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NASA retira tripulação da Orion após pouso no Pacífico em missão Artemis II

Tripulantes da Artemis II deixaram nave espacial duas horas após amerissagem próxima à costa de San Diego e passam por avaliações médicas a bordo de porta-aviões.

A NASA retirou, na noite de sexta-feira (10), os quatro astronautas que estavam a bordo da cápsula Orion, encerrando a missão Artemis II com um resgate no Oceano Pacífico. Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen deixaram a nave por volta das 22h (horário de Brasília), após a amerissagem perto da costa de San Diego, nos Estados Unidos.

Depois de sair da cápsula, a tripulação iniciou os protocolos de pós-missão, incluindo checagens médicas para avaliar a readaptação do corpo à gravidade e possíveis efeitos da reentrada e do voo em espaço profundo.

Resgate no Pacífico e transporte para o USS John P. Murtha

O resgate foi coordenado por equipes da NASA com apoio das forças armadas dos Estados Unidos. A operação começou cerca de duas horas após a amerissagem, quando os profissionais se aproximaram da cápsula flutuando no mar, estabilizaram o veículo e prepararam a retirada segura dos astronautas.

Em seguida, os quatro foram levados de helicóptero até o porta-aviões USS John P. Murtha. No navio, a tripulação passou por novas avaliações médicas e procedimentos padrão de monitoramento, antes do deslocamento final.

A etapa seguinte do retorno prevê o transporte aéreo dos astronautas ao Centro Espacial Johnson, em Houston, onde a NASA concentra a recuperação, entrevistas técnicas e análises de desempenho dos sistemas da missão.

Como foi a reentrada: desaceleração extrema e calor acima de 2.700 °C

A Orion tocou o oceano às 21h07 (horário de Brasília), concluindo a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de cinco décadas. Durante os minutos finais, a cápsula precisou reduzir a velocidade de mais de 40 mil km/h para aproximadamente 32 km/h.

A maior parte dessa queda de velocidade ocorreu na reentrada atmosférica. O contato com o ar, em altíssima velocidade, atua como um freio natural, mas impõe uma condição severa de aquecimento: as temperaturas ao redor do escudo térmico ultrapassam 2.700 °C, exigindo proteção projetada para suportar o pico térmico e preservar a estrutura e a cabine.

Antes da reentrada, a missão seguiu uma sequência de eventos de alta precisão. A separação do módulo de serviço ocorreu às 20h33 (horário de Brasília), deixando o escudo térmico exposto para enfrentar o atrito da atmosfera. Poucos minutos depois, às 20h37, uma queima de motores ajustou o ângulo de entrada, etapa crucial para evitar tanto um “salto” para fora da atmosfera quanto um mergulho excessivamente agressivo.

Às 20h53, quando a cápsula estava a cerca de 122 km de altitude, começou a reentrada propriamente dita. Nesse período, ocorreu também o apagão de comunicação, conhecido em missões desse tipo: o plasma gerado pelo aquecimento ao redor do veículo interfere na transmissão de sinais.

Paraquedas e splashdown: a sequência até o toque no mar

Com a nave já em altitudes mais baixas, a desaceleração passou a depender do sistema de paraquedas. Os paraquedas de frenagem foram acionados às 21h03, quando a cápsula estava a aproximadamente 6,7 km de altitude, reduzindo a velocidade para permitir a fase final com os velames principais.

Às 21h04, a Orion abriu os três paraquedas principais a cerca de 1,8 km de altitude, estabilizando a descida. Três minutos depois, às 21h07, ocorreu o splashdown no Pacífico, com velocidade aproximada de 32 km/h, marco que encerrou a fase crítica do retorno.

O que a Artemis II representa para a NASA e as próximas missões

A Artemis II marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, Wiseman, Glover, Koch e Hansen percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, em um trajeto que a NASA descreve como a maior distância já viajada por seres humanos no espaço.

O objetivo central não era pousar na Lua, ao contrário do que ocorreu em missões históricas do Apollo. A Artemis II foi planejada para validar em ambiente real os elementos essenciais para os próximos passos do programa: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os procedimentos de segurança para voos tripulados além da órbita terrestre.

Além da órbita lunar e do retorno em alta velocidade, a missão reforçou a capacidade da NASA de executar uma das manobras mais complexas da engenharia espacial: sair do entorno da Lua e atingir a Terra no corredor correto de reentrada, equilibrando precisão orbital, proteção térmica e tolerâncias humanas.

Com a conclusão da Artemis II, a agência avança para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão tem como meta levar astronautas novamente à superfície lunar e incluir a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua. No plano de longo prazo, a Lua é tratada como base de testes para tecnologias e operações que devem sustentar projetos ainda mais ambiciosos, como futuras viagens a Marte.

Ao consolidar sistemas, protocolos e desempenho em voo, a Artemis II inaugura uma nova etapa da exploração espacial tripulada, com foco em permanência, desenvolvimento tecnológico e expansão das fronteiras de atuação humana no espaço.