Literatura em Paraty
Por REDAÇÃO
27 de julho de 2026 às 18:18 ▪ Atualizado há 2 horas
A 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) encerrou a programação com público estimado em 40 mil pessoas, de 22 a 26 de julho, de acordo com o balanço divulgado pela organização. O número representa um aumento de 5 mil participantes em relação ao ano anterior, mesmo com uma redução significativa no aporte privado.
Entre 2025 e 2026, os recursos vindos de investimento privado — incluindo valores obtidos por leis de incentivo e repasses diretos — caíram de R$ 10,1 milhões para R$ 5,25 milhões. Ainda assim, a equipe do evento celebrou a alta circulação no Centro Histórico e a movimentação constante nas ruas da cidade durante os dias de festival.
A organização informou também que segue em processo de captação para fechar os custos desta 24ª edição até dezembro.
O crescimento de público foi apontado como um dos principais indicadores de sucesso da Flip 2026. Segundo a avaliação do evento, a ocupação intensa de espaços públicos e privados reforçou a capacidade do festival de atrair leitores, autores e turistas, mesmo em um cenário de menor participação do setor privado no financiamento.
A programação, distribuída em diferentes pontos de Paraty, contribuiu para espalhar o fluxo de visitantes e intensificar a presença do festival no cotidiano da cidade ao longo do período.
Neste ano, a Flip escolheu como homenageada a poeta Orides Fontela (1940–1998). A decisão foi apresentada como uma forma de reconhecer a relevância de uma obra que, por muito tempo, permaneceu pouco acessível ao grande público — tanto durante a vida da autora quanto após sua morte.
A homenagem também teve o objetivo de ampliar o contato de novos leitores com a poesia de Orides, reposicionando sua produção no debate literário contemporâneo e na memória cultural brasileira.
A programação oficial contou com 21 mesas no chamado programa principal, além de uma série de atividades paralelas que ocuparam diversos espaços em Paraty. A proposta, segundo a organização, foi manter um calendário abrangente, com encontros, conversas e ações culturais distribuídas ao longo dos dias.
O festival também reforçou a convivência entre debates literários e a experiência urbana da cidade histórica, um dos traços característicos da Flip.
Um dos movimentos de destaque na edição de 2026 foi a expansão das Casas Parceiras, que passaram de 35 para 46. Esses espaços, com programação gratuita, ampliaram as possibilidades de acesso e diversificaram o roteiro de eventos fora do palco principal.
Entre os convidados presentes nas Casas Parceiras estiveram nomes como Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Cidinha da Silva, Paulliny Tort, Socorro Acioli, a ministra Cármen Lúcia, Milton Hatoum, Carla Madeira e Itamar Vieira Junior.
A ampliação do circuito de atividades gratuitas foi apontada como um fator relevante para a circulação de público e para a ocupação cultural da cidade, com oferta de debates e encontros em diferentes horários.
Em sintonia com a trajetória de invisibilização associada à autora homenageada, a programação trouxe discussões voltadas ao apagamento histórico de escritoras. Um exemplo foi a mesa inspirada no livro Inesquecíveis: Quatro Séculos de Poetas Brasileiras, publicado pela Bazar do Tempo, que reuniu a autora Ana Rüsche.
A obra apresenta um panorama da poesia escrita por mulheres no Brasil, do século 18 às primeiras décadas do século 21, destacando como diferentes autoras enfrentaram barreiras de reconhecimento e permanência no cânone literário.
A presença de convidados de outros países foi outra marca da Flip 2026, com uma diversidade geográfica mais ampla, segundo a curadoria. A organização associou essa característica a um tema recorrente na edição: experiências de deslocamento, desenraizamento e instabilidade, conectadas tanto ao ambiente político do presente quanto à natureza da linguagem poética.
Entre os nomes que exemplificaram essa linha, esteve Hisham Matar, nascido nos Estados Unidos e de origem líbia. O autor carrega em sua trajetória pessoal o impacto do sequestro do pai, mantido em prisão devido à oposição ao regime de Muammar Gaddafi.
Outro destaque foi a luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, que mobiliza em sua obra a experiência diaspórica africana e os efeitos da circulação entre territórios e identidades.
Fora do programa principal, a ativista Angela Davis integrou a programação paralela em uma mesa realizada no Sesc Caborê, em Paraty. A participação foi tratada como um dos pontos de maior atenção do público, reforçando o interesse da Flip por temas sociais e políticos articulados ao campo cultural.
No programa principal, a lista internacional incluiu ainda a mauriciana Nathacha Appanah, a congolesa Ève Guerra, a argentina Julieta Correa, a catalã Eva Baltasar, a alemã Carmen Stephan, a inglesa Zadie Smith, o argelino Kamel Daoud e o guatemalteco Eduardo Halfon.
Fonte: Agência Brasil
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