Prevenção à violência
Por Admin
06 de abril de 2026 às 13:00
Em áreas de Fortaleza marcadas por maiores vulnerabilidades sociais, uma rotina diferente tem se repetido: crianças e jovens chegando para aulas, educadores recebendo as turmas e atividades que estimulam disciplina, criatividade e convivência. Esse cenário é impulsionado pelo Núcleo de Ação pela Paz (Napaz), iniciativa do Governo do Ceará voltada à prevenção da violência e ao fortalecimento de vínculos comunitários.
O Napaz integra o Programa Integrado de Prevenção e Redução da Violência (PReVio) e atende crianças, adolescentes e jovens de 8 a 24 anos. A proposta é combinar oportunidades de formação cultural e esportiva com acolhimento e acompanhamento especializado, oferecendo um ambiente protegido para desenvolvimento pessoal e social.
Mais do que um equipamento público, o Napaz opera como ponto de encontro para quem busca alternativas de lazer, aprendizagem e convivência. As atividades são realizadas em territórios considerados prioritários, com foco em reduzir vulnerabilidades e ampliar perspectivas de futuro para o público atendido.
Na prática, o projeto reúne oficinas regulares e ações comunitárias, estimulando a chamada cultura de paz. A estratégia aposta na prevenção por meio do fortalecimento de habilidades socioemocionais, do senso de pertencimento e da criação de redes de apoio no próprio território.
A programação inclui modalidades como karatê, capoeira, dança, teatro, graffiti e danças urbanas. A diversidade de linguagens busca alcançar diferentes perfis de participantes, com atividades que trabalham concentração, expressão corporal, disciplina e colaboração.
Desde abril de 2024, o Napaz já beneficiou mais de 1.500 pessoas, distribuídas em dezenas de turmas nas áreas atendidas. Educadores relatam que os resultados aparecem não apenas no aprendizado técnico, mas também na forma como os jovens se comunicam e se posicionam no dia a dia.
O educador social Mariano Penha, responsável por oficinas de graffiti, afirma que famílias têm percebido mudanças em casa, incluindo relatos sobre jovens neurodivergentes que passam a explorar habilidades para além do que era esperado. Segundo ele, a atividade também se torna um canal para transformar sentimentos em linguagem artística e expressão.
Nas aulas de dança, a educadora social Maria Júlia observa evolução na mobilidade, na coordenação motora e na comunicação das participantes. Ela aponta que a prática ajuda a equilibrar a rotina muitas vezes dominada pelo uso do celular, abrindo espaço para movimento, socialização e desenvolvimento de linguagem.
Para responsáveis, o engajamento dos filhos é um dos sinais mais claros de impacto. Susany da Silva, mãe de duas crianças atendidas pelo projeto, conta que as filhas passaram a se organizar para não perder as atividades, conciliando estudos e as aulas. Para ela, o compromisso das crianças com a programação indica uma mudança positiva no comportamento e na motivação.
Além da participação, o Napaz busca estimular o protagonismo juvenil ao oferecer espaços de escuta e de construção de projetos de vida. A ideia é que adolescentes e jovens sejam agentes ativos no próprio desenvolvimento, identificando talentos e ampliando repertórios culturais e sociais.
O trabalho não se limita às oficinas. O Napaz também disponibiliza acompanhamento psicossocial com escuta qualificada e atendimentos individualizados. Desde o início das atividades, já foram contabilizados mais de 1.100 atendimentos, conduzidos por equipes multiprofissionais.
As ações são articuladas com famílias, escolas e a rede de proteção sociocomunitária, buscando respostas integradas para demandas que envolvem convivência familiar, desafios escolares e questões emocionais. O objetivo é garantir um cuidado contínuo, ajustado às necessidades de cada participante.
De acordo com a gerente do projeto, Marília Goya, o Napaz atua como um ponto de integração de iniciativas de prevenção à violência nos territórios atendidos. Ela destaca que a combinação entre oficinas e acompanhamento especializado amplia oportunidades e oferece novas perspectivas para crianças, adolescentes e jovens.
A primeira sede entregue foi a do Vicente Pinzón, já em funcionamento. Além disso, o projeto está presente em outros territórios prioritários da capital, como Cais do Porto, Granja Lisboa, Curió, Lagoa Redonda, Barra do Ceará e Jangurussu.
Em locais onde as unidades ainda estão em implantação, equipes do Napaz realizam atividades descentralizadas em espaços comunitários e equipamentos públicos. A medida busca reduzir barreiras de acesso e garantir que a oferta de oficinas e serviços chegue a quem mais precisa.
A expectativa do Governo do Ceará é que, até 2026, aproximadamente 2.400 crianças, adolescentes e jovens sejam atendidos pelo projeto, ampliando a presença do Napaz e consolidando a estratégia de prevenção e cuidado nos territórios.
O efeito do Napaz na vida de moradores de Fortaleza também foi abordado no 21º episódio da série publieditorial “Cuidar das pessoas, transformar vidas”, produzida pela Urbnews. A iniciativa apresenta histórias de pessoas impactadas por programas recentes do Governo do Ceará.
Os episódios são divulgados com vídeos completos no canal de YouTube da Urbnews e recebem distribuição em diferentes plataformas, incluindo redes sociais e mídia digital out of home (DOOH), além de conteúdo contextualizado no portal.
Fonte: UrbNews