O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou nesta segunda-feira (27) a cerimônia de despedida do ministro aposentado Octavio Gallotti. O velório ocorreu no Salão Branco da Corte, em Brasília, reunindo ministros do STF e representantes de outros tribunais.
Gallotti morreu no domingo (26), aos 95 anos. O magistrado integrou o Supremo entre 1984 e 2000, período em que participou de julgamentos marcantes da redemocratização e das transformações institucionais do país.
Além do velório, autoridades e familiares acompanharam uma missa em homenagem ao ex-ministro. O sepultamento está previsto para esta terça-feira (28), às 16h, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Homenagens no Salão Branco do STF
Durante as despedidas, ministros do Supremo e integrantes de outras Cortes prestaram tributos à trajetória de Gallotti. A cerimônia foi marcada por manifestações de respeito ao perfil discreto do ex-ministro e ao estilo de atuação associado à sobriedade institucional.
Em pronunciamento em nome do tribunal, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, destacou características que, segundo ele, marcaram a carreira de Gallotti: atuação sem busca por exposição e compreensão da magistratura como função de Estado.
Na avaliação de Fachin, a geração à qual Gallotti pertencia via o exercício da jurisdição como missão pública, com independência e firmeza, mas sem personalismo. O presidente também ressaltou a combinação entre rigor jurídico e postura humana no trato da atividade judicial.
Carreira de Octavio Gallotti na Suprema Corte
Octavio Gallotti ocupou uma cadeira no STF de 1984 a 2000. Ao longo desses 16 anos, acompanhou momentos de consolidação institucional e participou da rotina decisória do tribunal em uma fase de intensa reorganização do sistema constitucional brasileiro.
Antes de chegar ao Supremo, Gallotti construiu trajetória no serviço público ligada ao controle e à fiscalização. Ele atuou como assistente da Procuradoria-Geral da República (PGR) e, depois, como procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
Posteriormente, tornou-se ministro do TCU, reforçando sua experiência em temas ligados à administração pública, contas governamentais e atuação de órgãos de controle. Esse percurso antecedeu sua nomeação para o STF.
Gallotti foi indicado ao Supremo pelo então presidente João Figueiredo, último chefe do Executivo durante o regime militar. Ele permaneceu na Corte até 2000, quando se aposentou.
Família com tradição na magistratura
Nascido no Rio de Janeiro, em 27 de outubro de 1930, Luiz Octavio Pires e Albuquerque Gallotti fazia parte de uma família com presença histórica no Judiciário brasileiro.
O avô, Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, foi ministro do STF entre 1917 e 1931. Já o pai, Luiz Gallotti, também integrou o Supremo, com mandato entre 1966 e 1968.
A tradição na área jurídica segue na geração seguinte: a filha de Octavio Gallotti, Maria Isabel Gallotti, é ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma das principais instâncias do país para uniformização da interpretação da legislação federal.
Sepultamento no Rio de Janeiro
Após as homenagens em Brasília, a família informou que o enterro ocorrerá no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, na tarde desta terça-feira (28), às 16h.
Com a morte de Octavio Gallotti, o STF se despede de um de seus ex-integrantes que atravessaram fases decisivas do tribunal, lembrado por colegas por uma atuação institucional e avessa a protagonismos.