espaço disponível para o cumprimento do objetivo fiscal. Na leitura atual do governo, existe uma margem próxima de R$ 11 bilhões.
Moretti explicou que, caso a meta não seja alcançada, o instrumento tradicional para ajuste é o contingenciamento de despesas. Por ora, o Executivo trabalha com bloqueios para respeitar o limite de gastos, mas sem necessidade de contingenciar por falta de receitas.
Parte da elevação das despesas com combustíveis vem sendo contrabalançada por arrecadação ligada ao próprio mercado de petróleo. Como o Brasil é exportador líquido, o governo mantém um imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto.
A tributação foi adotada para reduzir o incentivo de direcionar toda a produção ao exterior e, assim, preservar o abastecimento interno. A expectativa inicial era obter R$ 16,5 bilhões em quatro meses com o tributo. Com a cobrança sendo mantida por mais tempo, a receita extra ainda não foi incluída nas estimativas oficiais do Orçamento.
O Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas preservou a previsão de superávit primário de R$ 10,8 bilhões para este ano, após os ajustes relacionados ao arcabouço fiscal e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
A meta fiscal definida pelo governo é de 0,25% do PIB, o equivalente a R$ 34,3 bilhões, com faixa de tolerância entre 0% e 0,5% do PIB. Para cumprir o limite de despesas, o Executivo mantém bloqueio de R$ 17,9 bilhões, mas, até agora, sem contingenciamento motivado por frustração de receitas.
Fonte: Agência Brasil
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