O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a mirar o mercado financeiro ao comentar o volume de recursos destinado ao programa federal Pé-de-Meia. A declaração foi feita nesta quarta-feira (1º), em Fortaleza, durante agenda no novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde o chefe do Executivo participou da inauguração de um bloco e do alojamento estudantil, além de vistoriar obras.
Ao tratar do tema, Lula citou que o programa — sob gestão do Ministério da Educação — recebeu aporte de R$ 18 bilhões. Na avaliação do presidente, a iniciativa tem efeito direto na redução das desigualdades ao incentivar a permanência de estudantes na escola.
Lula associa críticas do mercado ao investimento no Pé-de-Meia
No discurso, Lula afirmou que parte do setor financeiro, especialmente o ambiente ligado à região da Faria Lima, em São Paulo, reagiria de forma negativa ao volume aplicado na política educacional. O presidente ironizou a ideia de que o dinheiro deveria estar no sistema bancário rendendo, em vez de financiar medidas voltadas a estudantes de baixa renda.
Ele também comparou diferentes prioridades de governo, argumentando que administrar para uma parcela restrita da população seria mais simples do que tomar decisões que envolvem escolhas sociais, como priorizar alimentação e educação para quem tem menos condições.
Presidente diz que educação não é “gasto”, mas “investimento”
Outro ponto do pronunciamento foi a defesa de uma mudança de abordagem ao falar sobre políticas educacionais. Para Lula, no governo federal, não se deve tratar educação como despesa, mas como investimento com retorno social e econômico.
Segundo o presidente, a lógica por trás do Pé-de-Meia é ampliar oportunidades para jovens de famílias trabalhadoras, incluindo filhos de trabalhadores e de empregadas domésticas, para que tenham condições mais equilibradas de competir por vagas e trajetórias profissionais no país.
Lula indicou que a medida busca enfrentar desigualdades acumuladas historicamente, ao criar condições para permanência e progressão escolar de quem, muitas vezes, abandona os estudos por dificuldades financeiras.
Agenda em Fortaleza inclui inauguração e vistoria no novo campus do ITA
O presidente esteve no Ceará para cumprir compromissos ligados à implantação do novo campus do ITA em Fortaleza. No local, participou da entrega do alojamento estudantil e da inauguração de um bloco, além de acompanhar o andamento das obras.
O campus foi anunciado em 2023 e é considerado um marco por representar a expansão do ITA para fora do estado de São Paulo. Trata-se do segundo campus da instituição no Brasil e o primeiro instalado em outra unidade da federação.
A agenda federal no estado reforça a estratégia de vincular investimentos em educação e formação tecnológica a projetos de desenvolvimento regional, com a perspectiva de ampliar a oferta de ensino de excelência e criar novas oportunidades para estudantes do Nordeste.
Contexto político: embate com o mercado e foco em políticas sociais
As críticas ao mercado financeiro se inserem em um cenário de debate recorrente sobre prioridades orçamentárias e o peso de programas sociais nas contas públicas. No discurso, Lula reafirmou que ações como o Pé-de-Meia devem ser interpretadas como ferramentas de inclusão, e não apenas como uma linha de custo.
Ao defender o programa, o presidente reforçou o argumento de que a presença do Estado em políticas educacionais é central para reduzir desigualdades e ampliar a mobilidade social. A fala também indicou que o governo pretende sustentar a narrativa de que investimentos em educação e permanência escolar têm impacto direto sobre a capacidade do país de formar mão de obra e aumentar a competitividade no médio e longo prazos.
Com a passagem por Fortaleza, Lula combinou dois temas que vêm marcando seu discurso público: a defesa de políticas educacionais voltadas a estudantes de baixa renda e a crítica à visão de parte do mercado sobre o uso de recursos públicos em ações sociais.