Crise no governo
Por Admin
01 de abril de 2026 às 17:00
O ex-ministro dos Direitos Humanos Silvio Almeida publicou nesta terça-feira (31) um vídeo nas redes sociais em que nega as acusações de importunação sexual e questiona a maneira como foi exonerado do cargo. Foi a primeira manifestação pública dele desde que o caso ganhou repercussão.
Na gravação, Almeida disse que optou por não se pronunciar anteriormente por considerar que havia um processo em curso e por respeito à família. Ele afirmou ainda que a apuração tramita sob sigilo e que pretende apresentar sua defesa no âmbito judicial, acompanhado de seus advogados.
Silvio Almeida foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual. A denúncia menciona a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, como vítima.
As acusações vieram a público em setembro de 2024, após reportagens relatarem que o movimento “MeToo” — organização voltada ao acolhimento de vítimas de violência sexual — recebeu relatos sobre o então ministro. Ainda naquele mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a demissão de Almeida do Ministério dos Direitos Humanos.
No vídeo, Almeida sustentou que sua versão será apresentada de forma formal na Justiça. Segundo ele, declarações fora do ambiente jurídico poderiam ser usadas para aumentar o que chamou de “violência” direcionada a ele e à sua família.
O ex-ministro também reforçou que considera o processo o espaço adequado para esclarecer os fatos e para exercer o direito de defesa. Ele não detalhou o conteúdo do que pretende apresentar, mas indicou que fará isso perante um juiz.
Além de negar as acusações, Almeida afirmou que a pauta do enfrentamento à violência contra mulheres teria sido utilizada de maneira distorcida por interesses políticos. Na avaliação do ex-ministro, haveria atores que, sem resultados ou propostas, buscariam transformar o episódio em instrumento para atacar adversários e criar narrativa eleitoral.
Ele disse que acompanha “movimentações previsíveis” e apontou que uma pessoa poderia ser incriminada injustamente para ser retirada do cenário público. O ex-ministro não citou nomes, nem indicou grupos específicos.
Na declaração, o ex-ministro também associou a forma como foi afastado do governo a um contexto de racismo estrutural. Para ele, a imagem de homens negros seria frequentemente vinculada a estereótipos de agressividade e falta de controle, o que, segundo sua argumentação, teria influenciado a reação pública ao caso.
Almeida afirmou que o modo como foi retirado do cargo teria sido “violento e injusto” e que esse contexto mereceria atenção. Ele reforçou que entende haver um componente racial na forma como a denúncia repercutiu.
Silvio Almeida também criticou a imagem de que seria um “homem poderoso”, narrativa que, segundo ele, foi associada ao seu nome após as reportagens. Ele argumentou que alguém com esse suposto poder não seria demitido em cerca de 24 horas, sem oportunidade de defesa e antes de uma investigação formal.
O ex-ministro afirmou ainda que foi alvo de “linchamento público” e questionou o que chamou de irresponsabilidade na divulgação do caso. Ele não se referiu diretamente a veículos específicos, mas criticou o que descreveu como falta de critério jornalístico na forma como a situação foi apresentada.
Almeida declarou que, ao longo de cerca de três décadas de atuação profissional, não teria recebido reclamações desse tipo. Ele também disse que, após sua saída do ministério, não houve denúncias apresentadas por instituições onde trabalhou, nem por subordinados com quem atuou.
Para o ex-ministro, ele passou a ser tratado publicamente como assediador apenas depois que as acusações se tornaram públicas. Ele afirmou que pretende responder às acusações no processo judicial e que é lá que, na sua visão, a verdade será apurada.
Em novembro do ano passado, a Polícia Federal (PF) indiciou Silvio Almeida por importunação sexual. Desde então, o caso permanece em tramitação no STF sob sigilo.
O ministro André Mendonça é o relator do processo no Supremo. Por estar sob sigilo, detalhes da investigação e dos elementos reunidos não são publicamente acessíveis.
No vídeo divulgado nesta terça, Silvio Almeida encerrou reafirmando que seus “verdadeiros adversários” seriam o racismo, a violência e a desigualdade, e que pretende manter sua atuação contra esses problemas.
Fonte: UrbNews
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