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HIV e Aids: novos casos e mortes caem, mas corte de verba preocupa

As novas infecções por HIV e as mortes relacionadas à Aids atingiram os menores níveis globais em 2025, apontam relatórios divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids). No entanto, a organização

Por REDAÇÃO

27 de julho de 2026 às 19:03 ▪ Atualizado há 3 horas


HIV e Aids: novos casos e mortes caem, mas corte de verba preocupa

As infecções por HIV e as mortes associadas à Aids chegaram aos patamares mais baixos no mundo em 2025, segundo relatórios publicados nesta segunda-feira (27) pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). Apesar do avanço, a agência da ONU avalia que a tendência positiva corre risco devido à diminuição do dinheiro destinado a prevenção e atendimento.

Os dados foram apresentados às vésperas da 26ª Conferência Internacional de Aids, maior encontro global sobre o tema, que teve início nesta segunda (27) no Rio de Janeiro. Esta é a primeira vez que o evento ocorre no Brasil.

Queda global de infecções e óbitos em 2025

De acordo com o Unaids, o planeta contabilizou 1,2 milhão de novas infecções por HIV. O número representa uma redução de cerca de 40% na comparação com 2010, indicando melhora consistente na resposta à epidemia.

Já as mortes relacionadas à Aids somaram 570 mil no ano passado, também no menor nível global registrado.

Ao mesmo tempo, o relatório aponta sinais de alerta: houve aumento de novos casos em 21 países e em três regiões do mundo. O Brasil está entre os países com alta de infecções recentes. Segundo o Unaids, como resposta a esse crescimento, o acesso a medicamentos de prevenção aumentou 41% no país.

Fim da Aids até 2030 é possível, diz Unaids

A diretora-executiva do Unaids e subsecretária-geral das Nações Unidas, Winnie Byanyima, afirmou que encerrar a epidemia de Aids deixou de ser apenas uma meta distante e passou a ser um objetivo viável. Para ela, o cenário atual é impulsionado por inovações científicas, com destaque para a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de longa duração.

Esse tipo de PrEP pode proteger pessoas não infectadas por até seis meses, ampliando a capacidade de prevenção em larga escala. Ainda assim, Byanyima ressaltou que a ciência, sozinha, não garante o fim da epidemia.

Na avaliação do Unaids, a principal barreira é o acesso desigual: medicamentos e tecnologias continuam indisponíveis para grande parte de quem precisa, seja por preço, estrutura do sistema de saúde ou limitações de financiamento.

PrEP injetável: 20 milhões precisam ter acesso, estima a ONU

O Unaids calcula que 20 milhões de pessoas devem ter acesso à PrEP injetável de longa duração para que o mundo consiga cumprir a nova meta de encerrar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030. O compromisso foi reforçado recentemente por países-membros das Nações Unidas.

Para avançar, a organização defende medidas voltadas à redução de custos e à ampliação da oferta, como preços mais baixos, concorrência com medicamentos genéricos, produção regional, transferência de tecnologia e incorporação rápida dessas soluções aos programas nacionais.

Segundo a diretora-executiva, a etapa científica já está em andamento — agora, a decisão passa pelo campo político. O recado central do Unaids é que a questão deixou de ser “se” é possível acabar com a Aids, mas “se” os governos e financiadores escolherão fazê-lo.

Corte de financiamento ameaça prevenção e tratamento

O relatório também chama atenção para a queda nos recursos voltados à resposta ao HIV, especialmente nos países de baixa renda. Em 2025, o Overseas Development Assistance (ODA), considerado o principal mecanismo de apoio externo a essas nações, recuou 23%, com impacto direto nos programas de HIV.

Em alguns países africanos, esses repasses sustentam mais de 90% das ações relacionadas à epidemia. Na prática, a redução de verbas compromete tanto a chegada de novas estratégias de prevenção quanto a continuidade do tratamento de quem já vive com o vírus.

Os dados de 2025 indicam que uma em cada cinco pessoas vivendo com HIV no mundo não estava em tratamento. Entre crianças, o cenário é mais grave: a falta de acesso à terapia chega a quase metade desse grupo, segundo o Unaids.

Criminalização e estigma ampliam vulnerabilidade ao HIV

Outro ponto destacado é o avanço de políticas e práticas discriminatórias, sobretudo contra pessoas LGBTI+ e outros grupos mais expostos ao HIV, como trabalhadores sexuais e pessoas que usam drogas.

O Unaids afirma que, pela primeira vez, a criminalização de relações entre pessoas do mesmo sexo aumentou em 2025, em vez de cair. Ao todo, 66 países mantêm esse tipo de punição.

A organização identificou ainda 14 países que criminalizam pessoas trans. Além disso, o relatório menciona que 168 nações proíbem diferentes aspectos do trabalho sexual e que 152 punem a posse de pequenas quantidades de drogas.

Na avaliação do Unaids, esse contexto afasta populações vulneráveis dos serviços de saúde. O receio de prisão, violência, discriminação e estigma faz com que muitas pessoas evitem testagem, prevenção e tratamento, favorecendo a transmissão do HIV.

Para a agência, a resposta à epidemia passa necessariamente pela garantia de direitos e pelo combate a barreiras legais e sociais que impedem o cuidado.

Fonte: Agência Brasil



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