Bastidores da cultura
Por Admin
23 de abril de 2026 às 15:43
A 27ª edição do Festival Amazonas de Ópera (FAO) mostra que o impacto do evento não se restringe ao palco. Enquanto o público acompanha as apresentações, uma rede de profissionais atua nos bastidores para transformar a programação em realidade — e, ao mesmo tempo, movimentar a economia criativa em Manaus.
Os espetáculos começaram no domingo (19/04) e seguem até 31 de maio. Ao longo desse período, o festival mobiliza trabalhadores de diferentes áreas, com destaque para as equipes que atuam na confecção de figurinos, montagem de cenários, iluminação e apoio técnico.
Uma das estruturas-chave do FAO é a Central Técnica de Produção (CTP), espaço onde são preparados figurinos usados nas óperas da temporada. Ali, costureiras, modelistas, figurinistas e equipes de suporte trabalham em ritmo intenso para atender às demandas de cada obra.
A dinâmica envolve ajustes, provas, finalização de peças e soluções rápidas para necessidades de última hora, comuns em montagens operísticas. O resultado final aparece ao público como parte fundamental da narrativa cênica: roupas e adereços que ajudam a definir época, ambiente e personalidade dos personagens.
Pela primeira vez no Festival Amazonas de Ópera, a figurinista Fernanda Câmara integra a equipe responsável pela montagem de Salvator Rosa, obra de Carlos Gomes. Com mais de 15 anos de experiência em ópera em São Paulo, ela destaca que o trabalho em Manaus evidencia a dimensão cultural e econômica do evento.
Segundo Fernanda, a ópera depende de um esforço coletivo que reúne muitas especialidades. Modelagem, costura, cenografia e iluminação são algumas das etapas que precisam funcionar em conjunto para que o espetáculo chegue ao palco com a qualidade esperada.
A figurinista também chama atenção para a forma como o festival se conecta com o contexto local. Para ela, a experiência na capital amazonense acrescenta uma marca própria às produções, mesclando referências tradicionais do gênero com uma identidade brasileira mais presente.
Entre as profissionais que materializam os figurinos está Cleini Souza, de 71 anos, que participa há mais de duas décadas de produções ligadas à Secretaria de Cultura. Ela afirma que o festival representa tanto uma oportunidade de complemento de renda quanto um motivo de realização pessoal.
Cleini conta que atua no espaço desde 2006 e que retorna sempre que é chamada. Para ela, ver as peças confeccionadas pela equipe ganhando vida durante a apresentação é um dos pontos mais gratificantes do trabalho.
O sentimento, segundo a costureira, é coletivo: a equipe se envolve com a entrega e compartilha o orgulho ao assistir ao resultado final no palco, como se cada integrante também participasse da cena.
Com uma estrutura que reúne profissionais diretos e indiretos, o Festival Amazonas de Ópera se consolida como um dos eventos culturais que mais ativam a economia criativa no estado. Além das funções artísticas, a produção demanda mão de obra em áreas técnicas e de serviços, ampliando o alcance do impacto econômico.
Esse efeito se dá tanto pela contratação de profissionais quanto pela circulação de conhecimento e pelo fortalecimento de uma rede produtiva especializada em espetáculos de grande porte. Na prática, a realização do festival ajuda a manter ativos talentos locais e também abre espaço para intercâmbio com trabalhadores de outras regiões.
O Festival Amazonas de Ópera é realizado com recursos da Lei Rouanet e conta com patrocínio do Bradesco. A organização é do Fundo do Festival, em parceria com o Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa.
Com programação em andamento até o fim de maio, o FAO reforça seu papel como vitrine cultural e também como engrenagem de geração de trabalho, renda e oportunidades no setor artístico. Informações: Toda Hora.
Fonte: UrbNews
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