Saúde reprodutiva

Maranhão

Oficinas do Implanon chegam ao MA e vão capacitar 440 profissionais

O estado já recebeu 11.511 unidades do implante, e a nova etapa foca em qualificar médicos e enfermeiros de municípios com menos de 50 mil habitantes

O Governo Federal deu início à segunda etapa de oficinas voltadas à qualificação de profissionais para ampliar a oferta do Implanon na rede pública de saúde. No Maranhão, a capacitação está marcada para São Luís, nos dias 13 e 14 de maio, com a previsão de preparar 440 profissionais que atuam na Atenção Primária.

O Implanon é um implante subdérmico de etonogestrel utilizado como método contraceptivo de longa duração. A proposta do novo ciclo é consolidar a inserção e a retirada do dispositivo no Sistema Único de Saúde (SUS), combinando treinamento técnico com abordagem ampliada sobre saúde sexual e reprodutiva.

Capacitação em São Luís mira municípios menores

De acordo com o planejamento da etapa atual, a prioridade é qualificar médicos e enfermeiros de cidades com menos de 50 mil habitantes. A estratégia busca reduzir desigualdades de acesso e apoiar a estruturação do serviço em localidades onde, em geral, há maior dificuldade para incorporar procedimentos especializados na rotina das unidades.

O Maranhão já recebeu 11.511 unidades do implante, segundo os dados divulgados. Com o avanço do treinamento, a expectativa é que mais equipes estejam aptas a oferecer o método de forma segura e integrada ao cuidado em planejamento reprodutivo.

Como funciona o treinamento para médicos e enfermeiros

O curso é dividido por categoria profissional e combina atividades teóricas e práticas. Para enfermeiros, a carga prevista é de 12 horas. Para médicos, são 6 horas de formação.

Além do conteúdo técnico, a capacitação inclui prática com simuladores, etapa considerada essencial para aumentar a segurança no procedimento e padronizar condutas. Entre os pontos trabalhados estão a técnica de inserção do implante e as orientações relacionadas à retirada do dispositivo.

A formação também incorpora discussões sobre direitos reprodutivos e dignidade menstrual, ampliando o foco para além da execução do procedimento. A diretriz é que a oferta do método esteja alinhada ao acolhimento, à escuta qualificada e ao respeito às escolhas informadas das usuárias.

Meta nacional prevê 1,3 milhão de unidades em 2026

O Ministério da Saúde projeta, para 2026, a distribuição de 1,3 milhão de unidades do método em todo o país. A previsão reforça o esforço de ampliação do acesso a contraceptivos de longa duração no SUS e a integração dessas opções às políticas de planejamento familiar.

Com maior disponibilidade e equipes treinadas, a expectativa é fortalecer a autonomia das mulheres na definição do próprio projeto reprodutivo, com acompanhamento na rede básica e articulação com outros serviços quando necessário.

Primeira fase treinou 2,9 mil profissionais e alcançou 682 municípios

Antes do ciclo atual, a primeira etapa das oficinas ocorreu entre outubro e dezembro de 2025. No período, foram realizadas 30 oficinas em todos os 27 estados, com participação de aproximadamente 2,9 mil profissionais e gestores.

O alcance chegou a 682 municípios, conforme o balanço divulgado. Entre os participantes, cerca de 1,8 mil médicos e enfermeiros foram capacitados especificamente para realizar a inserção e a retirada do Implanon.

O enfermeiro Ezequiel Martins, da Estratégia de Saúde da Família em Brasília (DF), destacou que o curso não se limita à parte operacional. Segundo ele, a capacitação trouxe debates sobre políticas públicas e direitos sexuais e reprodutivos, além de contribuir para maior segurança na realização do procedimento.

Ampliação do Implanon no SUS depende de acesso e qualificação

Com a segunda fase, o objetivo é acelerar a consolidação do implante contraceptivo na rede pública, combinando três frentes principais: ampliação da oferta, formação das equipes e integração do método ao cuidado contínuo em saúde sexual e reprodutiva.

A expectativa é que o avanço do treinamento, aliado à distribuição do insumo, contribua para que mais unidades de saúde estejam aptas a orientar, inserir e acompanhar usuárias do método conforme protocolos e boas práticas.

As informações são do jornal O Imparcial.