Uma nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (20), mostra aumento na parcela do eleitorado que acredita na recondução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto nas eleições de 2026. Segundo o levantamento, 55% dos entrevistados dizem esperar que Lula vença a disputa e seja reeleito.
Na medição anterior, realizada em abril, essa percepção era menor: 49% afirmavam acreditar na reeleição do petista. A mudança representa uma alta de seis pontos percentuais na comparação entre os dois levantamentos.
Expectativa de vitória de Lula cresce em relação a abril
O resultado divulgado pela Quaest trata da expectativa do eleitorado sobre quem deve vencer a eleição presidencial de 2026, e não de intenção de voto. Ainda assim, os dados indicam uma tendência de fortalecimento da crença na permanência de Lula no cargo por mais um mandato.
O crescimento registrado de abril para julho sugere que, para uma parte relevante dos entrevistados, Lula chega ao próximo ciclo eleitoral com vantagem percebida. A pesquisa não detalha, nesse recorte, os motivos para a mudança de avaliação, mas evidencia uma alteração no humor do eleitorado sobre o desfecho provável do pleito.
Flávio Bolsonaro perde espaço: expectativa cai para 25%
No sentido oposto, a pesquisa aponta queda na proporção de entrevistados que veem o senador Flávio Bolsonaro como provável vencedor de uma eleição presidencial em 2026. Agora, 25% dizem acreditar que ele seria eleito presidente.
Em abril, essa taxa era de 32%. A diferença indica recuo de sete pontos percentuais no período.
Além desses dois nomes, 4% afirmaram considerar que outro candidato venceria a eleição. Já 16% não souberam responder ou preferiram não opinar, mostrando um contingente ainda indeciso quando a pergunta é sobre projeção de vitória.
Polêmicas recentes repercutem e afetam a imagem do senador
O levantamento é divulgado em um momento em que Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste público após episódios recentes que ganharam repercussão. De acordo com informações que circularam nas últimas semanas, áudios vazados em maio teriam mostrado o senador cobrando dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que é investigado no caso do Banco Master.
Outro ponto que gerou reação negativa envolveu declarações relacionadas às tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Na ocasião, Flávio disse que o governo de Donald Trump deveria esperar a conclusão das eleições antes de reavaliar as medidas, argumentando que a imposição das tarifas poderia acabar favorecendo eleitoralmente Lula.
Esses episódios se somam a um cenário de disputa antecipada de narrativas sobre 2026, em que falas e posicionamentos públicos tendem a ter impacto direto na imagem dos potenciais concorrentes.
Como foi feita a pesquisa Quaest
A pesquisa foi realizada presencialmente com 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de julho. O levantamento tem nível de confiança de 95%.
O estudo foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-07181/2026. Como em levantamentos desse tipo, os resultados retratam a percepção dos entrevistados no período da coleta e podem variar conforme o contexto político e econômico e a dinâmica do noticiário.
O que os números indicam para o cenário de 2026
A distância entre os dois principais percentuais — 55% para Lula e 25% para Flávio Bolsonaro — aponta uma vantagem significativa do atual presidente na percepção de vitória do eleitorado, ao menos neste momento. A presença de 16% de entrevistados sem resposta, por outro lado, reforça que há espaço para mudanças conforme novos nomes ganhem tração, alianças sejam definidas e o debate eleitoral se intensifique.
Embora a pesquisa não trate diretamente de candidaturas confirmadas ou de intenção de voto, o dado de “quem deve ganhar” costuma ser acompanhado de perto por partidos e lideranças políticas, por sinalizar expectativas e possível efeito “voto útil” mais adiante.
Com o calendário eleitoral ainda distante, os próximos meses devem ser marcados por reposicionamentos, tentativas de reduzir rejeição e disputas por protagonismo. A nova divulgação da Quaest, entretanto, já oferece um retrato relevante: cresceu a percepção de que Lula tem caminho aberto para tentar a reeleição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em queda nesse mesmo indicador.