Movimentação partidária

Política

Jade Romero deixa MDB e se filia à União Progressista no Ceará

O anúncio ocorreu nas redes sociais de Jade que destacou o fortalecimento ao nome do governador Elmano de Freitas (PT)

A vice-governadora do Ceará, Jade Romero (UP), anunciou nesta sexta-feira (20) que deixou o MDB e passou a integrar a União Progressista, federação partidária formada por União Brasil e Partido Progressista. A decisão foi divulgada em um vídeo publicado nas redes sociais.

Na gravação, Jade afirmou que a mudança de legenda tem como objetivo ampliar a articulação política dentro da base aliada do governador Elmano de Freitas (PT). A vice-governadora também destacou o apoio de lideranças da federação no estado, entre elas o deputado federal Moses Rodrigues (UP), que informou ser o presidente da União Progressista no Ceará.

Filiação à União Progressista e recado à base de Elmano

Ao explicar a filiação, Jade Romero apresentou o movimento como um passo para fortalecer a cooperação entre partidos que orbitam o Palácio da Abolição. Segundo ela, a chegada à federação pretende somar forças com bancadas e lideranças que já atuam no Ceará.

Entre os nomes citados pela vice-governadora estão os deputados federais Moses Rodrigues, Fernanda Pessoa e AJ Albuquerque, além do deputado estadual Zezinho Albuquerque. Jade também mencionou a intenção de manter o alinhamento político com o projeto liderado por Elmano de Freitas.

A entrada da vice-governadora na União Progressista ocorre em um contexto no qual a federação tenta consolidar sua estratégia eleitoral e sua organização interna no estado, diante de divergências entre grupos locais.

Impasses no Ceará expõem disputa dentro da federação

A troca de partido por Jade também joga luz sobre as tensões que acompanham a criação da federação desde o anúncio nacional feito em agosto de 2025. No Ceará, a situação é particularmente sensível porque setores do União Brasil têm atuação na oposição ao governo estadual.

No cenário cearense, o União Brasil integra um bloco oposicionista junto ao PL. A liderança desse campo é atribuída ao ex-deputado Capitão Wagner, que chegou a se apresentar como presidente da federação no estado e indicou apoio ao nome de Ciro Gomes (PSDB) no tabuleiro local.

Em sentido diferente, Moses Rodrigues e AJ Albuquerque, presidente do Progressistas no Ceará, vêm defendendo publicamente que o desenho eleitoral da federação deve manter proximidade com o governo e trabalhar pela reeleição de Elmano de Freitas.

Com a filiação de Jade Romero, o grupo que busca ancorar a União Progressista na base governista ganha um reforço simbólico: trata-se da vice-governadora em exercício, figura central na estrutura política do Executivo estadual.

Reunião com o governador reforça articulação governista

Na quinta-feira (19), véspera do anúncio de Jade, Elmano de Freitas participou de um encontro político com Moses Rodrigues e AJ Albuquerque. A reunião contou ainda com a presença de integrantes do governo e aliados.

Participaram do encontro os secretários estaduais Chagas Vieira e Zezinho Albuquerque, além do vice-prefeito de Pacatuba, Ésio de Souza (PT). O registro do encontro foi publicado nas redes sociais do governador.

Na legenda da postagem, Elmano escreveu que se tratava de uma “reunião importante” no feriado de São José, associando o encontro à tentativa de apresentar unidade interna. O governador também usou a expressão “União Progressista unido por um Ceará que não para”, em referência ao discurso de continuidade administrativa.

A publicação foi interpretada como um gesto político para consolidar interlocução com quadros da federação e, ao mesmo tempo, sinalizar ao eleitorado e a aliados que existe espaço para convergência, apesar das divergências internas do União Brasil no estado.

Federação aguarda homologação do TSE

Enquanto os grupos locais disputam protagonismo, a União Progressista ainda depende de um passo formal: a homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A expectativa é que o tema seja analisado em sessão marcada para o dia 26 de março.

O aval do TSE foi adiado em diferentes ocasiões. O motivo, segundo o próprio cenário político relatado por lideranças, são as dificuldades de acomodar interesses regionais em vários estados, já que federações exigem atuação conjunta por um período determinado e precisam de alinhamento mínimo para funcionar na prática.

Nos bastidores nacionais, as costuras seguem sob responsabilidade dos presidentes das siglas: Antonio Rueda, pelo União Brasil, e Ciro Nogueira, pelo Progressistas. A condução das negociações busca reduzir atritos e definir comandos estaduais sem romper alianças estratégicas.

No Ceará, a filiação de Jade Romero adiciona um elemento novo ao debate sobre quem efetivamente terá a direção política da federação e qual será sua posição em relação ao governo Elmano e à oposição liderada por nomes do União Brasil alinhados ao PL.

Com a homologação do TSE no horizonte e as articulações avançando, a tendência é que as próximas semanas sejam decisivas para definir o comando local e o rumo eleitoral da União Progressista no estado.