O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) entregou o cargo na segunda-feira (23), durante uma solenidade no Palácio Guanabara. A cerimônia teve apresentação da cantora gospel Midian Lima e marcou o encerramento de mais de cinco anos de Castro à frente do Executivo estadual.
No discurso de despedida, ele afirmou que pretendia seguir na vida política e disputar uma vaga no Senado. Pela regra eleitoral, a desincompatibilização do cargo deveria ocorrer até 4 de abril para quem planeja concorrer no próximo pleito.
Um dia depois da renúncia, na terça-feira (24), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou o ex-governador por abuso de poder político e econômico. Com placar de 5 votos a 2, a Corte declarou Castro inelegível, o que o impede de participar de eleições pelos próximos oito anos.
Renúncia foi anunciada em cerimônia no Palácio Guanabara
A saída do governo ocorreu em um evento oficial na sede do Executivo estadual. A programação incluiu participação de Midian Lima, cantora reconhecida no meio gospel, e foi tratada como um ato de encerramento do período de Castro no comando do estado.
Na ocasião, o ex-governador disse que deixava a função de forma “grata” e sinalizou a intenção de buscar um novo mandato eletivo. A fala foi interpretada como confirmação de seu plano de concorrer ao Senado.
TSE condena Cláudio Castro e impõe inelegibilidade por oito anos
A decisão do TSE tomada na terça-feira (24) muda o cenário para o futuro político do ex-governador. A condenação por abuso de poder político e econômico resulta em inelegibilidade por oito anos, sanção que inviabiliza, na prática, a candidatura ao Senado em 2026, caso o entendimento seja mantido.
O julgamento ocorreu logo após a renúncia. Castro deixou o posto na véspera de a Corte analisar o caso.
Entenda o caso: contratações na Ceperj e na Uerj
O processo envolve suspeitas relacionadas a contratações consideradas irregulares na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
As acusações tratam de possíveis práticas que, segundo a ação julgada, caracterizariam uso indevido de estruturas e recursos com impacto político e econômico. A decisão do TSE reconheceu a configuração do abuso, conforme o resultado final do julgamento.
MP apontou saques em dinheiro vivo que somam mais de R$ 240 milhões
De acordo com reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o Ministério Público identificou retiradas em espécie feitas em caixas eletrônicos que, somadas, ultrapassariam R$ 240 milhões. Essas movimentações são citadas no contexto das apurações envolvendo as contratações sob suspeita.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver órgãos ligados ao governo do estado e por ocorrer em meio ao debate sobre uso de programas e estruturas administrativas em períodos de interesse eleitoral.
Ex-governador nega as acusações
Cláudio Castro nega todas as irregularidades mencionadas no processo. A defesa sustenta que não houve abuso de poder político ou econômico e contesta as conclusões apresentadas na ação que levou ao julgamento no TSE.
Com a condenação e a declaração de inelegibilidade, o ex-governador fica impedido de se registrar como candidato enquanto a sanção estiver em vigor, o que afeta diretamente os planos eleitorais anunciados em sua despedida.
O desdobramento do caso deve continuar sendo acompanhado, já que decisões dessa natureza podem influenciar alianças partidárias e a reorganização de candidaturas no Rio de Janeiro para os próximos ciclos eleitorais.