Bastidores do STF

Política

Gilmar se emociona ao homenagear Alexandre de Moraes por 9 anos no STF

O discurso aconteceu no STF e também contou com uma homenagem de Edson Fachin, presidente da Corte

Gilmar Mendes exalta trajetória de Moraes no Supremo

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), prestou homenagem ao ministro Alexandre de Moraes pelos nove anos de atuação na Corte. A manifestação ocorreu na quinta-feira (19), durante sessão do tribunal, e foi marcada por um momento de emoção.

No pronunciamento, Gilmar destacou a presença de Moraes em episódios considerados decisivos para a institucionalidade do país, com ênfase para o período de 2022 e seus desdobramentos. Segundo ele, a atuação do colega foi determinante para conter movimentos que, em sua avaliação, buscavam enfraquecer a ordem democrática.

Referência aos atos de 8 de janeiro

Ao citar o enfrentamento aos ataques de 8 de janeiro, Gilmar Mendes afirmou que Moraes teve papel central ao lidar com as consequências dos atos antidemocráticos. Na visão do decano, a postura adotada pelo ministro ajudou a evitar um cenário de ruptura institucional e de agravamento do autoritarismo.

Durante a homenagem, Gilmar atribuiu à condução do colega a responsabilidade por impedir que o Brasil ingressasse em um ciclo de instabilidade prolongada. Ele ressaltou que o trabalho realizado no período foi acompanhado de forte pressão política e social.

Pressões e custos pessoais citados no discurso

Outro ponto enfatizado por Gilmar Mendes foi o peso pessoal associado à função exercida por Alexandre de Moraes. O decano mencionou que a trajetória do ministro no STF envolve decisões de grande repercussão e custos que, segundo ele, poucos magistrados no mundo suportariam.

No discurso, Gilmar também fez referência à aplicação da Lei Magnitsky pelos Estados Unidos, citando o episódio como exemplo de um dos desafios enfrentados por Moraes no contexto de sua atuação. O ministro não detalhou desdobramentos, mas utilizou o caso para ilustrar a dimensão das pressões sobre o colega.

Momento de emoção e mensagem às futuras gerações

Em determinado trecho, Gilmar Mendes afirmou que o país teria uma “dívida” com Alexandre de Moraes. Ao se emocionar, interrompeu brevemente a fala para beber água e, na sequência, concluiu que o trabalho do ministro tende a ser reconhecido com maior clareza ao longo do tempo.

A cena chamou atenção por ocorrer em plena sessão e por evidenciar a carga simbólica atribuída à atuação de Moraes nos últimos anos, sobretudo em pautas relacionadas à proteção do sistema democrático e ao combate a ações contra as instituições.

Edson Fachin também homenageia Alexandre de Moraes

O presidente do STF, Edson Fachin, também discursou e destacou o desempenho de Moraes em um ambiente que descreveu como de elevada complexidade institucional, política e social. Fachin elogiou a condução firme do ministro diante das tensões recentes e dos desafios enfrentados pelo tribunal.

Na avaliação do presidente da Corte, é dever da República assegurar o funcionamento dos mecanismos de escolha dos governantes e proteger o processo democrático. Fachin defendeu ainda que eventuais violações contra a ordem constitucional devem ser apuradas e responsabilizadas conforme a lei, sem caráter de revanche.

Contexto: nove anos de Moraes no STF

Alexandre de Moraes completou nove anos como ministro do STF, marco que motivou as manifestações de Gilmar Mendes e Edson Fachin. A homenagem ocorreu em meio ao debate público sobre o papel do Supremo em crises institucionais, investigações e medidas relacionadas à defesa do Estado Democrático de Direito.

Nos últimos anos, Moraes esteve à frente de decisões e conduções processuais de grande repercussão, especialmente em casos ligados a ataques às instituições e a ações consideradas antidemocráticas. As falas no plenário reforçaram a leitura, dentro da Corte, de que a atuação do ministro teve impacto direto no enfrentamento das tensões políticas recentes.

A sessão da quinta-feira registrou, assim, um momento de reconhecimento público entre integrantes do tribunal, com elogios à atuação de Moraes e defesa do princípio de responsabilização legal para quem atenta contra a democracia.