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Polícia desarticula quadrilha que roubava medicamentos contra o câncer e movimentou mais de R$ 33 milhões

Operação Metástase cumpre mandados em quatro estados; grupo revendia remédios roubados para hospitais privados e até por meio de licitações públicas

Por Ana Cecilia de Carvalho Paiva

21 de julho de 2026 às 09:14 ▪ Atualizado há 6 horas


Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Metástase para desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto valor. Segundo as investigações, a quadrilha movimentou mais de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026.

A ação é coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e cumpre dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense e também em endereços localizados nos estados de São Paulo, Goiás e Pará.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo utilizava cerca de 25 empresas de fachada para recolocar os medicamentos roubados no mercado. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados ao esquema criminoso.

As investigações apontam que a organização participou de pelo menos 20 roubos de cargas nos últimos seis meses. Após os crimes, os medicamentos eram levados para áreas dominadas pela facção Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, onde eram armazenados e posteriormente distribuídos para receptadores em diversos estados.
Ainda conforme a polícia, a quadrilha possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções entre os responsáveis pelos assaltos, logística, movimentação financeira e suporte territorial. O grupo também aliciava funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas e cargas de medicamentos.

Os investigadores descobriram que os remédios eram revendidos para hospitais privados e, em alguns casos, reinseridos em instituições públicas de saúde por meio de licitações, com preços abaixo do mercado para ocultar a origem ilícita dos produtos.

A Polícia Civil alertou que o esquema representava um grave risco à saúde pública, já que medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem rigoroso controle de temperatura e armazenamento, o que pode ser comprometido após os roubos.
A Operação Metástase conta com o apoio de equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Core, Secretaria de Segurança Pública e da Rede Cargas, vinculada ao Ministério da Justiça. As investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos e rastrear os recursos obtidos pela organização criminosa.



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