Corrida lunar

Mundo

Cápsula Orion volta à influência da Terra e avança na missão Artemis II

A missão da Artemis II é baseada na missão não tripulada Artemis I, de 2022, que foi considerada bem sucedida

A cápsula Orion, veículo da Nasa projetado para levar astronautas em missões além da órbita terrestre, voltou a ficar sob predominância da gravidade da Terra às 14h28 desta terça-feira (7). O marco representa mais um passo importante no roteiro da missão Artemis II, que realiza um trajeto de observação ao redor da Lua e prepara o caminho para futuras operações tripuladas no programa lunar.

Segundo as informações divulgadas pela agência, o retorno à “área de influência” do nosso planeta ocorre após a nave executar a passagem pelo entorno lunar e iniciar o caminho de volta. Na prática, isso indica que a atração gravitacional terrestre voltou a superar a lunar na dinâmica do voo, consolidando a fase de retorno.

Como foi a passagem da Orion pela Lua

A tripulação entrou no campo gravitacional da Lua na madrugada de segunda-feira (6). A aproximação culminou no ponto de maior proximidade em relação à superfície lunar, etapa usada para ajustar a trajetória e iniciar o retorno em um perfil conhecido como “retorno livre”.

Esse tipo de trajetória é planejado para conduzir naturalmente a espaçonave de volta à Terra após o sobrevoo, usando a mecânica orbital a favor da missão. Em outras palavras, o caminho é desenhado para que a nave “pegue impulso” na gravidade lunar e siga de volta ao planeta com alta previsibilidade, reduzindo a dependência de manobras complexas durante a fase crítica do voo.

Comunicação interrompida no lado oculto

Durante o período em que a Orion passou pelo lado oculto da Lua, a comunicação com o controle em Terra ficou temporariamente indisponível. A interrupção é esperada nesse tipo de passagem porque a própria Lua bloqueia a linha de visada entre a nave e as antenas terrestres.

Assim que a cápsula voltou a “aparecer” do outro lado, o contato foi restabelecido. A retomada do sinal permite o monitoramento contínuo dos sistemas de bordo e o acompanhamento do desempenho do veículo em tempo real.

Quem está a bordo da missão Artemis II

A missão é tripulada por três astronautas da Nasa: Reid Wiseman, Victor Glover e Cristina Koch. O grupo é completado por Jeremy Hansen, astronauta da Agência Espacial Canadense (CSA), reforçando a cooperação internacional no programa Artemis.

A presença de um representante do Canadá integra os acordos de parceria que sustentam a arquitetura do programa lunar, que envolve colaboração em tecnologias, operações e futuras infraestruturas de exploração.

Próximos passos: correções de trajetória

Com a nave já seguindo a rota de retorno, a Nasa prevê o acionamento dos propulsores para ajustes finos no caminho até a Terra. De acordo com a agência, a primeira de três manobras de correção está programada para 21h03.

Essas intervenções têm como objetivo refinar a trajetória e garantir que a Orion mantenha o corredor de retorno esperado, alinhando parâmetros como velocidade, orientação e ponto de entrada planejado nas etapas finais da viagem.

Por que a Artemis II é considerada um marco

A Artemis II se baseia nos resultados da Artemis I, missão não tripulada realizada em 2022 e considerada bem-sucedida pela Nasa. Naquele voo, a Orion testou sistemas essenciais sem tripulação, validando desempenho estrutural, navegação e operação em ambiente de espaço profundo.

Agora, a Artemis II adiciona o elemento humano ao conjunto de testes, elevando o nível de exigência sobre segurança, redundância e confiabilidade. Trata-se também da primeira missão da Nasa com astronautas a bordo usando o foguete Space Launch System (SLS) e a própria cápsula Orion, combinação central para os próximos passos da estratégia norte-americana de retorno à Lua.

O avanço no retorno ao campo de influência da Terra sinaliza que a missão segue dentro do planejamento e mantém o foco principal: consolidar procedimentos, treinar operações e demonstrar capacidades que serão necessárias para missões lunares mais ambiciosas nos próximos anos.