Bastidores de Brasília

Política

Temer diz que impopularidade ajudou a aprovar reformas no governo

O emedebista também disse que sua impopularidade durante o mandato facilitou a aprovação de reformas “necessárias” ao país

O ex-presidente Michel Temer (MDB) voltou a comentar o período em que comandou o Palácio do Planalto, entre 2016 e 2018. Em entrevista à TV BandNews, ele afirmou que sua passagem pela Presidência foi “necessária” para viabilizar mudanças que, segundo ele, enfrentariam maior resistência em um governo com pretensões eleitorais.

Temer também disse que, atualmente, se considera “popularíssimo”. A declaração veio acompanhada de uma avaliação de que a alta rejeição registrada durante o mandato abriu espaço político para aprovar medidas controversas, pois ele não teria agido com foco em reeleição.

Temer atribui reformas à falta de cálculo eleitoral

Na conversa, Temer argumentou que não precisou orientar decisões com base em ganhos de curto prazo nas pesquisas de opinião. Segundo o ex-presidente, como não planejava disputar uma nova eleição, pôde apoiar projetos que costumam gerar desgaste junto ao eleitorado.

Ele citou como exemplos a atualização das regras trabalhistas, discussões envolvendo Previdência Social e mudanças relacionadas ao Ensino Médio. Na avaliação do emedebista, temas desse tipo são especialmente difíceis de enfrentar por mexerem com direitos e interesses amplos, o que tende a mobilizar oposição.

Temer sustentou que a própria impopularidade do governo, à época, teria contribuído para a execução dessa agenda. Em resumo, ele defendeu que a rejeição funcionou como um “custo” político já assumido, o que reduziria a preocupação com impactos eleitorais imediatos.

Governo Temer teve recorde de baixa aprovação em 2018

O ex-presidente assumiu o cargo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Ao longo do mandato, enfrentou forte desgaste e atingiu um dos piores níveis de avaliação popular já registrados para um governo federal.

Em julho de 2018, uma pesquisa apontou que apenas 3% dos brasileiros classificavam a administração como ótima ou boa. No mesmo levantamento, 82% avaliavam o governo como ruim ou péssimo, números que consolidaram o período como o de maior rejeição na série histórica citada.

Mesmo com esse cenário, Temer afirma que, com o passar do tempo, sua imagem teria mudado. Ao usar o termo “popularíssimo”, ele buscou indicar que hoje seria visto de forma mais favorável do que durante o exercício do mandato.

Crise com a JBS aumentou pressão e levantou hipótese de renúncia

Além da baixa aprovação, o governo também foi atravessado por denúncias e crises políticas. Temer foi citado no caso envolvendo a empresa JBS, episódio que ampliou a instabilidade em Brasília e alimentou especulações sobre a possibilidade de renúncia do então presidente.

O escândalo marcou um dos momentos mais delicados do período, elevando a pressão sobre o Planalto e impactando a relação do governo com o Congresso e com a opinião pública.

MDB lançou Meirelles em 2018 e teve desempenho discreto

Nas eleições presidenciais de 2018, o MDB apostou na candidatura do economista Henrique Meirelles, que havia integrado o governo Temer. A campanha, porém, não ganhou tração suficiente para disputar posições de destaque.

No resultado final, Meirelles ficou na 7ª colocação, com 1,2% dos votos válidos, desempenho considerado abaixo do esperado para um partido com a estrutura e a capilaridade do MDB.

Como Temer busca recontar o legado de 2016 a 2018

Ao revisitar o próprio governo, Temer reforçou a narrativa de que sua gestão teve como marca a aprovação de mudanças estruturais, mesmo em um ambiente de rejeição elevada. Na entrevista, ele associou diretamente a capacidade de aprovar medidas à ausência de um projeto eleitoral pessoal.

O ex-presidente também sinalizou que vê uma reavaliação de seu legado, sugerindo que parte do público teria passado a olhar o período com menos resistência do que quando ele estava no cargo.

As declarações reacendem o debate sobre o balanço político do governo Temer: de um lado, a defesa de reformas consideradas relevantes por seus aliados; de outro, a lembrança de índices históricos de impopularidade e de crises que marcaram a administração até o fim do mandato.