Thiago Carpini completou, nesta terça-feira (7), 100 dias como técnico do Fortaleza. Anunciado em 11 de dezembro de 2025, ele chegou com a missão de recolocar o clube na Série A do Campeonato Brasileiro, objetivo central da temporada de 2026.
O início trouxe um resultado importante: o título do Campeonato Cearense. Ainda assim, a sequência de jogos expôs um cenário de oscilação, com momentos de controle e outros de desempenho questionado.
Números de Carpini no Fortaleza em 20 jogos
Até aqui, o treinador soma 20 partidas à frente do Tricolor do Pici, com 12 vitórias, seis empates e duas derrotas. O time marcou 25 gols e sofreu 14, o que representa aproveitamento próximo de 70%.
Na leitura fria das estatísticas, a campanha é satisfatória. Porém, a percepção sobre o futebol apresentado em campo tem sido mais dura, sobretudo após tropeços recentes e dificuldades de construção ofensiva.
Clássico contra o Ceará aumenta pressão
O jogo mais recente do Fortaleza foi o Clássico-Rei contra o Ceará e acabou virando um ponto sensível na avaliação do trabalho. Mesmo em superioridade numérica desde os primeiros 20 minutos, o time foi derrotado por 2 a 0 pelo rival.
A partida reforçou a cobrança por consistência e por escolhas mais assertivas, especialmente em um contexto no qual o acesso à Série A é tratado internamente como prioridade absoluta.
O que pesa a favor: títulos e metas no calendário
Entre os aspectos positivos do período, está a conquista do Estadual sem derrotas, além do avanço em competições que ajudam a manter o clube em evidência e com calendário relevante. O Fortaleza também segue vivo na Copa do Nordeste e está encaminhado para disputar a Copa do Brasil pela quinta vez.
Para o jornalista Mário Kempes (Blog do Kempes e TVC), os resultados atingidos até aqui não podem ser analisados isoladamente, porque o cenário do elenco mudou durante o processo. Segundo ele, houve saídas de atletas que, inicialmente, não eram previstas, e a reposição no mercado não manteve o mesmo nível prometido.
Na visão de Kempes, o time cumpre metas em competições paralelas, mas o recorte do Brasileiro ainda não transmite segurança para o objetivo maior, que é subir para a elite.
Desempenho em campo e responsabilidade compartilhada
O debate sobre Carpini passa pela distância entre números e rendimento. Kempes avalia que o treinador tem parcela de responsabilidade, sobretudo em escalações e substituições que, em alguns jogos, não elevam o nível de atuação.
Ao mesmo tempo, ele aponta que a cobrança não deve ficar restrita à comissão técnica. Para o jornalista, há problemas de eficiência do elenco e também falhas de gestão no planejamento, com impacto direto na qualidade das opções disponíveis.
Mudanças de esquema e instabilidade no elenco
O jornalista Tom Alexandrino (TVC) descreve os primeiros meses como uma sequência de fases muito diferentes em pouco tempo. Ele contextualiza que Carpini foi contratado para liderar um processo de reformulação e atravessou mudanças internas no clube, além de ter convivido com baixas de jogadores durante a tentativa de consolidar um modelo de jogo.
Alexandrino lembra que, em determinados momentos, o técnico precisou alterar sua forma de jogar. Conhecido por uma proposta mais agressiva, com marcação alta e postura ofensiva, ele passou a utilizar formações com três zagueiros e mais jogadores de contenção, priorizando equilíbrio antes de buscar protagonismo.
Segundo o comentarista, as dificuldades no mercado e a necessidade de adequar a folha salarial também limitaram a montagem do elenco e contribuíram para um ambiente de insegurança. Ele cita ainda que, quando o time estreou em um 4-3-3 diante do Botafogo-SP, a equipe sofreu uma goleada por 4 a 0, o que aumentou a instabilidade e levou a novas mudanças.
Na avaliação de Alexandrino, o estágio atual do trabalho é de pouca confiança, com improvisações e queda de performance, o que o leva a classificar o momento do treinador como “de ruim para regular”, apesar das circunstâncias adversas.
Críticas à queda de rendimento e às decisões do treinador
Para Renato Manso (Futebolês), o desafio encontrado por Carpini no Fortaleza foi maior do que o imaginado inicialmente. Ele destaca que as perdas no elenco interferiram na construção da equipe e no começo do trabalho, dificultando a consolidação de uma identidade.
No entanto, Manso pondera que, após 20 partidas, não é possível retirar do técnico a responsabilidade por escolhas que impactam o desempenho, como montagem de time, substituições e planejamento com a comissão técnica. Na visão dele, além de alguns resultados negativos, a equipe apresentou queda de rendimento, e isso também recai sobre o comandante.
Próximo jogo: Fortaleza visita o São Bernardo pela Série B
Com o debate sobre desempenho e confiança em alta, o Fortaleza volta a campo no domingo (12), fora de casa, contra o São Bernardo-SP, pela 4ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro.
O duelo ganha peso por acontecer em um momento de cobrança por respostas rápidas. Para Carpini, a partida representa mais uma oportunidade de aproximar os bons números de uma atuação convincente, requisito considerado decisivo para sustentar a caminhada rumo ao acesso.