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Comissão da Câmara aprova volta de cidade e estado nas placas Mercosul

O texto do deputado Esperidião Amin (PP-SC) aprovado pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara agora segue para CCJ da Casa

A Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei (PL) 3214/23, que prevê o retorno de dados como município e estado de origem dos veículos nas placas, além da inclusão da bandeira da unidade da federação. A medida busca recuperar informações que deixaram de aparecer com a adoção do padrão Mercosul.

A proposta é de autoria do deputado Esperidião Amin (PP-SC) e teve parecer favorável do relator, deputado Hugo Leal (PSD-RJ). A votação ocorreu na terça-feira (14), em reunião do colegiado.

O que muda nas placas se o projeto virar lei

O texto aprovado na comissão estabelece que as placas passem novamente a exibir:

o nome do município de registro do veículo;
a sigla do estado (UF);
a bandeira do estado.

Esses elementos eram tradicionais nas placas antigas e deixaram de constar de forma visível quando o Brasil migrou para o modelo Mercosul, que padronizou o layout.

Justificativa: facilitar identificação e retomar referência regional

Ao defender a proposta, Esperidião Amin argumenta que a volta das informações ajuda a reconhecer mais rapidamente a procedência do veículo, algo que teria sido prejudicado após a mudança para o padrão atual.

Na avaliação do parlamentar, recolocar esses dados pode contribuir para a identificação por parte de cidadãos e também para a percepção de circulação de veículos de outras localidades, já que o município e a UF deixam evidente a origem do automóvel.

Relator diz que medida resgata identidade cultural

O relator Hugo Leal recomendou a aprovação e justificou o voto afirmando que a mudança tende a reforçar o aspecto cultural associado às placas, com impacto na noção de pertencimento regional.

Segundo o deputado, a presença da identificação de origem e da bandeira estadual contribui para que a placa volte a ter caráter identitário e para que moradores reconheçam com mais facilidade veículos que não são da região onde circulam.

Próximos passos do PL 3214/23 na Câmara e no Senado

Com a aprovação na Comissão de Viação e Transportes, o projeto não se torna lei automaticamente. A proposta ainda precisa avançar em outras etapas do processo legislativo.

O texto seguirá para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), responsável por avaliar, entre outros pontos, a constitucionalidade e a técnica legislativa da matéria.

Depois dessa fase, o projeto ainda deverá passar por votação no plenário da Câmara dos Deputados. Se aprovado, seguirá para o Senado Federal. Somente após a aprovação nas duas Casas é que o texto poderá ser encaminhado para sanção da Presidência da República.

Quando a mudança pode entrar em vigor

O projeto estabelece um prazo para que a regra passe a valer, caso seja confirmada em todas as etapas e sancionada. Pela redação aprovada na comissão, a norma entrará em vigor um ano após a publicação da eventual lei.

Esse período funciona como uma janela de adaptação, permitindo que órgãos responsáveis e o mercado se organizem para a implementação do novo padrão com os dados adicionais.

Debate sobre o padrão Mercosul e informações de origem

A adoção das placas no padrão Mercosul no Brasil padronizou elementos visuais e buscou uniformizar a identificação veicular entre países do bloco. Ao mesmo tempo, a mudança eliminou a apresentação explícita do município e da bandeira estadual, o que gerou críticas de parte de parlamentares e de segmentos da sociedade.

O PL 3214/23 se insere nesse contexto ao propor o retorno de informações consideradas, pelos defensores da medida, úteis para o reconhecimento regional e para a identificação imediata da procedência do veículo. O tema deve continuar em debate nas próximas comissões e no plenário, antes de qualquer alteração efetiva no modelo em uso.