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Pesquisa com usuários do Grindr aponta desafio de acesso à PrEP no Brasil

Uma pesquisa realizada com usuários do aplicativo de relacionamentos Grindr em 10 países alertou nesta segunda-feira (27) que mesmo o elevado conhecimento sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) como forma de prevenção ao HIV ainda não se traduz em u

Por REDAÇÃO

27 de julho de 2026 às 18:16 ▪ Atualizado há 2 horas


Pesquisa com usuários do Grindr aponta desafio de acesso à PrEP no Brasil

Mesmo com ampla informação sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), a adesão ao método ainda está longe do esperado. É o que indica um levantamento internacional com usuários do aplicativo de relacionamentos Grindr, divulgado nesta segunda-feira (27), que aponta o acesso à prevenção como o principal obstáculo para reduzir novas infecções por HIV.

O relatório, chamado Closing the Gap (“Fechando a Lacuna”), avaliou respostas de 18.287 pessoas em 10 países e identificou um padrão recorrente: o percentual de quem conhece a PrEP é significativamente maior do que o de quem efetivamente utiliza a estratégia de prevenção.

Brasil lidera distância entre conhecimento e uso da PrEP

No recorte brasileiro, o contraste é evidente. Entre os participantes no país, 72% afirmaram saber o que é a PrEP, mas apenas 28% disseram fazer uso do método.

Quando a análise se volta para a PrEP sob demanda — modalidade em que o esquema de comprimidos é usado em torno da relação sexual, e não diariamente — a diferença permanece. Segundo o estudo, 65% afirmaram conhecer essa opção, enquanto 13% relataram já tê-la utilizado.

Os dados foram divulgados pela iniciativa Grindr for Equality, braço do aplicativo voltado a ações sociais, de saúde e de direitos humanos.

Disparidade aparece em todos os países pesquisados

Embora o Brasil tenha registrado o maior descompasso entre familiaridade com o tema e uso da PrEP, a pesquisa aponta que a “lacuna” é relevante em diferentes contextos, independentemente de o conhecimento ser alto ou baixo.

No Reino Unido, que apresentou o maior índice de conhecimento sobre a PrEP (79%), a proporção de usuários que disseram utilizar o método chegou a 35%.

Na Índia, onde o conhecimento sobre a PrEP diária foi o menor entre os países avaliados (28%), o uso relatado também foi reduzido: 7%.

O relatório também destaca que uma em cada quatro pessoas afirmou não usar nenhuma das ferramentas de prevenção listadas no questionário. Outro ponto observado é que a PrEP sob demanda foi menos utilizada do que a PrEP diária em todos os países incluídos no estudo.

O que é PrEP e como funciona

A PrEP é uma estratégia de prevenção ao HIV baseada no uso de antirretrovirais antes de uma possível exposição ao vírus. A lógica é simples: com a medicação no organismo, a chance de o HIV se estabelecer após contato é drasticamente reduzida.

Para pessoas com maior vulnerabilidade, a indicação mais comum é a PrEP diária, em que o comprimido é tomado todos os dias, mantendo proteção contínua.

Já a PrEP sob demanda pode ser considerada quando a pessoa consegue prever a situação de risco e tem tempo para seguir o esquema recomendado, com comprimidos antes e depois da relação sexual.

Mesmo com alta eficácia contra o HIV quando utilizada corretamente, a PrEP não substitui o preservativo. A camisinha segue essencial por também proteger contra outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis e hepatites B e C.

Acesso vira o principal entrave, aponta relatório

Para os autores, o problema central hoje não é apenas conscientizar, mas garantir que a prevenção chegue a quem precisa. O estudo resume a preocupação ao afirmar que o conhecimento é elevado, porém a distância entre saber e usar permanece grande.

Entre os fatores que podem influenciar essa dificuldade, o relatório menciona o cenário de diminuição do financiamento internacional voltado à resposta ao HIV, o que pode pressionar políticas públicas, programas de saúde e oferta de serviços.

O documento também defende que reduzir a lacuna exige articulação ampla, envolvendo desde organizações comunitárias e equipes que executam ações no território até ministérios da Saúde, financiadores, prestadores de serviço, indústria farmacêutica e pesquisadores.

Além de questões logísticas e estruturais, o texto chama atenção para barreiras sociais que impactam diretamente a saúde LGBTQ+. Criminalização, estigma, discriminação e o enfraquecimento de espaços comunitários são descritos como determinantes que definem quem consegue acessar prevenção, quem procura atendimento e quem acaba excluído do sistema.

Meta do Grindr for Equality e divulgação na Conferência Internacional sobre AIDS

Na apresentação do estudo, o Grindr for Equality afirmou o compromisso de conectar 10 milhões de pessoas LGBTQ+ a recursos de prevenção ao HIV até 2028. A iniciativa prevê implementação em mais de 50 países.

A publicação do relatório integra a programação da 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, que ocorre no Rio de Janeiro entre 27 e 31 de julho. Esta é a primeira vez que o principal evento internacional focado em prevenção do HIV e tratamento da aids é realizado no Brasil.

Segundo a organização, o encontro reúne lideranças comunitárias, pesquisadores, formuladores de políticas públicas, financiadores, parceiros de saúde pública e inovadores digitais de 23 países.

Fonte: Agência Brasil



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