O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu nesta quinta-feira (26) às declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), que em fevereiro comparou o petista a um “Opala velho”. A reação ocorreu durante a abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro, realizada em Niterói.
No palco, Lula disse não se sentir atingido pelo comentário e rebateu a provocação usando a mesma metáfora automobilística. O presidente afirmou que já teve um Opala 1994 preparado e, ao ironizar o adversário, associou o “Opala” do senador ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem descreveu como estando em “desmanche”.
Resposta a Flávio Bolsonaro durante evento em Niterói
As falas do presidente foram direcionadas ao episódio de fevereiro, quando Flávio Bolsonaro, em um painel com empresários, afirmou que Lula seria um “produto vencido” e o comparou a um carro antigo que “não leva para lugar nenhum”. O senador ainda fez críticas à condução econômica do governo, usando a imagem de “gasolina no tanque” para dizer que o atual presidente teria consumido uma suposta herança deixada pela gestão anterior.
Na Caravana Federativa, Lula adotou um tom de confronto político e devolveu a provocação. Segundo o presidente, o comentário não o ofendeu e ele reforçou o contraponto ao citar sua experiência com o modelo de carro mencionado. Em seguida, direcionou a ironia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ao dizer que a referência do senador estaria em situação de deterioração.
Bolsonaro está internado após diagnóstico de pneumonia
O contexto da resposta presidencial se dá em meio à situação de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com as informações citadas no evento, Bolsonaro está internado em um hospital particular de Brasília desde 13 de março, depois de passar mal no Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena.
Conforme relatado, a equipe médica diagnosticou pneumonia associada a um quadro de broncoaspiração. Ainda segundo as informações mencionadas, após receber alta, Bolsonaro deverá iniciar o cumprimento de prisão domiciliar, conforme determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O texto também cita que o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Caravana Federativa: Lula fala sobre exame de próstata
Além do embate com o senador do PL, Lula abordou outros temas durante a abertura da Caravana Federativa do Rio de Janeiro. Em um trecho voltado à saúde, o presidente chamou a atenção do público masculino para a importância do exame de próstata.
Ao comentar a resistência de parte dos homens ao procedimento, Lula afirmou que o diagnóstico precoce pode evitar complicações e defendeu que a população masculina encare o tema com seriedade. A fala foi feita em tom direto, com apelo para que o exame seja realizado como medida preventiva.
Lei Antifacção e críticas à atuação no combate ao crime
No mesmo evento, o presidente também comentou a Lei Antifacção, sancionada na última terça-feira (24). Lula disse que a proposta tem como foco enfrentar o crime organizado e criticou abordagens que, segundo ele, miram principalmente os mais pobres.
Durante o discurso, o presidente afirmou que é comum governos estaduais apresentarem ações em favelas como combate ao crime organizado, mas questionou a efetividade quando os líderes do esquema criminoso não são alcançados. Ele citou, como exemplo, criminosos que viveriam em áreas valorizadas, como coberturas em Copacabana, e disse que é esse tipo de liderança que deve ser alvo prioritário.
Lula informou ainda que vetou apenas dois trechos do projeto aprovado pelo Congresso Nacional. O presidente mencionou também a intenção de buscar diálogo com os Estados Unidos em torno da agenda de enfrentamento ao crime organizado.
Clima político e agenda no Rio de Janeiro
A Caravana Federativa é apresentada pelo governo como um espaço para aproximar a gestão federal de estados e municípios, com anúncios, serviços e articulação institucional. Em Niterói, o evento acabou marcado pelo tom político, com Lula rebatendo críticas da oposição e reforçando pautas do governo nas áreas de segurança pública e saúde.
Ao concentrar as declarações no palco, o presidente ampliou a repercussão do embate com Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, vinculou o debate público a temas que o Planalto pretende destacar, como o combate a facções criminosas e a defesa de medidas preventivas de saúde.