O Piauí encerrou fevereiro de 2026 com saldo positivo na balança comercial. No mês, o estado somou US$ 24,2 milhões (R$ 126,1 milhões) em operações de comércio exterior e registrou superávit de US$ 11,4 milhões (R$ 59 milhões), resultado de exportações acima das importações.
Os números constam em levantamento divulgado na sexta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Apesar do desempenho favorável no saldo, o volume exportado recuou em relação a períodos recentes, sinalizando um início de ano mais fraco para as vendas externas piauienses.
Exportações recuam no mês e no comparativo anual
Em fevereiro de 2026, as exportações do Piauí caíram de forma expressiva na comparação com fevereiro de 2025. O estado vendeu ao exterior US$ 18,9 milhões a menos, retração de 43,8% em doze meses.
Quando o comparativo é feito com janeiro de 2026, a queda também aparece, embora em menor intensidade: foram US$ 1,7 milhão a menos, recuo de 6,5% no intervalo de um mês.
No acumulado de janeiro e fevereiro, o Piauí exportou US$ 50,2 milhões. No mesmo período de 2025, o montante havia chegado a US$ 65 milhões (R$ 338 milhões). Isso representa redução de US$ 14,8 milhões, equivalente a 22,8%.
Chuvas atrasam colheita e afetam embarques de soja
O superintendente de Desenvolvimento Econômico da Secretaria da Fazenda do Piauí, Deusval Lacerda de Moraes, atribui a retração registrada no começo de 2026, principalmente, ao impacto climático sobre a logística agrícola. Segundo ele, o excesso de chuvas no sul do estado atrasou a colheita de soja no Cerrado piauiense, reduzindo a disponibilidade do produto para exportação no primeiro bimestre.
A leitura do governo é que o movimento é conjuntural. A soja compõe parcela relevante da pauta exportadora do Piauí e, quando há atraso na colheita, os embarques tendem a ser postergados para os meses seguintes.
Conab projeta safra acima de 6,6 milhões de toneladas em 2026
Mesmo com a perda de ritmo no início do ano, a expectativa para os próximos meses é de recomposição das exportações. Levantamentos preliminares da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que o Piauí pode superar 6,6 milhões de toneladas de grãos em 2026.
Se a projeção se confirmar, a tendência é de fortalecimento da pauta exportadora, com destaque para a soja, que costuma liderar em valor e relevância estratégica. A recuperação dos embarques depende, porém, do calendário efetivo de colheita, do escoamento da produção e das condições do mercado internacional.
Importações caem 65% e ajudam a manter saldo positivo
Outro fator que contribuiu para o superávit em fevereiro foi a queda nas importações. O Piauí comprou do exterior US$ 12,9 milhões (R$ 66,9 milhões) no mês.
Em fevereiro de 2025, as importações haviam somado US$ 37,2 milhões. Na comparação anual, a redução é de 65%, o que diminuiu a pressão sobre o saldo comercial e ajudou o estado a fechar o mês no azul.
Milho lidera exportações; soja aparece em segundo lugar
O milho foi o principal item exportado pelo Piauí em fevereiro de 2026, concentrando 46,2% das vendas externas, com US$ 11,2 milhões. Na sequência, a soja respondeu por 25,1% do total, com US$ 6,1 milhões.
Outros produtos também tiveram participação relevante na composição das exportações do mês. As categorias com maior destaque foram:
- outras gorduras e óleos animais e vegetais: 17,3% (US$ 4,2 milhões);
- algodão bruto: 5,7% (US$ 1,4 milhão);
- mel natural: 1,9% (US$ 450 mil);
- compostos organo-inorgânicos e heterocíclicos: 0,7% (US$ 181,4 mil).
A distribuição reforça o peso do agronegócio e de cadeias vinculadas à produção primária na economia exportadora do estado, ao mesmo tempo em que indica participação de segmentos químicos em menor escala.
Uruçuí e Campo Maior estão entre os municípios que mais exportaram
Entre os municípios com maior volume exportado em fevereiro, aparecem Uruçuí, Campo Maior, Baixa Grande do Ribeiro, Bom Jesus e Parnaíba. As cidades refletem a geografia produtiva do estado, especialmente nas áreas com forte presença de grãos e estrutura de comercialização para o mercado externo.
A lista também evidencia a importância do interior no desempenho do comércio exterior piauiense, com polos agrícolas ganhando protagonismo no envio de commodities.
Egito e China são os principais destinos das vendas externas
O Egito foi o principal destino das exportações do Piauí em fevereiro, absorvendo 34,4% do total. A China ficou em segundo lugar, com 28,9%. Em seguida aparecem Malásia (12%), Estados Unidos (6,5%) e Alemanha (2%).
O quadro reforça a dependência de mercados internacionais tradicionais para commodities agrícolas e indica diversificação moderada de destinos, com presença tanto de países asiáticos quanto de compradores do Ocidente.
Fonte: dados do MDIC, com informações do Conecta Piauí.