A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) apresentou nesta terça-feira (17) uma representação ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados contra a deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A iniciativa aponta que a parlamentar teria recorrido a expressões ofensivas ao responder críticas nas redes sociais, em episódio ocorrido no início de março de 2026.
De acordo com o documento protocolado por Zanatta, as manifestações atribuídas a Hilton teriam excedido o que a autora classifica como debate político aceitável, ao adotar um tom considerado incompatível com a urbanidade exigida de integrantes do Parlamento. A reclamação menciona especificamente declarações publicadas em 11 de março de 2026 em plataformas digitais.
O que diz a representação enviada ao Conselho de Ética
No texto encaminhado ao colegiado, Zanatta sustenta que a conduta descrita não se limitaria a discordâncias políticas, mas envolveria ofensas direcionadas a adversários e críticos. A deputada afirma que o mandato parlamentar deve ser exercido com respeito institucional, inclusive quando há confrontos de ideias ou posicionamentos opostos.
A representação cita, entre as expressões atribuídas a Erika Hilton, termos como “transfóbicos e imbecis” e a frase “esgoto da sociedade”, apontadas como exemplos do conteúdo que teria motivado o pedido de apuração.
O Conselho de Ética é o órgão responsável por analisar suspeitas de quebra de decoro na Câmara. Após a apresentação de uma denúncia, cabem etapas internas como a admissibilidade do pedido e, se for o caso, a condução de uma apuração com possibilidade de defesa, relatoria e votação pelos integrantes do colegiado.
Contexto: críticas à presidência de comissão na Câmara
As declarações citadas na denúncia ocorreram após Erika Hilton ser alvo de questionamentos públicos por presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. Segundo o relato apresentado por Zanatta, a deputada do PSOL teria reagido às críticas com linguagem considerada agressiva.
O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e envolveu ataques de adversários políticos. Além disso, a parlamentar também foi contestada publicamente pelo apresentador de televisão Ratinho, que se manifestou sobre o tema.
A presidência de comissões na Câmara costuma ser objeto de disputa entre partidos, e mudanças de comando ou escolhas para esses cargos frequentemente provocam embates. Neste caso, a controvérsia se concentrou na legitimidade e no simbolismo político da indicação de Hilton para liderar o colegiado.
Repercussão e próximos passos
Até a publicação desta reportagem, não havia decisão sobre a representação protocolada por Júlia Zanatta. O processo ainda não tinha um desfecho público informado, e não havia anúncio de medidas iniciais, como a designação de relator ou a definição de calendário.
A deputada Erika Hilton também não havia se pronunciado sobre a denúncia até o momento da divulgação destas informações. Caso a ação avance, a parlamentar poderá apresentar manifestação formal no âmbito do Conselho, conforme os ritos internos aplicáveis.
O tema deve seguir em atenção no Congresso e nas redes sociais, em meio a discussões recorrentes sobre limites de linguagem no debate político, liberdade de expressão de parlamentares e o padrão de civilidade esperado em manifestações públicas de autoridades.
Entenda o papel do Conselho de Ética
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar funciona como instância disciplinar da Câmara dos Deputados. Entre suas atribuições está avaliar condutas que possam ferir as normas de decoro, com base em representações de partidos, da Mesa Diretora ou de parlamentares.
As sanções possíveis variam conforme o entendimento do colegiado e a gravidade do caso, podendo incluir punições como censura e, em situações mais extremas, processos que podem levar à perda de mandato, sempre observados os procedimentos previstos e o direito de defesa.
No caso envolvendo Zanatta e Hilton, a apuração — se admitida — deverá se concentrar no conteúdo das publicações citadas e no enquadramento do episódio às regras internas da Câmara, especialmente no que diz respeito à conduta e ao decoro parlamentar em ambientes digitais.