Guia do Enem
Por Admin
18 de abril de 2026 às 10:00
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) segue como o principal caminho de acesso a universidades públicas no Brasil e também abre portas em programas e instituições privadas. Para avançar na disputa por vagas, o candidato precisa unir planejamento, estudo constante e compreensão das regras do exame, que é aplicado em dois dias e organizado por áreas do conhecimento, com pesos que variam conforme o curso pretendido.
Além das questões objetivas, a redação continua sendo um dos pontos mais decisivos da nota final. O texto solicitado é do tipo dissertativo-argumentativo, com limite de até 30 linhas, e exige que o estudante defenda uma tese, sustente argumentos e apresente uma proposta de intervenção adequada ao problema discutido.
A correção é feita a partir de cinco competências definidas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Em linhas gerais, a banca analisa se o candidato domina a norma-padrão do português, se compreende o tema e respeita o formato exigido, se organiza bem as ideias, se articula os parágrafos com coesão e se propõe uma intervenção consistente.
Na prática, isso significa que não basta “escrever bonito”. O texto precisa ser claro, ter progressão lógica e manter uma defesa explícita ao longo do desenvolvimento. Também é fundamental evitar trechos desconectados ou repertório jogado no papel sem relação direta com o recorte da proposta.
Um dos maiores motivos de perda de pontos, segundo orientações adotadas pelo Inep, é a intervenção genérica. A proposta precisa ser aplicável, respeitar os direitos humanos e trazer elementos específicos, mostrando que o candidato sabe como enfrentar o problema apresentado.
Para ser considerada completa, a intervenção deve incluir cinco componentes essenciais:
1) Agente: quem vai executar a medida (por exemplo, ministérios, escolas, plataformas digitais, empresas, ONGs).
2) Ação: o que será feito (campanhas, fiscalização, programas, mudanças de política, treinamento, criação de serviços).
3) Modo de execução: como a ação ocorrerá (parcerias, ferramentas, canais, metodologia, etapas de implementação).
4) Finalidade: para quê (reduzir um dano, ampliar acesso, proteger um grupo, melhorar um indicador).
5) Detalhamento: aprofundamento de um desses itens, para evitar soluções vagas e mostrar viabilidade.
Esse conjunto, quando bem amarrado, ajuda a elevar a nota na competência que avalia a capacidade de propor soluções e também reforça a coerência do texto como um todo.
Para a professora de redação Nelandia Teodoro, do Colégio Master, a preparação deve focar em decisões objetivas que aumentem a segurança do candidato diante de um tema surpresa. Ela recomenda atenção especial a pontos-chave do planejamento e da argumentação.
O primeiro passo é interpretar o comando com precisão. “É preciso responder ao recorte do tema, e não ao assunto amplo”, orienta. Em seguida, a docente indica a construção de um projeto de texto simples e eficiente: uma tese bem definida e dois argumentos consistentes, cada um sustentando um parágrafo de desenvolvimento.
Outro cuidado é com o repertório sociocultural. A dica é priorizar referências que funcionem como base argumentativa, evitando citações decoradas ou deslocadas do debate. No mesmo sentido, a coesão deve ser resultado da relação entre as ideias, e não do uso excessivo de conectivos repetidos.
Na etapa final, a intervenção precisa aparecer com todos os elementos exigidos: agente, ação, meio de execução, finalidade e detalhamento. Por fim, a professora ressalta a importância de manter uma posição clara. O corretor precisa identificar a opinião defendida do início ao fim, sem contradições.
Como o assunto da redação não é divulgado previamente, a estratégia mais sólida é treinar com diferentes eixos. De acordo com a avaliação de Nelandia, o Enem tem dado preferência a temas sociais e culturais com delimitações específicas, incluindo discussões sobre minorias, cultura geral e aspectos comportamentais, como reconhecimento e valorização.
Ela também chama atenção para um ponto de tendência: desde 2019, o exame não tem priorizado temas do chamado eixo científico. Ainda assim, a professora considera plausível que esse tipo de abordagem volte a aparecer, especialmente quando ligado a efeitos sociais. Exemplos incluem debates sobre regulação tecnológica e desafios ambientais, além de problemas intensificados pelo universo digital.
Dentro dessa perspectiva, assuntos relacionados à tecnologia e às consequências para a vida coletiva surgem como apostas fortes para 2026. Entre as possibilidades que dialogam com discussões atuais, aparecem:
• Desinformação e efeitos na sociedade, incluindo impactos na saúde, na política e no convívio democrático.
• Exclusão digital de grupos vulneráveis, com barreiras de acesso a dispositivos, internet e letramento digital.
• Desigualdade educacional na era digital, envolvendo diferenças entre redes de ensino, infraestrutura e oportunidades.
• Inclusão produtiva de jovens no mercado digital, com foco em formação, empregabilidade e transição escola-trabalho.
• Grupos virtuais que estimulam violência, discutindo prevenção, responsabilização e proteção de públicos vulneráveis.
• Violência simbólica no ambiente online, como discursos de ódio, humilhação pública e normalização de preconceitos.
A redação do Enem é avaliada por profissionais treinados para observar, de forma detalhada, cada uma das competências. Por isso, conhecer os critérios e praticar com foco neles tende a ser mais eficiente do que escrever sem método.
Ao longo do ano, a recomendação de especialistas é construir rotina de treino: produzir textos com tempo controlado, revisar erros recorrentes de linguagem, reforçar repertório relevante e simular correções com base nas cinco competências. Esse tipo de preparação aumenta a chance de um desempenho consistente, mesmo quando o tema surpreende.
Fonte: UrbNews
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