Alimentação escolar
Por Admin
22 de abril de 2026 às 14:50
A rede municipal de ensino de Maceió se prepara para uma mudança no cardápio da merenda escolar: a inclusão do sururu, marisco reconhecido como Patrimônio Imaterial de Alagoas. A iniciativa é conduzida pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) e marca o início de um projeto-piloto que busca combinar valor nutricional, educação alimentar, valorização da cultura regional e incentivo à economia local.
Na última semana, a Semed promoveu uma formação culinária com merendeiras de cinco unidades que vão participar da fase inicial: as escolas municipais Nosso Lar, Deraldo Campos, Rui Palmeira, Lindolfo Collor e Silvestre Péricles. O encontro aconteceu na Escola Nosso Lar e integrou o projeto “Sururu na escola: inclusão e nutrição”.
A formação foi conduzida por Raquel Vieira, merendeira da rede e gastróloga da Semed. O objetivo foi padronizar técnicas e discutir formas de preparo adequadas ao público escolar, considerando sabor, aceitação e segurança alimentar.
Segundo a profissional, o sururu deve entrar no cardápio em quatro receitas planejadas para a rotina das unidades: frito, com legumes, em moqueca e em macarronada. A proposta é oferecer diferentes versões do ingrediente, inclusive para estudantes e profissionais que ainda não tiveram contato com o marisco.
Entre as adaptações pensadas para a merenda, estão temperos como gengibre e pimenta de cheiro. A ideia é reforçar o aroma e o sabor, sem tornar o prato picante, mantendo a preparação compatível com as orientações de alimentação escolar.
A coordenadora-técnica de Nutrição e Segurança Alimentar da Semed, Ana Denise Cotrim, informou que a previsão é iniciar a oferta do sururu a partir de maio. Para a primeira etapa, a secretaria planeja adquirir, com recursos próprios, cerca de 280 quilos mensais do produto.
O volume estimado deve atender aproximadamente três mil alunos nas cinco escolas contempladas. Neste começo, o alimento deve ser servido uma vez por mês, permitindo acompanhar de perto fatores como aceitação, logística e padronização do preparo.
A coordenadora também destacou que o desenho do projeto considera exigências de qualidade e boas práticas sanitárias. A meta, conforme explicou, é ampliar a oferta de alimentos regionais sem abrir mão de protocolos de segurança e de critérios técnicos de nutrição.
Para as merendeiras que participaram da capacitação, o projeto também é uma oportunidade de aproximar a escola da realidade das famílias atendidas. Roseneide dos Santos, merendeira da Escola Nosso Lar, avaliou que a experiência tende a ser bem recebida e pode fortalecer laços com a comunidade.
Ela observou que parte dos alunos tem relação direta com a cadeia do sururu, já que o marisco é fonte de renda para muitas famílias. Nesse contexto, ver o alimento na merenda escolar pode representar não apenas novidade, mas também reconhecimento do cotidiano de quem vive da atividade.
O farmacêutico Eduardo Peglow, doutorando em ciências da saúde e segurança alimentar pela Universidade Federal do Rio Grande, acompanhou ações da Semed e experimentou o sururu pela primeira vez durante a atividade. Ele destacou o potencial do cardápio escolar como ferramenta de educação alimentar e de preservação de hábitos regionais, além do papel da escola na promoção da segurança alimentar em cenários de vulnerabilidade social.
Antes de colocar o projeto em prática, equipes da secretaria fizeram visitas técnicas à Cooperativa de Marisqueiras Mulheres Guerreiras (Coopmaris), responsável por fornecer o sururu para a rede municipal. O objetivo foi mapear etapas da produção, entender a cadeia de fornecimento e viabilizar a compra direta das trabalhadoras locais.
A ação segue diretrizes associadas à Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos), iniciativa vinculada ao Ministério Público Federal que busca facilitar a aquisição, pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), de alimentos produzidos por comunidades tradicionais. Entre os públicos contemplados estão pescadores, marisqueiras, indígenas, quilombolas e ribeirinhos.
Além do aspecto nutricional e cultural, a Semed projeta efeitos relevantes na renda das marisqueiras. De acordo com Ana Denise Cotrim, a maior comercialização mensal registrada pela cooperativa fornecedora era de cerca de R$ 2,5 mil. Com a entrada das escolas municipais como compradoras, a estimativa é que o valor possa alcançar aproximadamente R$ 13 mil por mês.
Para a secretaria, a mudança amplia o potencial de geração de renda, fortalece a economia local e ainda contribui para inserir, no cotidiano escolar, um alimento que faz parte da identidade alagoana.
A expectativa da Semed é avaliar os resultados da fase inicial — incluindo aceitação dos pratos, desempenho do fornecimento, custo, qualidade e adequação sanitária — para decidir sobre a ampliação do programa para outras unidades da rede.
Se a experiência for bem-sucedida, o sururu pode se consolidar como presença permanente na merenda escolar de Maceió, aproximando os estudantes da cultura alimentar do estado e estimulando escolhas mais conectadas com a produção local.
Informações: Cada Minuto.
Fonte: UrbNews
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